31 de julho de 2025
BRASIL/ESTADOS UNIDOS

Estados Unidos inclui Brasil e mais 40 países em lista que ajudam China a burlar tarifas

Veja mais

Por Politica Real com agências
Publicado em
Brasil China e Estados Unidos Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 14/08/2026) Nessa quinta-feira, 13, o governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que acusa de ajudarem a China a burlar tarifas de importação.

Pequim estaria fazendo isso ao enviar seus produtos para outros países para embalagem e montagem, uma prática conhecida como transbordo comercial (transshipping, em inglês), segundo relatório divulgado.

A tática teria surtido o efeito de maquiar as importações americanas provenientes da China, que apesar de terem diminuído à primeira vista, seguiriam ameaçando fábricas e empregos nos EUA e gerando perdas anuais bilionárias de arrecadação tributária.

"Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações", declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas.

Navarro, contudo, destacou que os problemas apontados dizem respeito principalmente a outras nações que facilitam a evasão das tarifas.

O relatório classifica os países em três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no "nível 2", classificado como "integração econômica significativa", ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.

Segundo a Casa Branca, esses países combinam volumes significativos de transbordo comercial com integração mais profunda com cadeias de abastecimento ligadas à China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos ou canais regionais de redirecionamento das mercadorias.

O Brasil, na qualidade de "importante plataforma regional de produção e logística", atuaria para simular a transformação de produtos para alterar sua origem declarada.

UE também foi enquadrada pela Casa Branca

Já o "nível 1", que reúne Canadá, União Europeia (UE), Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, faria o transbordo comercial dos "maiores volumes absolutos", com "risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos".

Especialistas observam há anos desvios nas cadeias de suprimentos envolvendo a China desde o primeiro mandato de Donald Trump na Presidência dos EUA, quando Washington e Pequim travaram uma guerra tarifária em 2018.

O governo chinês tem classificado sua relação com os Estados Unidos como uma de "estabilidade estratégica". Ainda assim, suas políticas de apoio às exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automotivo, metalúrgico e eletrônico nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e em outras regiões.

Navarro afirmou que outros países, como a Índia, também podem recorrer ao transbordo comercial para evitar novas tarifas. Segundo ele, os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump incluirão cláusulas para punir parceiros que adotarem essa prática.

( da redação com informações de agências e DW. Edição: Política Real)