Mercado avalia os dados do Relatório de Política Monetária em que o Banco Central estimou um crescimento menor do que vinha estimando o relatório Focus
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(Brasília-DF, 24/09/2026) Nesta quinta-feira, 24, foi divulgado os dados trimestrais do Relatório de Política Monetária. Vários economistas comentaram os resultados em que o BC estimou o crescimento abaixo do que estimou o relatório Focus.
Veja os comentários que chegaram a redação:
“A redução da projeção do PIB de 2026 para 1,8% e a expectativa de nova desaceleração para 1,4% em 2027 mostram que a economia brasileira entra em uma fase de menor velocidade de expansão. Considerando que o PIB cresceu 2,3% em 2025, a economia pode encerrar esse ciclo com uma perda de aproximadamente 39% no ritmo de crescimento em dois anos, comparação feita a partir da diferença entre o avanço registrado e a projeção para 2027. Esse movimento não representa apenas uma desaceleração pontual, mas evidencia um desafio estrutural relacionado à produtividade, formação de capital e capacidade de geração de renda. O cenário combina fatores domésticos, como juros ainda elevados e crédito mais restritivo, com um ambiente internacional de maior incerteza, marcado por diferentes ritmos de crescimento entre países e mudanças nos fluxos globais de capital. A política monetária atua para reequilibrar a inflação, mas o efeito desse processo aparece na decisão de consumo das famílias e na disposição das empresas em ampliar investimentos. Para o investidor, períodos de menor crescimento exigem uma análise mais criteriosa sobre risco, retorno e preservação patrimonial. Em uma economia com menor expansão, a diferenciação entre ativos e a qualidade da gestão dos recursos ganham relevância para construir estratégias de longo prazo”, Gustavo Assis, CEO da Asset.
“A desaceleração sinalizada pelo Banco Central é mais preocupante pelo que pode representar para investimento e produtividade do que pelo crescimento mais fraco em si. Juros altos, crédito restrito e menor impulso fiscal tendem a esfriar consumo e expansão empresarial, mas o risco maior é esse ambiente prolongado reduzir formação de capital e capacidade produtiva, fazendo o país sair do ciclo monetário restritivo ainda com crescimento potencial baixo. No emprego, o efeito tende a aparecer com defasagem, primeiro na redução de novas contratações e dos ganhos salariais, antes de uma piora mais evidente da ocupação. Para investidores, esse quadro favorece seletividade maior em crédito privado, preferência por empresas menos alavancadas e com geração de caixa previsível, além de manter a renda fixa competitiva enquanto a atividade perde força e o ciclo de queda dos juros permanece condicionado à inflação e ao fiscal”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“A projeção do Banco Central de crescimento do PIB em 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027 mostra uma economia com menor capacidade de expansão. Em relação ao crescimento de 2,3% observado em 2025, a projeção para 2027 representa uma redução aproximada de 39% no ritmo de crescimento, sinalizando que empresas precisarão buscar ganhos de eficiência para compensar um ambiente de menor expansão da demanda. Nesse cenário, produtividade passa a ser uma variável central. Empresas que conseguem utilizar tecnologia, dados e automação para melhorar processos podem criar vantagens competitivas mesmo em períodos de crescimento mais lento. A desaceleração econômica tende a acelerar a busca por modelos mais eficientes de operação. A integração entre serviços financeiros e negócios tradicionais faz parte dessa transformação. Soluções de embedded finance permitem que empresas desenvolvam novas fontes de receita, melhorem o relacionamento com clientes e fornecedores e utilizem recursos financeiros como ferramenta estratégica de crescimento”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.
