Crédito de junho, segundo Banco Central, revela que o crédito livre às famílias, a taxa média de juros situou-se em 64,0% e o endividamento das famílias situou-se em 49,8%
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(Brasília-DF, 30/07/2026) O Banco Central divulgou na manhã desta quinta-feira, 30, o seu Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até junho de 2026.
Em junho, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$21,7 trilhões (164,3% do PIB), com avanço mensal de 0,9%. Esse resultado refletiu, principalmente, os aumentos em títulos públicos (0,7%), empréstimos do SFN (0,6%) e empréstimos externos (2,3%). Estes últimos refletiram o impacto da depreciação cambial no mês (2,37%). Em doze meses, houve crescimento de 11,9%, destacando-se as elevações em títulos públicos (15,0%), empréstimos do SFN (9,4%) e títulos privados de dívida (16,0%).
O crédito ampliado às empresas atingiu R$7,2 trilhões em junho (54,7% do PIB), com crescimento de 1,4%, resultado das elevações nos saldos dos empréstimos externos (2,4%), dos empréstimos do SFN (1,1%) e dos títulos privados de dívida (1,0%). Em doze meses, a expansão de 8,2% foi impulsionada pelo incremento nos títulos de dívida (14,2%) e nos empréstimos do SFN (7,1%).
Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)
O saldo total das operações de crédito do SFN somou R$7,4 trilhões em junho, avanço de 0,7% no mês, com incrementos de 1,5% nas operações com pessoas jurídicas e de 0,2% nas com pessoas físicas, que totalizaram R$2,7 trilhões e R$4,6 trilhões, na ordem. Em doze meses, o crédito total aumentou 9,7% (ante 9,6% nos doze meses até maio), com altas de 7,9% no crédito às pessoas jurídicas (6,9% no mês anterior) e de 10,8% às pessoas físicas (11,2% no mês anterior).
O crédito com recursos livres alcançou R$4,2 trilhões em junho, com elevações de 0,7% no mês e de 7,5% em doze meses. No crédito livre às empresas, o saldo da carteira cresceu 1,9% no mês e 2,2% em doze meses, somando R$1,6 trilhão. Foram determinantes para esse desempenho as elevações nas operações de desconto de duplicatas e outros recebíveis, influenciadas por fatores sazonais. O crédito livre às famílias alcançou R$2,5 trilhões, com redução de 0,1% no mês e alta de 11,2% em doze meses, sendo determinantes as reduções das carteiras de aquisição de veículos e de credito pessoal não consignado sem garantias reais.
As concessões totais com ajuste sazonal registraram expansão de 0,4% no mês, com aumento de 1,4% nas operações com pessoas jurídicas e diminuição de 0,2% nas operações com pessoas físicas.
A taxa média de juros das concessões alcançou 33,4% a.a. em junho, com incrementos de 0,2 p.p. no mês e de 1,5 p.p. em doze meses. O spread bancário manteve-se estável em junho e avançou 1,1 p.p. em doze meses, situando-se em 21,9 p.p.
A taxa média de juros do crédito livre situou-se em 49,8% a.a., com altas de 0,5 p.p. no mês e de 3,7 p.p. em doze meses. No crédito livre para empresas, a taxa média recuou 0,5 p.p. no mês e aumentou 0,1 p.p. em doze meses, atingindo 24,4% a.a. Prevaleceu o efeito da elevação das taxas de juros (efeito taxa), com destaque para a redução nas taxas médias de capital de giro com prazo superior a 365 dias (-1,4 p.p.).
No crédito livre às famílias, a taxa média de juros situou-se em 64,0% a.a., com acréscimos de 1,2 p.p. no mês e de 4,6 p.p. em doze meses, prevalecendo o efeito da variação das taxas (efeito taxa) em junho. Destacou-se o aumento da taxa média de crédito pessoal não consignado total (+7,0 p.p.).
A inadimplência da carteira de crédito total do SFN situou-se em 4,7%, permanecendo estável no mês, com elevação de 1,0 p.p. em doze meses. Nas operações com pessoas jurídicas e com pessoas físicas, a inadimplência permaneceu estável no mês, situando-se em 3,2% e 5,6%, respectivamente. Em doze meses, a inadimplência dessas carteiras aumentou 0,5 p.p. e 1,2 p.p., na mesma ordem.
No segmento de crédito com recursos livres, a inadimplência manteve-se em 6,2% do total da carteira, estável no mês e com elevação de 0,9 p.p. em doze meses. Por segmento, o percentual de inadimplência às empresas recuou 0,1 p.p. no mês e subiu 0,5 p.p. em doze meses, situando-se em 4,0%, enquanto para famílias esse indicador manteve-se estável no mês e avançou 1,1 p.p. em doze meses, permanecendo em 7,6%.
O endividamento das famílias situou-se em 49,8% em maio, com redução de 0,1 p.p. no mês e elevação de 0,9 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda aumentou 0,1 p.p. em maio, na comparação com abril, e 1,3 p.p em doze meses, situando-se em 28,5%.
Agregados monetários
A base monetária somou R$431,1 bilhões em junho, aumento de 0,8% no mês e recuo de 4,4% em doze meses. No mês, o volume de papel-moeda em circulação aumentou 1,7%, enquanto as reservas bancárias encolheram 5,8%.
Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacou-se o impacto expansionista das operações do Tesouro Nacional, de R$60,9 bilhões. As operações com títulos públicos federais sobressaíram no sentido contracionista, com impacto de R$55,2 bilhões.
Os meios de pagamento restritos (M1) atingiram R$662,8 bilhões, crescimento de 1,8% no mês, decorrente das elevações de 1,7% no papel-moeda em poder do público e de 1,9%, em depósitos à vista. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 cresceu 0,5%.
O M2 registrou expansão de 0,5% em junho, totalizando R$7,6 trilhões, refletindo a elevação de 1,8% do M1 e de 0,6% dos depósitos a prazo (R$ 3,9 trilhões).
O M3 cresceu 0,5% no mês, totalizando R$13,9 trilhões, resultado de elevações no M2 (0,5%), nas operações compromissadas com títulos privados (14,8%) e nas quotas de fundos monetários (0,3%), bem como do recuo nas operações compromissadas com títulos públicos (7,0%). O M4 avançou 1,2% no mês e 12,3% em 12 meses, totalizando 15,7 trilhões.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)