31 de julho de 2025
ECONOMIA

Governo federal estima PIB em 2% em 2026 e inflação fechando em 4,9%

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Por Política Real com assessoria
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Capa do boletim macro fiscal divulgado hoje Foto; site do Ministério da Fazenda

(Brasília-DF, 22/09/2026) Na tarde desta terça-feira, 22, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou o seu Boletim Macrofiscal de Setembro.

A projeção de crescimento do PIB em 2026 passou de 2,3% para 2,0%, com revisão concentrada nos serviços. A projeção para o setor de serviços caiu de 2,4% para 1,8% e a da indústria, de 2,1% para 1,7%, movimentos parcialmente compensados pela agropecuária, revisada de 1,8% para 2,8%.

Nos serviços, a revisão decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica. Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo.

No caso da indústria, o ajuste reflete o desempenho da indústria de transformação, que segue pressionada pelo custo do crédito e pela demanda mais fraca por bens de consumo, enquanto a atividade extrativa continua sustentando o setor. Em sentido contrário, o mercado de trabalho segue amparando os segmentos ligados ao consumo das famílias, e a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda da pessoa física eleva a renda disponível ao longo do segundo semestre, atenuando a desaceleração projetada.

No último trimestre do ano, o PIB volta a acelerar, com crescimento de 2,1% na comparação interanual, à medida que a redução da taxa básica iniciada em março se transmite gradualmente à indústria de transformação, à construção e aos serviços mais cíclicos.

Inflação

Para 2026, a projeção de inflação medida pelo IPCA foi revisada de 5,1% para 4,9%.9 A revisão para baixo decorre dos resultados do IPCA até julho, que ficaram, em parte, abaixo do projetado na grade anterior, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços. A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026.

Para 2027, a previsão de inflação foi revisada de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano. Embora a recente desaceleração da inflação tenha contribuído para reduzir seu componente inercial, a projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes, cujos impactos devem se materializar, sobretudo, no próximo ano. Além dos efeitos de segunda ordem do El Niño sobre as carnes, a possível reversão do ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas, gera um risco de elevação de preços ainda maior para esse item. Adicionalmente, foram incorporados ao cenário a recente aceleração do IPA-DI agropecuário, que aumenta o risco de repasse dos preços do atacado ao consumidor, além dos riscos associados ao choque de fertilizantes sobre a safra de 2027, decorrentes da intensificação do conflito no Oriente Médio. Para os anos seguintes, projeta-se a convergência da inflação para a meta.

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real )