São Paulo vive o feriado do 9 de julho maior conflito militar do país no século 20 com base na questão constitucional; entenda mais o feriado que para o maior e mais populoso Estado do Brasil
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Com agências
(Brasília-DF, 09/07/2026). O dia 9 de julho é feriado, apenas no Estado de São Paulo, desde 1997. E muitos ainda não fazem ideia do motivo. Afinal, o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932?
Foi um movimento armado, que resultou da revolta generalizada no Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, que assumira o poder em 1930 com um golpe de Estado, derrubando o então presidente Washington Luís e impedindo a posse de seu sucessor.
Vargas reduziu a autonomia dos Estados do país e indicava interventores para governá-los segundo seus interesses.
Com o apoio de grupos econômicos e políticos locais, o levante — que resultou no maior conflito militar do país no século 20 — teve início em 9 de julho de 1932 e terminou com a rendição do Exército Constitucionalista em 2 de outubro.
Seu estopim foram as mortes de quatro jovens paulistas por tropas getulistas durante uma manifestação no Centro de São Paulo, no dia 23 de maio.
Os confrontos entre constitucionalistas e tropas enviadas por Getúlio — que conseguiu articular uma resposta militar com apoio de todos os demais Estados, exceto Mato Grosso —, no interior do Estado e na capital, deixaram 934 mortos, entre eles, 634 constitucionalistas.
Locais com a cara do 9 de julho em São Paulo
O túnel que liga Cruzeiro (SP) a Passa Quatro (MG) foi palco de um confronto durante a Revolução Constitucionalista, que durou três meses, entre julho e outubro de 1932. Esse trecho ferroviário é um dos pontos de visitação destacados pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), que remetem ao momento histórico. São trincheiras, museus, monumentos e memoriais, todos dedicados à memória dos combatentes, onde mapas, fotos de época, armas, canhões e veículos conduzem estudantes, moradores e turistas ao passado.
São Paulo
Na capital, epicentro do movimento de 1932, o Obelisco do Ibirapuera é considerado o maior símbolo da Revolução paulista. Com 72 metros de altura e projetado pelo escultor Galileo Ugo Emendabili, o Obelisco é um mausoléu feito em mármore travertino que faz a guarda de restos mortais de centenas de heróis, o que inclui os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (que deram origem à sigla M.M.D.C.), além do poeta Guilherme de Almeida e outras figuras icônicas de 1932. A visitação é gratuita, de terça a domingo (das 8h às 17h). O Obelisco foi inaugurado em 9 de julho de 1955.
Em São Paulo, o Museu da Polícia Militar, na Luz, abriga um acervo com fardas utilizadas durante os combates de 1932. O Museu fica na R. Dr. Jorge Miranda, 308, aberto de terça a domingo, das 10h às 18h.
No centro, na Rua Álvares Penteado, 23, está o Edifício Ouro Para o Bem de São Paulo, em estilo art déco e construído com doações das alianças de casamento das senhoras paulistas, cuja campanha de arrecadação visava obter fundos para manter a Revolução. A fachada representa a bandeira paulista e os andares representam as 13 listras do símbolo de São Paulo.
Cruzeiro
Conhecida como a capital da Revolução de 1932, Cruzeiro (a 216 km de São Paulo) localiza-se no Vale do Paraíba e programou eventos para todo o mês de julho em comemoração desde sexta-feira (3). A cidade foi cenário de combates sangrentos (principalmente no Túnel da Mantiqueira, na divisa com Minas) e foi em Cruzeiro a assinatura do armistício, com a rendição das tropas de São Paulo. Outro local de turismo cívico local é o Mirante do Belvedere da Santa, onde ocorrem eventos que relembram a Revolução.
A programação oficial começou no dia 3, no Teatro Capitólio, com solenidades de abertura do mês da Revolução 1932, entregas de honrarias e o tradicional passeio do Trem Expresso da Mantiqueira, com homenagens a ex-combatentes. O Memorial de 1932 (R. Av. Major Novaes, 126, no Centro) reúne mais de 300 itens, incluindo armas, artefatos, cartas e documentos da época, funciona no prédio histórico Dr. Arnolfo de Azevedo (onde foi assinado o armistício), com horários de segunda a sexta, das 9h às 17h e sábados, das 9h às 13h.
Campinas
O escoteiro campinense Aldo Chioratto, de 9 anos, era mensageiro para as tropas de São Paulo, quando morreu vítima de bombardeios inimigos. Seus restos foram transferidos para o Obelisco do Ibirapuera. Campinas (a 94 km de São Paulo) enviou cerca de 2 mil soldados para os combates e sua malha ferroviária abastecia as tropas paulistas. A cidade sofreu intensos bombardeios pelos aviões de Getúlio Vargas, em setembro de 1932. Anualmente, é celebrado na cidade o 9 de julho no Mausoléu de 1932, no Cemitério da Saudade (Pr. Voluntários de 32, no bairro Swift).
São João da Boa Vista
Base militar para as tropas paulistas durante a Revolução de 1932, São João da Boa Vista (a 216 km da capital) foi palco de batalhas e abrigou destacamentos que permaneceram invictos. A célebre professora primária Maria Stela Rosa Sguassábia foi a única mulher a lutar nas trincheiras, morrendo em combate. A população local ajudou com ações voluntárias, confecção de fardas e logística. Atualmente, a memória de 1932 encontra-se no Mausoléu da Revolução de 1932, no Cemitério São João Batista (R. da Saudade, 106, na Vila Conrado).
Apiaí
A 317 km de São Paulo, no Alto Vale do Ribeira, o centro de Apiaí foi palco de intensos combates contra as forças de Getúlio Vargas, em 1932. A Cadeia municipal foi utilizada como cárcere. O prédio do hospital, que recebia soldados feridos, hoje é a Casa do Artesão (o Museu de Cerâmica de Apiaí, na Praça Jonas Batista, número 9, no Centro). Alguns combatentes foram ali enterrados.
Irmão x irmão
De julho a outubro de 1932, os 87 dias de conflito da Revolução Constitucionalista tomaram as mentes e os corações dos paulistas de todos os cantos do estado. Hoje, o turista pode visitar equipamentos como o bunker utilizado pelos soldados em Mogi Mirim (a 153 km de São Paulo), na região leste paulista ou percorrer a pé o promontório onde está situada a Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande (a 77 km da capital), no litoral sul, que sofreu um bombardeio aéreo histórico, de hidroaviões Savoia-Marchetti S.55, das forças aéreas legalistas, em 15 de setembro daquele ano. A única vítima fatal das bombas foi uma baleia grávida.
( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)