31 de julho de 2025
ECONOMIA

Dados mostram que o fluxo de importação/exportação em julho de 2026 avançou em valor, apesar de comparado com o fluxo total visto em 2025 tem sido maior em volume

Veja o comparativo do ICOMEX

Por Política Real com assessoria
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FGV divulga o ICOMEX. Foto: FGV-IBRE

(Brasília-DF, 14/08/2026). Na manhã desta sexta-feira, 14, o FGV-IBRE divulgou o ICOMEX que mostra o Volume dos fluxos de comércio.   Volume dos fluxos de comércio recuam em julho, mas alta dos preços assegura melhora do superávit em relação a julho de 2025.

No mês de julho, os volumes exportados e importados recuaram em relação a igual período de 2025. No entanto, aumento nos preços asseguraram crescimento em valor dos fluxos de comércio e melhora no saldo comercial na comparação interanual do mês de julho.

Diversificar mercados e a pauta exportadora tem sido as principais recomendações de vários especialistas para mitigar os riscos associados às tensões geopolíticas e o efeito Trump. O gráfico da “contribuição” mostra o percentual da contribuição dos 5 principais produtos de exportação na variação absoluta em valor das exportações entre os meses de julho e entre o período de janeiro a julho, na comparação entre 2025 e 2026. Os cinco produtos explicaram 46,7% e 43,3% das exportações totais do Brasil, de janeiro a julho de 2026 e de 2025, respectivamente.

Na comparação do acumulado do ano, a principal contribuição é do petróleo (33,2%) seguido da soja (22,44%). Destaca-se também a contribuição da carne bovina. Em julho, carne bovina e minério de ferro registraram contribuições negativas e o petróleo, soja e óleo combustível contribuições positivas, sendo a do petróleo de 47,9%. Observa-se que o volume exportado de petróleo caiu 8,2%, mas os preços aumentaram 35,2%, o que levou a uma contribuição positiva. Como será analisado nesse ICOMEX, aumento de preços foi a marca do mês de julho.

Por regiões, a única que registrou aumento superior a um ponto percentual na participação da pauta de exportação foi a Ásia, que passou de 42,7% para 46,2%, puxada pela China (29,2% para 31,6%). A União Europeia passou de 14,4% para 14,5%, a América do Sul caiu de 12,1% para 11,2%. A Argentina registrou queda da sua participação de 5,4% para 4,0%. Há expectativas da conclusão de um acordo com o Canadá que responde por 2% das exportações do Brasil.

Diversificar mercados exige também aumentar o grau de diversificação da pauta.

A Balança Comercial de julho

O saldo da balança comercial de julho foi de US$ 7,1 bilhões levando a que o superávit acumulado no ano fosse de US$ 49,0 bilhões, US$ 11,8 bilhões superior ao de igual período de 2025. Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial, a China ganho de US$ 8,1 bilhões e a União Europeia de US$ 2,9 bilhões. Estados Unidos registrou aumento do déficit (de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões) e na Argentina, o superávit recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhões (Gráfico 2)

O desempenho por volume das exportações e importações para os principais mercados está descrito no Gráfico 3. Para as exportações, a comparação interanual do acumulado do ano até julho de 2025 e 2026 mostra a liderança do grupo “Demais Ásia” com aumento de 12,6%, seguido por “Demais América do Sul” com 8,8% e, por fim, China 7,6%. Para os Estados Unidos e a Argentina, as exportações recuaram em 16,0% e 20,3%, respectivamente, e o aumento para a União Europeia foi de 1,6%.

O aumento das exportações para a China foi liderado pelas vendas de petróleo bruto, variação de 59,9% na comparação do acumulado até julho e com participação de 26,2% na pauta total de exportação do Brasil para a China. O principal produto, a soja com participação de 35,3%, aumentou em 6,8% e o minério de ferro, o terceiro principal produto, participação de 15,6%, aumento de 5,6%. Destaca-se a variação de 31,0% nas vendas de carne bovina na comparação do acumulado no ano, mas que em julho recuaram em 39,6%. Essa queda é explicada pelo esgotamento e cumprimento das cotas de importação estabelecidas pela China. Dentro da cota a tarifa de importação é 12%, acima é de 55%.

A queda para os Estados Unidos atingiu os principais produtos exportados como o petróleo bruto e as semimanufaturas de ferro e aço. A carne bovina, que está isenta dos tarifaços, registrou aumento de 48,1%. Para a Argentina, o recuo foi liderado pelo setor automotivo, automóveis de passageiros, partes e peças, veículos rodoviários e transporte todos registraram queda nas exportações. A soma desses produtos explicou 36% do total exportado pelo Brasil para a Argentina.

No caso das importações, variações positivas foram registradas para a China, “Demais Ásia” e Argentina.  Estados Unidos e União Europeia registraram os maiores recuos na comparação interanual do acumulado do ano até julho

As exportações totais do Brasil aumentaram 6,2% e as importações em 7,6%, em valor, na comparação interanual do mês de julho entre 2025 e 2026. Entre os acumulados do ano até julho, em valor, os resultados foram 10,5% para as exportações e 5,5% para as importações. No acumulado do ano, a variação do volume de exportado foi positiva (2,8%), mas em julho o volume recuou em 4,0%. Os preços de exportação registraram variação de 10,7% e 7,1, na comparação mensal e do acumulado do ano até julho, respectivamente.

