ESPECIAL: 'Seleção brasileira virou uma marca em vez de um time?', questiona jornal britânico; veja parte da repercussão internacional do fim da participação do Brasil na Copa do Mundo
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por agência
A derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026 levantou questionamentos sobre o futebol brasileiro em artigos publicados por jornais e sites no exterior. A seleção foi eliminada no domingo (05/07) ao ser derrotada por 2 a 1 pelos noruegueses em Nova Jersey (EUA).
O jornal britânico The Guardian publicou um artigo intitulado: "A eliminação do Brasil na Copa do Mundo levanta uma questão: será que eles são mais uma marca do que um time?"
No texto, o jornalista Leander Schaerlaeckens diz que a Noruega fez por merecer a vaga conquistada nas quartas de final, e que a vitória sobre o Brasil não foi uma zebra.
"Isso deixa sem uma resposta clara — e de forma frustrante — a questão de saber se o Brasil é mais uma marca do que um time", escreve.
"A seleção continua sendo a referência máxima no futebol internacional em termos de alto astral, simpatia global e, claro, história. No entanto, já faz bastante tempo que a equipe não faz jus aos seus próprios padrões elevados."
"O título da Copa América de 2019 — o primeiro em doze anos — foi precedido e sucedido por três fracassos consecutivos em sequer chegar às semifinais da Copa do Mundo. E a última semifinal que disputaram também não foi lá muito brilhante", escreve, em referência ao 7 a 1 sofrido para a Alemanha na Copa de 2014.
O jornalista escreve no Guardian que o conjunto brasileiro era "decididamente mediano" e que teve postura "indecisa" e "reativa" na Copa.
"O Brasil levou uma equipe incompleta para a América do Norte. Endrick, aos 19 anos, não estava pronto para esse palco e, por isso, o Brasil careceu de um centroavante que desse conta do recado. O meio-campo dependia de pernas cansadas e de uma criatividade apenas mediana", escreve o jornal.
Outros veículos de imprensa também repercutiram a derrota brasileira.
O jornal espanhol El País publicou um artigo intitulado: "O martelo viking de Haaland destrói o Brasil de Ancelotti".
"Primeiro vieram as defesas de Nyland, incluindo uma defesa de pênalti contra Bruno Guimarães, e depois o ataque implacável de Haaland liquidou o Brasil de Carlo Ancelotti. Dois chutes, dois gols", escreve o jornal espanhol.
"O norueguês foi um monstro na área, com a cabeça e com os pés. Dois chutes e dois gols históricos."
"O plano do italiano de construir um time competitivo no contra-ataque terminou nas oitavas de final. A eficiência e o pragmatismo que ele buscava foram personificados por Haaland em vez de Vinicius."
O jornal diz que o pênalti de Neymar no último minuto do jogo foi o ato final de "uma seleção brasileira com o menor número de estrelas em sua história".
O jornal francês Le Monde destacou que "um Brasil em declínio" foi eliminado "por uma Noruega pragmática".
"O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo no domingo, em Nova Jersey, e não foi uma façanha da Noruega, que se mostrou mais pragmática do que brilhante, mas simplesmente o resultado lógico do declínio da seleção mais vitoriosa da história, que não chegará às quartas de final pela primeira vez desde 1990", escreveu o jornal.
Segundo o Le Monde, o gol de consolação de Neymar "pareceu quase um detalhe", já que "este Brasil não demonstrou condições de ir mais longe".
A revista alemã Der Spiegel escreveu um artigo intitulado: "Uma era está chegando ao fim no Brasil. E isso é algo bom".
"O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo mais cedo do que em qualquer outro momento nos últimos 36 anos. Neymar chorou amargamente e deixou a seleção. Essa é uma boa notícia para a Seleção", escreveu a revista, em um artigo que analisa a renovação que o Brasil terá de fazer após a Copa.
O tabloide britânico The Sun destacou um gesto de Vini Jr, que interrompeu uma entrevista do atacante norueguês Haaland para parabenizá-lo.
"Foi um gesto de muita classe, vindo de alguém que certamente estava sofrendo após a eliminação de seu país da Copa do Mundo", escreveu o jornal.
'Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola?'
Logo após a partida, diversos sites pelo mundo noticiaram a eliminação da seleção brasileira lamentando o desaparecimento da magia que o Brasil proporcionava em outras épocas.
O jornal argentino Olé, conhecido pelas provocações ao Brasil, destacou uma análise em que aponta o fim de um estilo tipicamente brasileiro de jogar futebol.
"Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola? Daquele time que cultuava a boa técnica? Das associações criativas e cheias de fantasia? Do futebol total como religião? A modernidade levou tudo isso embora, e esta Seleção joga, vence e perde com uma outra fórmula", diz texto de Diego Macias.
"A recompensa da Noruega foi continuar tentando, sem se prender na defesa, trocar passes e trocar passes. Exatamente como manda a tradição do... Brasil."
A Gazzetta dello Sport, da Itália, disse que nem mesmo Carlo Ancelotti "conseguiu fazer o milagre — o que já diz muito, tratando-se do técnico mais vencedor que existe".
"A era de Ronaldo e Ronaldinho acabou: existe apenas Vinicius."
O jornal disse que "as três maiores seleções históricas são também as grandes decadentes do momento: Brasil, Alemanha e Itália".
Os alemães caíram nas fase 16 Avos para o Paraguai e também foram eliminados nas primeiras fases nas duas Copas anteriores.
O caso da Itália é mais dramático: a tetracampeã não consegue se classificar nas eliminatórias por três Copas consecutivas.
O português A Bola destacou "Schjelderup e Haaland deixam o Brasil lavado em lágrimas", em referência ao reserva que ajudou na classificação norueguesa ao lado do atacante famoso.
O jornal lembra que a seleção estabeleceu um recorde negativo: pela primeira vez na história, Brasil fica seis edições de Copa sem ganhar um título (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).
O Athletic, o site de esportes do New York Times, perguntou no título da reportagem: "O que deu errado para o Brasil?".
O site esportivo lembra que essa é a pior campanha do Brasil desde a Copa de 1990 na Itália, quando a seleção caiu nas oitavas de final.
O espanhol Marca disse que foi um "triste adeus dos brasileiros à Copa do Mundo. Glória aos surpreendentes vikings de Erling "o Brutal" Haaland. Um atacante destinado a dominar o mundo".
( da redação com BBC. Edição: Política Real)