31 de julho de 2025
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MERCADO: Apesar dos candidatos negarem sobre o tamanho e um possível ajuste fiscal, agentes do mercado especulam sobre o tamanho da Taxa Selic em 2028

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Por Politica Real com assessoria
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Mercado especula sobre o futuro da Selic Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 22/10/2026)  Faltando 3 dias para as eleições presidências em segundo turno, os agentes de mercados mesmo sem ter certeza sobre um possível ajuste fiscal que possa vir de alguns dos candidatos visto que ambos tem afirmado que vão manter o aumento do Bolsa Família assim como aumento real de salário mínimo tanto dos trabalhadores da ativa como aposentados e de outros direitos sociais, especulam sobre o tamanho da taxa Selic em 2028.

Há informações de que o candidato Flávio Bolsonaro irá apresentar um “decretaço” de cortes independente do que tem dito na campanha eleitoral.

Veja algumas das manifestações que chegaram à redação da Politica Real:

"O principal erro seria concentrar o ajuste no aumento de impostos, penalizando ainda mais a atividade", Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

       “A questão fiscal brasileira vai além de equilibrar receitas e despesas. O país precisa recuperar sua capacidade de crescimento. Enquanto a Fitch projeta expansão de apenas 1,4% para o Brasil em 2027, o FMI estima crescimento global de 3,4%. Um ajuste estrutural adicional de 0,6 ponto percentual do PIB até 2028, conforme simulação do FMI, permitiria reduzir os juros em até 0,7 ponto percentual, mas o resultado econômico dependerá de como o governo preservará investimentos e estimulará a produtividade. A desaceleração inicial tende a ser compensada mais rapidamente quando o setor privado encontra condições para investir e inovar, embora não exista uma projeção confiável desse prazo até 2030. Nesse cenário, o venture capital assume papel relevante ao financiar startups de inteligência artificial, tecnologia e serviços financeiros, capazes de elevar a produtividade e criar novas fontes de crescimento para a economia brasileira”, Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

 

       “A redução da Selic não significa que o crédito ficará barato imediatamente. A Fitch projeta juros de 11,75% no final de 2027, mas consumidores e empresas continuarão sujeitos aos custos de financiamento, à inadimplência e às condições de garantia. O ajuste fiscal precisa ser suficientemente consistente para reduzir a percepção de risco, sem retirar da economia mais demanda do que ela consegue recuperar no curto prazo. O FMI estima que um esforço estrutural adicional de 0,6 ponto percentual do PIB até 2028 permitiria uma redução adicional dos juros de até 0,7 ponto. O impacto sobre o crescimento dependerá da velocidade com que esse alívio chegará ao consumo e aos investimentos, sem prazo de compensação definido até 2030. Para empresas, produtores rurais e famílias, o planejamento financeiro e as operações de crédito estruturadas com garantias representam instrumentos importantes para aproveitar a redução gradual dos juros com maior previsibilidade”, Thiago Alves Secco, CFO da Friggi & Secco.

 

       “O ajuste fiscal de 2027 precisa resolver um problema que vai além das contas públicas: a baixa capacidade da economia brasileira de transformar recursos em produtividade. A Fitch projeta desaceleração do PIB de 1,9% em 2026 para 1,4% em 2027, enquanto a economia mundial deverá crescer 3,4% no próximo ano, segundo o FMI. A instituição estima que um ajuste estrutural adicional de 0,6 ponto percentual do PIB até 2028 permitiria reduzir os juros em até 0,7 ponto percentual além do cenário-base. Entretanto, o benefício sobre o crescimento não será automático, nem existe um prazo definido para compensar a desaceleração inicial até 2030. Para acelerar a recuperação, será necessário melhorar a circulação do crédito, reduzir custos financeiros e ampliar investimentos produtivos. Nesse contexto, as finanças integradas permitem que empresas incorporem pagamentos, crédito e contas digitais às operações, criando novas receitas e aumentando a eficiência financeira”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

 