No caso das importações, foi registrada queda de volume na comparação do mensal e aumento de 0,2% na comparação interanual do acumulado do ano até julho. Os preços de importação aumentaram 8,0% e 5,2% na comparação mensal e do acumulado, respectivamente.

A variação no volume exportado das commodities é positivo no acumulado do ano (4,1%), mas negativo em julho (1,3%). As não commodities registraram variações inferiores às commodities e, em julho, recuaram 9,5%. As variações dos preços superaram a dos volumes para os dois grupos. Em julho, ambos os grupos registraram variações acima de 10%, conforme mostra o gráfico. A variação em valor no acumulado do ano para as commodities foi de 11,0% e das não commodities de 9,0% e na comparação interanual do mês de julho, as variações foram de 9,1% (commodities) e 0,7% (não commodities). Observa-se que mesmo com a queda no volume exportado das commodities e das não commodities, o aumento dos preços levou a uma variação positiva em valor.

Chama atenção o aumento nos preços de importação das commodities, percentual de 32,4%, em julho, e de 21,7%, na comparação do acumulado. Em contraste, os volumes importados recuam. Os preços das não commodities aumentam, mas com percentuais de 5,7% (julho) e 3,7% (acumulado). A variação em volume foi de 0,2%, em julho e 1,0%, no acumulado .

Na cesta de commodities exportada, os principais produtos que também são os principais produtos exportados pelo Brasil, registraram as seguintes participações na cesta do acumulado do ano até julho: soja em grão (24,9%); petróleo bruto (23,8%); e, minério de ferro (11,4%). Destacamos os resultados para o petróleo bruto e seus derivados.

O saldo da balança comercial de petróleo bruto no acumulado do ano até julho foi de US$28,6 bilhões e se incluirmos o déficit dos derivados de petróleo (US$ 3,6 bilhões), o valor de US$ 25 bilhões supera o saldo de todos os outros produtos da pauta, que foi de US$ 24,1 bilhões. No mesmo período em 2025, o saldo de petróleo e derivados foi de US$17,8 bilhões e dos outros produtos de US$ 19,4 bilhões.

Em julho, tanto para o petróleo como os derivados, os preços registram variações que vão de 29,3% (preço importado do petróleo bruto) até 41,7% (caso dos preços exportados de derivados). A variação do volume exportado foi positivo para o petróleo no acumulado do ano, mas negativa em julho. As vendas dos derivados de petróleo registraram variações positivas no volume, nas duas bases de comparação. O volume importado de derivados cai e de petróleo bruto cai no acumulado e aumenta em julho. A turbulência com o conflito no Oriente Médio, mesmo com o aumento dos preços importados, favoreceu a balança comercial do setor de petróleo.

Em julho, exceto a agropecuária, o volume exportado recuou na extrativa (queda do petróleo) e na transformação. No acumulado do ano até julho, todos registraram variações positivas, sendo a liderança da indústria extrativa com variação de 6,7% (aumento do petróleo). As variações de preços são positivas em todos os setores e nas duas bases de comparação. As maiores variações são registradas na extrativa associada aos movimentos externos que afetaram os preços do petróleo.

A variação no volume importado é negativa para a agropecuária e a extrativa na comparação do acumulado do ano até julho. Na transformação o aumento foi de 0,9%, o que sugere um baixo nível de atividade, pois a maior parte da importação do setor é de bens intermediários. Em julho, agropecuária e transformação recuam, mas aumenta a importações em volume da extrativa em 4,9%. As variações dos preços de importações são positivas, exceto apenas para o resultado do acumulado da agropecuária. As maiores variações de preços estão na indústria extrativa.

A variação do volume importado por categoria de uso da indústria de transformação na comparação do acumulado do ano registrou um aumento de 73,4% de bens duráveis. Como já mencionado em edições anteriores do ICOMEX, o resultado seria explicado pela antecipação de compras de carros elétricos, dado o aumento das tarifas de importações de carros elétricos previsto para 35%, em julho. Em julho observa-se uma desaceleração para 12,5%, após aumentos acima de 60% nos meses anteriores. A alíquota de 35% será mantida para os carros elétricos montados. No entanto, para veículos semidesmontados e desmontados, as regras serão mais flexíveis até janeiro de 2027. Não se espera um crescimento das importações similar ao ocorrido no primeiro semestre. O aumento das importações de bens duráveis aumentou a sua participação de 4,4% para 6,7% nas importações totais.

A maior participação é de bens intermediários, 61,5%, que recuou em volume tanto na comparação mensal como na do acumulado do ano. Em termos de valor, porém, houve aumento de 1,5% no acumulado do ano e de 4,5% em julho, pois os preços cresceram 8,6% (acumulado) e 15,4%, na comparação entre os meses de julho. O conflito no Irã com o fechamento do Estreito de Ormuz afetou não só o petróleo, mas de insumos para fertilizantes. A segunda maior participação é de bens de capital, 18,8%, com registro de um crescimento de 5,5% no acumulado até julho, mas melhora na comparação de julho, aumento de 12,5%.

O recuo nos bens intermediários e o crescimento abaixo de 10% dos bens de capital na comparação do acumulado do ano sugere um nível de atividade lento na indústria de transformação.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)