Flávio Bolsonaro, em fala de cinco minutos no USTR, pediu que não se aplique as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e “cancelem esta medida para que possamos negociar”
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Com agências.
(Brasília-DF, 07/07/2026) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), falou por cinco minutos nesta terça-feira ,7, em audiência do governo americano, para tentar impedir a imposição de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil.
Representantes do setor privado do Brasil e dos Estados Unidos estão em Washington nesta semana para apresentar seus argumentos contra ou a favor da medida.
Ao discursar para autoridades americanas, Flávio solicitou que os membros da Comissão responsável por analisar o tema "não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar", divulgou sua assessoria.
Os Estados Unidos estudam impor novas tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros, com o argumento de que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".
Em sua fala na audiência, Flávio defendeu o sistema brasileiro.
"O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal", disse Flávio, segundo sua assessoria.
"Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do Pix, uma vez que essas empresas prestam serviços que se complementam, e não competem com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos", reforçou.
Flavio Bolsonaro disse que os dados de 2025 mostraram que as tarifas de 50% impostas ao Brasil no ano passado, que permaneceram em vigor durante vários meses, não produziram os resultados pretendidos pelos Estados Unidos.
"Em vez disso, elas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões", ressaltou.
O senador lembrou ainda que o Brasil terá eleições presidenciais em outubro, e "o cenário político vai estar diferente em 90 dias".
"Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir", disse.
O que é a seção 301
A investigação comercial, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), tem como base a chamada seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974.
Esse instrumento pode ser usado para apurar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.
No caso brasileiro, são alvo as áreas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
No mês passado, ao concluir sua investigação, o USTR disse que certas práticas do governo brasileiro seriam "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio dos EUA e recomendou tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Ao mesmo tempo, foi divulgada uma lista de diversos itens que seriam excluídos da punição. Nessa lista estão, entre outros, carne bovina, suco de laranja e aeronaves.
O dia 15 de julho marca o final do prazo para que o governo americano, após ouvir as manifestações durante audiência pública, decida se vai seguir a recomendação do USTR e realmente adotar as novas medidas.
O Brasil também é alvo de uma segunda investigação do USTR, que tem como foco alegações de trabalho forçado, engloba mais de 50 países e poderá resultar em tarifas adicionais de 12,5% a produtos brasileiros.
( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)