Economistas fazem avaliações da Super Quarta no Brasil com o IBC-Br e a reunião do Copom
Veja mais
Publicado em
(Brasília-DF, 16/09/2026). Chegou à redação da Política Real, avaliações de economistas que atuam no mercado financeiro sobre a estimativa da reunião do Copom com taxa Selic ficando em 13,75% e com a queda do IBC-Br, a Prévia do PIB.
Veja algumas das avaliações com gente estimando o PIB em torno de 1,4% e 1,5%.
Confira as avaliações:
“A Super Quarta deve mostrar bancos centrais em direções opostas, já que o Fed tende a elevar os juros em 0,25 ponto, diante da persistência da inflação americana, enquanto o Copom deve cortar a Selic para 13,75%. No Brasil, a fraqueza recente do IBC-Br reforça que a atividade já sente de forma mais clara os efeitos da política monetária restritiva e dá suporte à continuidade dos cortes, embora sem espaço para uma aceleração muito agressiva. Mais importante que as decisões de hoje será a sinalização dos próximos passos. Um Fed mais duro pode fortalecer o dólar e pressionar os juros globais, limitando o espaço para cortes mais rápidos no Brasil. Já um Copom mais confiante na desaceleração da atividade, mas ainda cauteloso com inflação e risco externo, tende a favorecer fechamento da curva de juros e ativos domésticos mais sensíveis ao crédito”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“O Brasil entrou em uma fase em que a desaceleração da atividade começa a reorganizar o mercado de capitais. O IBC-Br de julho, com queda de 0,2%, e o carregamento negativo para o terceiro trimestre reforçam que a economia ainda está absorvendo os efeitos da política monetária restritiva. O cenário aponta para uma atividade mais fraca nos próximos meses, com possibilidade de menor dinamismo entre o fim de 2026 e o início de 2027, antes que o ciclo de redução dos juros produza efeitos mais amplos sobre investimentos e crédito. A transmissão da política monetária acontece primeiro nos mercados financeiros e depois chega à economia real. A curva de juros responde mais rapidamente, enquanto empresas e investidores levam mais tempo para ajustar suas decisões. A redução da Selic tende a melhorar gradualmente as condições de financiamento, mas uma retomada mais consistente dos investimentos também dependerá da confiança e da percepção de estabilidade. Para 2027, as projeções de crescimento ainda moderado mostram uma economia em processo de recuperação, enquanto o desempenho de 2028 dependerá, entre outros fatores, da capacidade de transformar melhores condições financeiras em investimento produtivo. No mercado de capitais, esse ambiente tende a ampliar a importância de estruturas financeiras eficientes. Fundos estruturados, crédito privado e veículos alternativos podem ganhar ainda mais relevância ao conectar investidores a diferentes oportunidades, com maior capacidade de análise e estruturação de risco. O cenário global também exige atenção, diante do custo de capital internacional e das incertezas sobre a trajetória dos juros americanos. Na Super Quarta, mais do que o movimento isolado das taxas, o mercado estará atento à sinalização do Fed e do Copom sobre o ritmo da política monetária nos próximos meses”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
“O principal desafio da economia brasileira para os próximos anos não será apenas reduzir juros, mas aumentar produtividade. O IBC-Br deixou um carregamento negativo de 0,7% para o terceiro trimestre, indicando que a atividade ainda deve passar por uma fase de acomodação antes de reagir. A projeção de crescimento próximo de 1% para o PIB de 2027 mostra que a redução da Selic, sozinha, não será suficiente para acelerar a economia. A taxa básica, atualmente em 14% ao ano, começa a entrar em um ciclo de flexibilização, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Super Quarta, levando a Selic para 13,75%. Porém, o efeito dos juros menores chega com defasagem à economia real. Primeiro aparecem nas curvas de financiamento e nas decisões de investimento; depois alcançam consumo, capital de giro e expansão das empresas. A melhora mais consistente deve acontecer ao longo de 2027, quando a redução acumulada dos juros começar a alterar as decisões empresariais. Nesse cenário, tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a ser um fator de crescimento. Com uma economia projetada para crescer cerca de 1% em 2027 e aproximadamente 1,8% em 2028, empresas precisarão criar novas fontes de eficiência e receita. Soluções financeiras integradas, automação e uso estratégico de dados serão fundamentais para aumentar produtividade e capturar oportunidades em um ambiente de crescimento mais moderado. A Super Quarta acontece em um momento em que o mundo ainda convive com juros elevados, petróleo pressionando custos e maior seletividade de capital. A decisão dos bancos centrais influencia o custo do dinheiro, mas o crescimento sustentável dependerá da capacidade das empresas de produzir mais com menos recursos”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.
“O ciclo atual reforça que qualidade de crédito será o principal fator de diferenciação nos próximos anos. O IBC-Br indica uma economia perdendo força e o carregamento negativo para o terceiro trimestre mostra que empresas ainda estão absorvendo os efeitos de um período prolongado de juros elevados. Mesmo com a redução da Selic, o mercado de crédito não volta imediatamente às condições anteriores. O primeiro movimento ocorre em empresas com melhor perfil de risco e maior previsibilidade financeira. Depois, conforme as condições melhoram, o crédito chega a uma parcela maior do mercado. A recuperação mais ampla deve acontecer gradualmente ao longo de 2027. O crescimento econômico dos próximos anos dependerá da capacidade das empresas de gerar caixa e investir com disciplina. Em um ambiente de crescimento mais moderado, análise de risco, tecnologia e acompanhamento próximo das operações ganham ainda mais importância. A projeção de PIB próximo de 1% em 2027 mostra que a retomada deve ser gradual, com possibilidade de melhora em 2028 caso haja redução sustentável do custo financeiro. Na Super Quarta, o mercado estará atento ao equilíbrio entre desaceleração doméstica e riscos externos. O Copom precisa avaliar o espaço para cortes diante de uma atividade mais fraca, enquanto o cenário internacional continua influenciado por juros americanos elevados, petróleo e inflação global”, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.
