Mercados começa a avaliar a Ata do Copom que tem caráter neutro; veja a primeira que chegou ã redação da Política Real
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(Brasília-DF, 22/09/2026) Em seguida a divulgação da Ata do Copom pelo Banco Central na manhã desta terça-feira, 22, começaram a ser divulgadas as avaliações sobre o texto que foi considerado, a princípio, neutro, pois não indica se vai ser reduzida ou se vai ser mantida a tendência de queda da Taxa Selic.
Veja a avaliação, a primeira, que chegou na redação, da Warren Rena:
ATA DO COPOM DE SETEMBRO – Tom neutro e sinalização de continuidade
A ata manteve o padrão adotado no comunicado, com alterações mínimas em relação à reunião anterior, reforçando a tese de continuidade da estratégia atual de calibração com cortes de 25 bps.
O documento, na essência, trouxe apenas uma atualização do cenário. Então, destacamos os principais pontos alterados pelo Banco Central para, a partir deles, depreender se há algum elemento relevante de comunicação.
A respeito da atividade, o Copom traz o mesmo ajuste já encontrado no comunicado, reforçando que a moderação da atividade está se dando principalmente nos setores mais cíclicos, retirando a referência a "sinais mistos". Ou seja, reforça que observa o efeito esperado da Selic restritiva sobre a atividade econômica no estágio atual do ciclo de política monetária.
Na inflação corrente, o Copom aponta a evolução favorável das medidas subjacentes, com desaceleração e situandoas abaixo do limite superior da meta. O cenário externo segue contribuindo como fator de risco relevante, com o conflito no Oriente Médio gerando pressão sobre commodities e afetando a condução da política monetária nas economias avançadas.
Destacamos a introdução de um parágrafo novo sobre o mercado de crédito. Nele, o Banco Central mostra uma evolução favorável das linhas de longo prazo, mais sensíveis à política monetária, que estão apresentando desaceleração na margem. Ao mesmo tempo, cita que os créditos com recursos direcionados seguem crescendo para pessoas físicas, como crédito imobiliário, e para empresas com garantia de fundos públicos. Vale lembrar que estes dois últimos em muitos casos estão associados às políticas públicas. Aqui, pode ser entendido como uma manifestação do Banco Central em relação a políticas de governo que reduzem a eficiência desse canal de transmissão.
Quanto aos próximos passos, não há nenhuma indicação nova. O BC segue vendo um cenário de aumento na incerteza, desancoragem das expectativas, riscos elevados em torno do cenário e necessidade de manutenção da Selic em patamar restritivo.
Nossa visão: seguimos com a tese de que o cenário para 2027 contém riscos inflacionários e projeções acima do teto da banda. A continuidade no ciclo de cortes se justifica essencialmente pela comunicação do Banco Central, que pretende manter a taxa restritiva, mas gradualmente calibrar o seu nível. Caso não haja uma evolução mais positiva no cenário, entendemos que o Banco Central terá que interromper a calibração no futuro.
Avaliação do COPOM:
Cenário externo
Manteve praticamente inalterada a avaliação do cenário, em que destaca a incerteza elevada que envolve a indefinição sobre o conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços das commodities. Manteve também a avaliação dos reflexos dessa incerteza sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas, onde se pode ler uma referência ao Fed e à recente decisão de iniciar um ciclo de alta de juros.
Cenário doméstico - Atividade econômica Confirma a desaceleração antecipada para o 2º trimestre, ainda que mais intensa em componentes mais sensíveis ao ciclo econômico. Adicionou à ata um parágrafo em que avalia a evolução do mercado de crédito, que mostra desaceleração, em particular para modalidades de crédito livre de longo prazo, enquanto o crédito direcionado, tanto para pessoas físicas quanto para empresas, segue sustentado por crédito imobiliário e recursos de fundos garantidores, respectivamente.
Cenário doméstico - Mercado de trabalho Repete o parágrafo da última ata, em que chama a atenção para os níveis historicamente baixos da taxa de desemprego, mas ressalta a desaceleração observada na taxa de ocupação. Sobre os rendimentos médios, apesar da desaceleração observada na margem em termos nominais, seguem crescendo, em termos reais, acima da produtividade do trabalho.
Cenário doméstico – Fiscal Repete o parágrafo das últimas atas, no qual pontua o impacto da política fiscal no curto prazo, por meio de estímulos à demanda agregada, bem como sua dimensão estrutural, com efeitos sobre o prêmio a termo da curva de juros e a necessidade de uma política fiscal harmoniosa com a política monetária.
Balanço de Riscos Manteve, sem alterações, o parágrafo sobre o balanço de riscos da última ata, em que ressalta a sua assimetria altista.
Cenário doméstico – Inflação Chama a atenção para a desaceleração da inflação ao consumidor nas leituras recentes, tanto para o índice cheio quanto para as medidas subjacentes, mas que se mantém acima da meta. Para a inflação ao produtor, chama a atenção para a aceleração, tanto de bens intermediários quanto de bens de consumo. Repete, praticamente sem alterações, o parágrafo sobre expectativas de inflação.
Projeções de Inflação A projeção de inflação para o horizonte relevante, 1º tri de 2028, ficou estável em 3,2%. Já as projeções para os preços livres e administrados passaram de 3,1% e 3,5% para 3,2%.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)