31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar segundo turno com bolsonarista em vantagem

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Por Politica Real com agências
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Lula e Flavio vão para dis[uta em segundo turno Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 04/10.2026)  O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguem em disputa no segundo turno da eleição para presidente da República.

Os dois candidatos foram os mais votados no primeiro turno, realizado neste domingo (4), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio terminou a apuração em primeiro lugar, com 44.85 % dos votos válidos, o equivalente a 55.499.853 votos. Lula ficou em segundo, com 44.7%, ou 55.499.853 votos.

Até às 21h01, 98,2% das urnas haviam sido totalizadas.

A eleição presidencial é decidida em segundo turno quando nenhum candidato obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Na terceira posição, muito atrás dos dois primeiros colocados, ficou Augusto Cury (Avante), com cerca de 2,9%. Somados, os demais candidatos não conseguiram nem 8% dos votos.

Lula em declínio

Nas dez eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi ou tentou se apresentar como candidato em oito delas. Com o presidente se aproximando dos 81 anos, essa pode ser a última disputa presidencial com seu nome nas urnas.

Preso e barrado do pleito de 2018, Lula protagonizou uma das reviravoltas políticas mais dramáticas da história ao derrotar em 2022 o então presidente Jair Bolsonaro e conquistar um terceiro mandato, na que foi a eleição mais apertada desde a redemocratização.

Em 2022, porém Lula havia chegado ao segundo turno com uma margem de 5,2 pontos sobre Jair Bolsonaro. Desta vez, o primeiro turno se mostrou mais difícil para o petista, que terminou em segundo lugar, ficando atrás de Flávio por pouco mais de dois pontos, mostrando que o lulismo pode estar finalmente mostrando sinais de enfraquecimento. Em relação ao primeiro turno de 2022, Lula perdeu cerca de 4 milhões de votos.

Ao longo da campanha de 2026, Lula se manteve no topo das pesquisas, mas sua popularidade permaneceu distante dos níveis observados em 2010, quando completou seu segundo mandato. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana antes do primeiro turno mostrou que 49% desaprovam e 48% aprovam o governo de Lula.

Sob Lula a partir de 2023,  vários indicadores econômicos do Brasil mostraram sinais de melhora após declínio no final da gestão Jair Bolsonaro. O país registou números recordes de empregabilidade, com uma taxa de desemprego de 5,3%, assim como os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica (desde 2012).

No entanto, apesar da melhora de vários índices, houve a persistência de um sentimento negativo entre muitos eleitores em relação ao custo de vida, de forma semelhante ao que ocorreu com o ex-presidente democrata Joe Biden nos EUA em 2024, cujo partido acabou sendo derrotado nas urnas no mesmo ano, e ainda por cima por um rival que havia sido superado na eleição anterior: Donald Trump.

Flávio Bolsonaro em busca de levar bolsonarismo de volta ao poder

Senador de 45 anos que substituiu seu pai declarado inelegível, Flávio inicialmente se lançou à Presidência no ano passado no que parecia uma mera manobra política de "troca de moeda" que ainda poderia abrir caminho para outro candidato de ultradireita.

Mas ele rapidamente foi bem-sucedido em herdar boa parte do capital político do pai, Jair Bolsonaro, e se cacifar como o principal desafiante da candidatura à reeleição de Lula. Na contagem de votos do primeiro turno, Flávio obteve mais de quatro pontos percentuais a mais em relação a Jair Bolsonaro em 2022, que chegou ao fim da primeira rodada daquela eleição com 43,2%.

Liderando uma campanha revanchista após a derrocada de Jair, que não se reelegeu e ainda acabou preso e condenado, Flávio prometeu "fazer justiça" pelo pai e anistiar os envolvidos no ataque golpista de 8 de janeiro de 2023.

Sem o poder da máquina pública que seu pai contou na última eleição, Flávio utilizou críticas ao custo de vida, preço dos alimentos, corrupção e situação da segurança pública como alguns temas de campanha.

Mas sua candidatura focou especialmente num discurso "anti": antilulopetista e anti-STF. Flávio tentou mesclar os escândalos envolvendo o Supremo ao presidente, argumentando que ministros da Corte atuam como "agentes políticos do Lula".

No entanto, o próprio Flávio se viu ao longo da campanha envolvido no escândalo do Banco Master, especialmente após a revelação que o senador pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do seu pai.

Outras situações de tensão ocorreram, como um desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado nestas eleições. As articulações da família Bolsonaro junto ao governo Trump também levaram em alguns momentos Flávio a ficar na defensiva.

Ainda assim, a sucessão de turbulências não foi suficiente para levar Flávio a perder força nem mesmo na reta final da campanha. Com o peso do sobrenome, Flávio ainda neutralizou rivais de direita que se apresentaram como alternativas na eleição.

( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)