"A redução da projeção do PIB para 1,8% em 2026 e a expectativa de crescimento de 1,4% em 2027 mostram uma desaceleração importante da economia brasileira. Quando comparamos com o crescimento de 2,3% registrado em 2025, o ritmo projetado para 2027 representa uma perda de aproximadamente 39% na velocidade de expansão, o que pode influenciar decisões de investimento, contratação e consumo. O principal ponto de atenção está no efeito acumulado dos juros elevados sobre o crédito. Em uma economia que depende do financiamento para consumo e produção, o aumento do custo do capital exige mais planejamento por parte de empresas e famílias. A qualidade das garantias, a capacidade de pagamento e a estruturação das operações passam a ser fatores determinantes para decisões financeiras. No longo prazo, o crescimento sustentável depende de um ambiente em que crédito e investimento consigam financiar atividades produtivas. Soluções financeiras mais planejadas podem contribuir para que empresas e consumidores tomem decisões mais eficientes mesmo em ciclos econômicos de menor expansão", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“A revisão do Banco Central não surpreende o mercado. Ela confirma que o aperto monetário está produzindo o efeito esperado sobre a atividade. A desaceleração é condição para o processo de desinflação, a questão é que o Brasil está perdendo ritmo a partir de um potencial de crescimento que já é baixo. Crescer apenas 1,4% em 2027 significa operar abaixo do potencial. O maior risco não é um ano isolado de crescimento fraco, mas a repetição desse quadro no médio prazo. Juros reais elevados e crédito mais restrito adiam investimentos produtivos. E o investimento que não acontece hoje reduz a capacidade de crescimento, a produtividade e a geração de renda amanhã. O emprego reage com defasagem. Não significa necessariamente uma forte destruição de vagas, mas menor geração de empregos, menos pressão por aumentos salariais e consumo mais fraco devem compor o quadro de 2027. Esse efeito tende a ser ampliado pelo comprometimento recorde da renda das famílias com o pagamento de dívidas. Há também uma consequência fiscal. O Orçamento de 2027 foi elaborado com crescimento de 2,5%, enquanto o BC agora projeta 1,4%. Uma economia mais fraca reduz a arrecadação e dificulta o cumprimento da meta fiscal. Isso aumenta o prêmio de risco, o que tende a manter a curva dos juros longos elevada. É um círculo que só será rompido com ajuste fiscal crível e medidas que elevem a produtividade, pouco será revertido apenas com novos estímulos de curto prazo”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.
“A revisão do Banco Central para 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027 confirma uma economia perdendo força. Não é um cenário de recessão, mas crescer nessa faixa por muito tempo é pouco para o Brasil. A preocupação maior é isso virar uma tendência, porque crescimento baixo acaba limitando investimento, produtividade e aumento de renda. O mercado de trabalho ainda está relativamente forte, então não acredito em uma piora abrupta do emprego. Mas, se a atividade continuar desacelerando, naturalmente teremos menor criação de vagas, renda crescendo menos e um consumidor mais cauteloso. Para as empresas, demanda mais fraca e juros ainda elevados também acabam adiando investimentos. No crédito, isso já começa a aparecer com maior seletividade. Empresas com balanços sólidos e boa geração de caixa continuarão tendo acesso e condições melhores. Já as mais alavancadas ou dependentes de refinanciamento devem encontrar mais dificuldade. A queda da Selic ajuda, mas para uma recuperação mais consistente em 2027 será importante que também diminuam o risco fiscal, os juros longos e o custo efetivo do crédito”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.
“A redução da projeção do PIB para 1,8% em 2026 e para 1,4% em 2027 indica uma economia brasileira em desaceleração. Comparando com o crescimento de 2,3% em 2025, a projeção para 2027 representa uma perda de aproximadamente 39% no ritmo de expansão, reforçando a importância de uma visão mais ampla sobre investimentos e construção de patrimônio. Esse movimento acontece em um cenário global de transição, com juros ainda elevados em diversas economias, mudanças nas políticas monetárias e maior disputa por capital. Para o investidor, isso significa que depender exclusivamente de um único mercado pode aumentar a exposição aos ciclos locais. A diversificação internacional ganha relevância justamente por permitir acesso a diferentes economias, moedas e setores. Em períodos de menor crescimento doméstico, uma carteira global pode ampliar as alternativas de investimento e contribuir para uma estratégia de longo prazo mais equilibrada”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)