       “O alerta da Fitch é importante porque mostra que o ajuste fiscal deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade, seja quem for o vencedor. Com déficit nominal acima de 8% do PIB e dívida caminhando para mais de 80%, o país não tem espaço para adiar. A agência projeta crescimento de apenas 1,4% em 2027 e Selic de 11,75% no fim do ano. A questão é como fazer o ajuste sem derrubar ainda mais a economia. O caminho é gradual: melhorar o resultado das contas em cerca de meio ponto do PIB por ano, cortando principalmente gastos correntes e benefícios tributários e preservando o investimento público, que é o gasto que mais ajuda o crescimento. Os estudos sobre a economia brasileira mostram que cortar gasto corrente tem efeito relativamente pequeno sobre o PIB. Pelas minhas contas, um ajuste desse tamanho tiraria algo entre 0,2 e 0,4 ponto percentual do crescimento em cada um dos dois primeiros anos. Em troca, se o ajuste for crível, o Banco Central ganha espaço para levar a Selic para perto de 10% até 2028, em vez de mantê-la acima de 12%. Com juros e inflação menores, o crédito barateia, o consumo e o investimento voltam a crescer, e o Brasil poderia crescer de meio a um ponto a mais por ano entre 2028 e 2030. Nesse cenário, o benefício compensaria o freio inicial em cerca de dois anos, e até 2030 o ganho acumulado superaria a perda. O que não funciona é um ajuste brusco, concentrado em um único ano, ou um ajuste que ninguém acredita que vai continuar, porque aí o país paga o custo do aperto sem colher a queda dos juros”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

 

       “O Brasil precisa de um ajuste fiscal consistente, mas gradual, priorizando a redução de gastos ineficientes e privilégios tributários, sem comprometer investimentos. Um ajuste muito agressivo, com os juros ainda elevados, poderia aprofundar a desaceleração econômica. se o governo conseguir transmitir credibilidade fiscal, a redução do risco-país, da inflação esperada e dos juros poderá estimular novamente o crédito, o consumo e os investimentos. Nesse cenário, vejo potencial de ganho adicional de 0,3 a 0,5 ponto percentual no crescimento anual até 2030, compensando a perda inicial entre 2029 e 2030. O principal erro seria concentrar o ajuste no aumento de impostos, penalizando ainda mais a atividade. O mercado responderá melhor a um ajuste estrutural, capaz de controlar a dívida pública e permitir juros menores de maneira sustentável”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

 

       “O Brasil precisa de um ajuste fiscal que permita reduzir os juros de forma sustentável. A intensidade e a composição desse ajuste serão decisivas: cortar investimentos públicos ou elevar impostos indiscriminadamente pode aprofundar a desaceleração e prejudicar a capacidade de crescimento. Uma estratégia razoável seria melhorar o resultado primário em cerca de 0,5 a 1 ponto percentual do PIB em 2027, com continuidade nos anos seguintes, priorizando revisão de benefícios tributários, despesas ineficientes e controle do crescimento dos gastos obrigatórios. Esse esforço precisa integrar um plano capaz de estabilizar a dívida; uma melhora isolada não resolve o problema. Para dimensionar os efeitos, podemos trabalhar com um cenário ilustrativo: um ajuste de 1 ponto do PIB, com multiplicador fiscal entre 0,3 e 0,6, retiraria aproximadamente 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento no primeiro ano, antes da compensação por juros menores. Isso significa crescer menos, sem necessariamente entrar em recessão. Se o plano tiver credibilidade, as expectativas de inflação cederem e o Banco Central puder reduzir os juros, é possível imaginar um ganho de 0,3 a 0,5 ponto percentual no crescimento anual entre 2028 e 2030, comparado a um cenário sem ajuste consistente. Nesse exercício, o PIB chegaria a 2030 aproximadamente 0,3% a 1,2% maior, já descontada a perda inicial. São hipóteses de cenário, não uma previsão fechada. A compensação do freio inicial poderia ocorrer em dois a três anos. O consumo e as contratações sentiriam primeiro a desaceleração; depois, crédito mais barato e maior previsibilidade favoreceriam investimentos e emprego, especialmente em setores sensíveis aos juros, como a construção civil. Esse benefício depende da execução: se o ajuste não reduzir o risco fiscal ou se a inflação persistir, a recuperação demorará mais”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

 

       “O mercado internacional não avaliará o próximo governo brasileiro apenas pelo resultado eleitoral, mas pela capacidade de apresentar uma trajetória sustentável para a dívida pública. Em um cenário de crescimento mundial projetado pelo FMI em 3,4% para 2027, com riscos comerciais e geopolíticos persistentes, países emergentes precisam oferecer previsibilidade para atrair capital. A Fitch projeta Selic de 11,75% ao final de 2027, enquanto o FMI estima que um ajuste estrutural adicional de 0,6 ponto percentual do PIB até 2028 permitiria reduzir os juros em mais 0,4 a 0,7 ponto percentual. A melhora fiscal tende a reduzir o prêmio de risco, mas a recuperação do crescimento dependerá também do dólar, dos juros americanos e dos fluxos internacionais. Não existe uma estimativa precisa do prazo de compensação até 2030. Para os investidores brasileiros, esse ambiente reforça a importância da diversificação global, com ETFs internacionais e ativos dolarizados, equilibrando oportunidades domésticas e proteção patrimonial de longo prazo”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)