Lula se lança na sua setima disputa presidencial que poderá ser a disputa mais acirrada desde a redemocratização
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Com agências
(Brasília-DF, 02/08/2026). Neste domingo, 02, será realizada a Convenção Nacional do Partido do Trabalhadores (PT) que vai oficializar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva qual pela sétima vez irá disputar uma eleição presidencial, com 80 anos, e que pode ser a eleição mais disputada da história desde a redemocratização.
A convenção partidária, um rito exigido pelo Código Eleitoral, marca o início oficial de uma campanha centrada, novamente, em Lula e Bolsonaro, representado neste ano pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
As pesquisas mostram que, mesmo com uma campanha cheia de turbulências para Flávio Bolsonaro — com dificuldades para formar alianças, a briga com Michelle Bolsonaro, e seu nome atrelado ao escândalo do Banco Master — Lula não consegue se firmar num patamar confortável de intenções de voto.
A dois meses do primeiro turno, os levantamentos apontam que esta eleição pode ser ainda mais acirrada que a de 2022, quando a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) ficou em 1,8% dos votos válidos. Aquele havia sido o pleito mais disputado desde a redemocratização. Até o momento.
Hoje, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno é a menor se comparada ao mesmo período de 2002, quando o petista enfrentou José Serra (PSDB), e em 2006, contra Geraldo Alckmin (na época no PSDB), segundo levantamento realizado pelo agregador de pesquisas PollingData para a BBC News Brasil.
Até mesmo em 2022, quando Lula disputou com Jair Bolsonaro (PL) e não tinha a máquina na mão, o petista estava em uma posição mais confortável nas pesquisas do que agora.
A comparação foi realizada com base nas simulações de segundo turno, no mesmo período (fim de julho). Hoje, Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro (PL) 42%. Não só a distância entre o petista e seu principal rival é menor, como o percentual de intenções de voto é mais baixo em relação aos outros anos, quando o petista tinha entre 49% e 50% e seus oponentes entre 38% e 39%.
"Olhando para os dados, dá a impressão de que essa vai ser a disputa mais apertada da história", afirma Neale El-Dash, fundador do PollingData. "Em todas as disputas eleitorais neste momento, Lula tinha uma vantagem de 11, 12 pontos, e desta vez ele tem uma vantagem de 4 pontos."
Ele explica, no entanto, que outros dados são importantes para fazer essa leitura. "A simulação de 2º turno é interessante, conta uma história, mas a aprovação do presidente que está no cargo é um dos fatores mais importantes para aumentar a chance de ele ser reeleito", diz.
El-Dash ressalta que o índice de aprovação do presidente em exercício exerce influência direta nas chances de ele ser reeleito ou não. "Estatisticamente falando, a partir de 40% de aprovação, as chances de vitória são de 50%."
Neste mesmo período em 2022, 38% aprovavam o governo de Jair Bolsonaro, segundo o PollingData. "Mas chegando próximo do dia da eleição, ele chegou a 45% de aprovação e ficou competitivo", diz.
Naquele momento, pesava sobre o ex-presidente — o primeiro na história da redemocratização que não conseguiu se reeleger — a má condução da pandemia de coronavírus. Por isso, a dois meses do primeiro turno, Bolsonaro sancionou diversas medidas para injetar dinheiro na conta de brasileiros por meio de auxílios sociais, no que ficou conhecido como "pacote das bondades".
Ele aumentou o valor do Auxílio Brasil, autorizou empréstimo consignado para quem recebia o benefício, reduziu o ICMS e concedeu um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros e taxistas.
Assim, o governo Bolsonaro saiu de 38% de aprovação no fim de julho para 40% no fim de agosto, permanecendo estável durante todo o mês de setembro, e atingiu 45% no fim de outubro.
Agora, em um esforço para melhorar sua aprovação, o governo Lula também lançou mão de políticas para estimular a economia, como a redução do imposto de renda para a classe média.
Turbinou programas sociais como o Gás do Povo e Luz do Povo, criou linhas de crédito para entregadores e reeditou o Desenrola, para a negociação de dívidas.
No entanto, do começo do ano para cá, a aprovação de seu governo aumentou pouca coisa, saindo de 45%, no início de fevereiro, para 47% agora.
"Se Lula não conseguir subir essa aprovação, talvez de fato seja a eleição mais disputada da história", afirma El-Dash.
( da redação com BBC News. Edição: Política Real)