“O IBC-Br confirma que a economia entrou em uma fase mais clara de desaceleração. A atividade caiu pelo segundo mês consecutivo e julho veio abaixo do esperado. O carregamento negativo para o terceiro trimestre aumenta o risco de um PIB muito fraco na margem, mas ainda não vemos elementos suficientes para falar em recessão. O cenário é de crescimento baixo, com diferenças relevantes entre setores. Os efeitos da queda da Selic também não chegam imediatamente à economia real. Primeiro aparecem nas novas operações de melhor risco e na curva de financiamento; depois alcançam consumo, capital de giro e investimento. Para empresas mais alavancadas, o spread pode continuar elevado mesmo com a taxa básica caindo. A melhora mais perceptível do crédito deve ocorrer ao longo do primeiro semestre de 2027, quando a redução acumulada dos juros começar a aparecer com maior força nas condições financeiras. Para 2027, trabalhamos hoje com crescimento próximo de 1,4% a 1,5%. Para 2028, algo próximo de 1,8% parece razoável, condicionado à continuidade da desinflação e, principalmente, a um ambiente fiscal que permita juros menores. O risco é a economia chegar a 2027 ainda crescendo pouco e com custo de capital elevado. Na Super Quarta, o cenário mais provável é de movimentos em direções opostas: corte de 0,25 ponto no Brasil, levando a Selic para 13,75%, e alta de 0,25 ponto nos Estados Unidos. Essa combinação recomenda cautela. Juros americanos mais altos podem pressionar dólar, Treasuries e fluxos para emergentes, enquanto o Banco Central brasileiro precisa equilibrar uma atividade doméstica mais fraca com inflação e expectativas ainda acima do nível desejável. Por isso, mesmo com a economia desacelerando, esperamos que qualquer flexibilização adicional da Selic continue gradual”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.
“A economia brasileira está passando pelo momento em que a política monetária mais restritiva começa a aparecer com maior intensidade no crédito. O IBC-Br deixou um carregamento negativo de 0,7% para o terceiro trimestre e indica que a atividade ainda deve perder força antes de encontrar um ponto de estabilização. Isso acontece porque os juros altos continuam afetando contratos, financiamentos e decisões tomadas meses atrás. O corte da Selic não chega imediatamente para consumidores e empresas. Primeiro ocorre uma redução nas expectativas de juros futuros e nas novas operações de menor risco; depois, essa melhora começa a alcançar linhas mais amplas de crédito, capital de giro e financiamento de investimentos. A defasagem costuma levar alguns trimestres, e a melhora mais perceptível deve aparecer ao longo de 2027, quando a redução acumulada dos juros começar a alterar as condições financeiras. Para o PIB, o cenário aponta para um crescimento ainda moderado em 2027, próximo de 1%, com possibilidade de aceleração em 2028 caso haja recuperação da confiança e melhora do ambiente de crédito. O mercado imobiliário e empresarial depende menos de uma queda pontual da Selic e mais de previsibilidade para decisões de longo prazo. Na Super Quarta, o Banco Central brasileiro terá que equilibrar uma economia mais fraca com riscos externos, principalmente petróleo, câmbio e inflação global”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“O investidor brasileiro precisa analisar o ciclo doméstico dentro de um cenário global ainda marcado por juros elevados e uma mudança importante na dinâmica dos mercados. Enquanto o Brasil inicia uma discussão sobre redução da Selic, atualmente em 14% ao ano, diante da desaceleração da atividade, os Estados Unidos ainda enfrentam inflação resistente, petróleo elevado e custo de financiamento pressionado. O IBC-Br deixou um carregamento negativo de 0,7% para o terceiro trimestre, mostrando que a economia brasileira ainda deve atravessar uma fase de menor crescimento antes de reagir. Mesmo com a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual pelo Copom, levando a Selic para 13,75%, a política monetária atua com atraso. O impacto sobre crédito, consumo e investimentos deve aparecer gradualmente ao longo de 2027, enquanto uma recuperação mais consistente dependerá também do ambiente internacional. A diferença entre os ciclos brasileiro e americano será um dos principais fatores para os mercados nos próximos meses. Enquanto a expectativa é de uma Selic próxima de 12% em 2027 e 10,50% em 2028, os juros americanos continuarão sendo uma referência global para fluxo de capital e comportamento do dólar. Esse cenário reforça a importância da diversificação internacional, não apenas como proteção cambial, mas como acesso a diferentes oportunidades de crescimento. Na Super Quarta, o mercado deve acompanhar principalmente a mensagem dos bancos centrais. Mais importante do que o movimento imediato das taxas será entender a velocidade desse novo ciclo e como investidores devem posicionar suas carteiras em um ambiente de juros globais ainda elevados”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.
( da redação com informações de assesseria. Edição: Política Real)