Grupo de 14 países atendem Donald Trump e assinam “Escudo das Américas” e firmam sanções a 24 facções criminosas, incluindo CV e PCC
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Com agências
(Brasília-DF, 23/09/2026). Nessa terça-feira, 22, no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump disse que poderá usar força militar na América Latina para garantir os "interesses vitais" do país sobre a região, um grupo de 14 países latino-americanos e caribenhos liderados pelos EUA, conhecido como Escudo das Américas, divulgou um comunicado no qual afirma estar disposto a impor sanções a 24 facções criminosas, entre elas duas brasileiras, classificadas pelo grupo como "narco-terroristas".
As facções brasileiras mencionadas no documento são o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em maio, os Estados Unidos já haviam designado essas duas facções como organizações terroristas.
A medida adotada pelos norte-americanos foi criticada pelo governo brasileiro sob o argumento de que ela poderia abrir espaço, justamente, para intervenções militares norte-americanas em território brasileiro.
A intenção declarada pelo Escudo das Américas, no entanto, coloca o Brasil na contramão da maioria dos países da América do Sul. Dos 11 países da região, sete fazem parte do grupo e assinaram o documento: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru.
Os quatro que não assinaram o documento são: Brasil, Uruguai, Suriname e Venezuela.
O texto divulgado hoje trata o crime organizado como uma ameaça conjunta para a região.
"Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é representada por organizações narcoterroristas transnacionais (...) nós anunciamos hoje a primeira ação conjunta sob os nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo", diz um trecho do documento.
O texto diz que os países planejam impor o congelamento de ativos, restringir vistos para pessoas associadas a estas organizações criminosas e processar pessoas que estejam oferecendo suporte material ou logístico para as facções.
O documento também pede que a Organização dos Estados Americanos, sediada em Washington, convoque uma reunião para debater a adoção de uma resolução conjunta da entidade sobre medidas a serem adotadas para o combate às organizações criminosas da região.
Atualmente, a OEA é comandada pelo chanceler de Suriname, Albert Ramdin, que foi eleito secretário-geral da organização com o apoio do Brasil.
Um diplomata brasileiro ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado disse que o governo tomou conhecimento da iniciativa e ainda avaliava seus impactos.
Outro diplomata, questionado sobre se ela isolava o país ante seus principais vizinhos, disse que a medida poderia ter "vários propósitos".
Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carol Pedroso, as sanções anunciadas pelo Escudo das Américas seria um "mau sinal para o Brasil".
"É um mau sinal para o Brasil, que desde a assinatura do Escudo das Américas, em março, já estava 'cercado' de aliados militares em potencial dos EUA e agora está praticamente encurralado com as adesões de Peru e Colômbia", disse a professora.
Segundo ela, a medida poderia abrir caminho para ações militares tanto na fronteira quanto em território brasileiro.
"O primeiro seria a ação direta dos EUA, com anuência dos aliados regionais, em território na fronteira brasileira. O segundo é a ação de Forças Armadas dos países vizinhos, com apoio norte-americano, tanto na fronteira quanto em solo nacional, em 'prol' do combate ao chamado narco-terrrosimo".
Para a professora, tanto em um caso como em outro, o Brasil ficaria politicamente vulnerável porque, caso uma ação em território nacional aconteça, "a possibilidade de reação ficaria limitada seja militarmente, seja por meio da diplomacia regional".
( da redação com informações da BBC. Edição: Política Real)