31 de julho de 2025
JUSTIÇA EM CRISE

Pressionado por Fachin e PGR, André Mendonça libera todo o segredo do Dark Horse e os caso de Jaques Wagner aliado de Lula e Ciro Nogueira um dos chefes do Centrão

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Por Politica Real com agências
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André Mendonça sob pressão Foto: Arquivo da Política Real

Com agências

(Brasília-DF, 11/09/2026). Na noite deste sexta-feira, 11, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo sobre o inquérito 5.070, que investiga o financiamento do filme Dark Horse — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro que acabou se tornando parte das investigações sobre o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

O filme entrou na mira das autoridades depois da revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e atualmente candidato à Presidência, teve conversas com Vorcaro sobre a liberação de dinheiro para supostamente patrocinar a produção.

Na mesma decisão, Mendonça — que é relator do caso Master no STF — retirou o sigilo do inquérito 5.050.

Este trata das suspeitas em torno da relação do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, com o Master e Daniel Vorcaro. Wagner deixou a liderança do governo na Casa após as primeiras revelações do caso.

A decisão de Mendonça, que também retirou o sigilo de diversas outras peças e investigações relativas ao Master, foi feita após o presidente do STF, Edson Fachin, dar um prazo de 24 horas para Mendonça levantar o sigilo dos documentos vinculados ao caso, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os documentos, no entanto, ainda não foram disponibilizados publicamente no sistema do STF. A Corte explicou, via assessoria de imprensa, que o processo tecnológico para a divulgação demanda tempo e o sistema pode ficar congestionado.

Fachin solicitou o levantamento do sigilo "sem exceção, de todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556".

A pet 15.556 é a raiz da investigação do Master e consiste no núcleo original da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.

O documento se tornou pivô de uma "guerra civil" no Supremo pelo fato de envolver acusações contra parlamentares e o ministro Alexandre de Moraes.

 

Ao longo do dia, em uma "guerra de ofícios", Mendonça havia afirmado que não se poderia levantar o sigilo de todo o material sem comprometer investigações em andamento.

Por sua vez, Moraes acusou Mendonça de seletividade ao divulgar os documentos para proteger "determinado grupo político".

"O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvo predeterminados", escreveu.

"Não cabe ao Ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento. Reitero ao Excelentíssimo Presidente a necessidade de acesso integral, sob pena de grave ferimento ao princípio do devido processo legal, com a supressão ao Colegiado do conhecimento de 18 PETs e de 180 documentos existentes nas demais 13 PETs."

Em outro despacho, o presidente do STF solicitou que Mendonça se manifeste sobre um pedido do ministro Cristiano Zanin, que solicitou acesso à íntegra dos dados do celular de Daniel Vorcaro para permitir apreciação "completa e necessária".

Em resposta a esse pedido, Mendonça afirmou que o aparelho original está sob custódia da PF e que a cópia de segurança dos dados, entregue ao gabinete em um HD, permanece "lacrada e intocada".

Moraes, por sua vez, contestou o argumento. Em uma nova manifestação enviada a Fachin nesta noite, ele afirmou que o material está "acautelado no gabinete do Ministro Relator" e que o fato de estar lacrado "não é óbice para o compartilhamento".

Moraes também disse que o compartilhamento não oferece risco à preservação da cadeia de custódia do material original e pediu a "imediata disponibilização da íntegra da mídia apreendida".

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)