31 de julho de 2025
ESTaDOS UNIDOS

Suprema Corte diz que Donald Trump poderá demitir chefes de agências, mas também diz que ele não pode demitir no FED

Veja mais

Por Politica Real com agências
Publicado em
Suprema Corte decidiu Foto: Arquivo da Política Real

Com agências

(Brasília-DF, 29/06/2026)   Nesta segunda-feira, a Suprema Corte dos EUA ampliou significativamente o poder presidencial ao decidir validar as demissões, realizadas pelo presidente Donald Trump, de chefes de agências federais independentes.

No entanto, a mais alta corte manteve-se firme contra a decisão dele de demitir uma integrante da diretoria do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.

Em uma série de decisões, a Corte votou (por 5 votos a 4) contra a demissão da diretora do Fed, Lisa Cook, pretendida por Trump.

Contudo, o tribunal decidiu que os presidentes têm liberdade para demitir chefes de agências a seu critério, revertendo uma decisão histórica de quase um século atrás. A Corte validou a demissão, por parte de Trump, da integrante da Comissão Federal de Comércio (FTC), Rebecca Slaughter, motivada por divergências políticas.

O que sabemos sobre a decisão da Suprema Corte a respeito da demissão de Cook?

Em agosto passado, Trump tentou remover Cook — a primeira mulher negra a integrar a diretoria do Fed — citando alegações não comprovadas de fraude em hipotecas, as quais ela negou. Cook argumentou que as acusações eram um pretexto para removê-la do cargo devido a divergências sobre política monetária.

Trump tem atacado abertamente o Federal Reserve, pressionando o maior banco central do mundo a reduzir as taxas de juros de forma mais rápida e acentuada.

Na segunda-feira, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, e o também juiz conservador Brett Kavanaugh estavam entre os que decidiram contra a medida de Trump.

Roberts afirmou que os diretores do Federal Reserve "não servem à discrição do presidente; em vez disso, cumprem mandatos escalonados de 14 anos e só podem ser removidos 'por justa causa'".

A Corte argumentou que o presidente não pode remover autoridades do Fed — uma instituição independente — "por qualquer motivo ou sem motivo algum".

O que a Suprema Corte decidiu sobre os poderes de demissão de Trump?

No entanto, em uma decisão separada tomada por 6 votos a 3, a Corte apoiou a demissão, por parte de Trump, de Slaughter — membro democrata da Comissão Federal de Comércio (FTC) —, ampliando seus poderes presidenciais sobre o Poder Executivo.

A decisão reverteu um precedente de 1935 da Suprema Corte que reconhecia a autoridade do Congresso para proteger dirigentes de certas agências reguladoras contra a destituição arbitrária pelo presidente.

Trump havia demitido Slaughter devido a divergências políticas, mas uma decisão de instância inferior barrou a demissão, citando o julgamento de 1935 conhecido como caso *Humphrey's Executor*.

Slaughter foi nomeada para o cargo pelo ex-presidente Joe Biden, também democrata. Ela foi uma das duas integrantes democratas da FTC demitidas por Trump logo após seu retorno à Casa Branca, no ano passado. Seu mandato deveria se estender até 2029.

Trump celebra uma decisão e critica a outra

Trump saudou a decisão sobre o caso Slaughter como uma "GRANDE VITÓRIA". Ele afirmou nas redes sociais que a decisão "confirmava o poder presidencial em nosso país para remover autoridades do Poder Executivo e nomeados ou representantes de agências, nos termos do Artigo II" — o dispositivo constitucional que estabelece os poderes presidenciais.

"Essa decisão era há muito buscada por presidentes dos Estados Unidos, remontando à década de 1930", escreveu Trump, classificando-a como "uma das mais importantes já proferidas em relação aos poderes presidenciais".

Enquanto isso, o tom dele mudou drasticamente ao abordar a decisão sobre Cook.

"Tomaremos medidas cabíveis imediatamente para garantir que alguém que cometeu irregularidades não tome decisões vitais referentes ao bem-estar dos Estados Unidos da América!", disse Trump em uma publicação nas redes sociais, classificando a decisão da Suprema Corte como "estritamente processual".

( da redação com informações da DW, AFP, AP. Edição: Política Real)