31 de julho de 2025
RUSSIA/UCRÂNIA

Ucrânia faz um dos maiores ataques com drones desde o início da guerra; refinaria em Moscou atingida e mais de 500 vôos foram impactados

Moscou não era alvo de ataques e agora ficou comum

Por Politica Real com agências
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Imagens de ataques de drones em Moscou, hoje Foto: X Mavie

Com agências

(Brasília-DF, 18/06/2026). Nesta quinta-feira, 18, a Ucrânia fez um dos maiores ataques com drones desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, dizem autoridades.

A Ucrânia atingiu uma grande refinaria de petróleo em Moscoupela segunda vez nesta semana, lançando enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital e interrompendo voos em seus aeroportos.

Uma fumaça densa e negra, acompanhada por chamas esporádicas, saía da Refinaria de Petróleo de Moscou, situada na zona sudeste da cidade, a cerca de 15 quilômetros do Kremlin. Um vídeo registrou um enorme tanque de combustível sendo lançado vários metros nos ares. Outro, mostrou um prédio sendo atingido, com defesas antiaéreas claramente não dando conta de abater os drones.

A refinaria é uma das maiores da Rússia, segundo seu site oficial, e produz mais de um terço do combustível da região de Moscou. Ela foi atacada por drones ucranianos pela última vez na terça-feira, sofrendo um incêndio, mas as autoridades informaram que as chamas foram rapidamente controladas.

O prefeito da capital russa, Sergey Sobyanin, comunicou que os destroços de um drone abatido caíram sobre um shopping center adjacente ao grande polo industrial onde ficam as refinarias de Kapotnia.

A dimensão do ataque pegou muitos moscovitas de surpresa na cidade, cujas autoridades não costumam alertar os moradores com sirenes de ataque aéreo. Nas redes sociais, vários habitantes expressaram choque e preocupação, enquanto apoiadores do regime russo pediram vingança contra os ucranianos.

Ataques de drones em Moscou agora são comuns

Mais de 520 voos impactados

Mais de 520 voos foram cancelados ou adiados nesta quinta-feira nos aeroportos da capital russa e arredores, segundo informou a imprensa local.

De acordo com o canal pró-governo do Telegram Shot, apenas no aeroporto de Sheremetyevo, o maior da Rússia, foram cancelados mais de 110 voos e adiados cerca de 150.

A companhia aérea Aeroflot pediu aos passageiros que não compareçam aos aeroportos se seus voos tiverem sido cancelados, a fim de evitar aglomerações nas instalações até novo aviso das autoridades aeroportuárias.

Como consequência do ataque em massa, 17 pessoas ficaram feridas na região de Moscou, incluindo três menores de idade, de acordo com dados oficiais.

Maior ataque a Moscou em dois anos

O prefeito estimou em mais de 190 o número de drones derrubados na noite passada que tinham a capital russa como alvo. Segundo a agência de notícias estatal russa Tass, isso torna a ofensiva o maior ataque sofrido por Moscou em dois anos.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, confirmou a autoria do ataque em sua conta no X diretamente de Bruxelas – para onde viajou após participar da cúpula do G7 em Évian, na França, a fim de se reunir com os líderes belgas e os representantes máximos da Otan.

"Na madrugada passada, nossas ações de longa distância atingiram novamente a região de Moscou. Pela segunda vez nesta semana, a refinaria de petróleo de Moscou foi atingida", escreveu Zelenski, que publicou junto à mensagem um vídeo mostrando a instalação em chamas e coberta por uma espessa camada de fumaça.

O líder ucraniano afirmou que o ataque foi uma "resposta absolutamente justificada" aos ataques letais contra Kiev – incluindo uma investida, no início desta semana, contra uma catedral emblemática e um mosteiro do século 11 protegido pela Unesco.

Ele queria que os russos culpassem (o presidente russo, Vladimir) Putin pelas consequências da pior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

"O mais importante é que o povo da Rússia comece a sentir que é um único homem, Putin, quem está travando esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço por tudo", disse Zelenski a repórteres.

De acordo com o Estado-Maior da Ucrânia, foram registrados cinco incêndios distintos nas instalações da refinaria, especificamente em várias unidades de processamento de petróleo e em uma área de armazenamento.

Novo constrangimento para Putin

Ainda do lado ucraniano, as autoridades destacaram que as ofensivas na região agora são a norma. "Agora isso é a normalidade porque Putin não quer acabar com a guerra. A refinaria em Moscou e tanques ardem, todo o céu está coberto de fumaça negra", escreveu o responsável pelo combate à desinformação do Conselho de Segurança da Ucrânia, Andriy Kovalenko, no Telegram.

O governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov, alertou sobre danos em outras infraestruturas do território que circunda a capital.

Moscou, que era inatingível para as forças ucranianas nas primeiras fases do conflito, tornou-se um alvo habitual dos ataques de Kiev graças ao desenvolvimento de drones de longo alcance, perante os quais as defesas russas frequentemente se mostram impotentes.

A Ucrânia tem atacado repetidamente instalações petrolíferas russas, visando cortar as receitas de Moscou para a guerra e fazer com que os russos sintam as consequências da invasão. Algumas áreas relataram escassez de combustível.

O ataque em Moscou foi mais um episódio constrangedor para o presidente russo Vladimir Putin, após um ataque de drone ucraniano à sua cidade natal, São Petersburgo, no início deste mês, justamente quando ele recebia autoridades estrangeiras de alto escalão para um fórum econômico.

Total de 555 drones interceptados

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado um total de 555 drones ucranianos de asa fixa em diversas regiões, incluindo Astrakhan, Belgorod, Bryansk, Volgogrado, Voronezh, Vladimir, Kaluga, Kursk, Lipetsk, Oryol, Smolensk, Tambov, Tula, Rostov, Ryazan e na própria região de Moscou.

Também foram derrubados veículos aéreos não tripulados na península ucraniana da Crimeia, anexada ilegalmente em 2014, e sobrevoando o Mar de Azov.

As autoridades regionais detalharam que 60 drones foram abatidos em Bryansk e outros 60 na região de Rostov (sul), onde uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas na cidade de Gukovo.

Em sua mensagem, Zelenski também fez menção a alvos não especificados atingidos de madrugada por drones ucranianos em Rostov e nos territórios que as forças russas ocupam na Ucrânia.

Segundo o Estado-Maior ucraniano, a infraestrutura atingida em Rostov é o depósito de petróleo da localidade de Gukovo.

Entre os alvos bombardeados nos territórios ocupados, o Estado-Maior mencionou uma ponte rodoviária em Donetsk e outra ferroviária na península da Crimeia. Além disso, também foram atacados depósitos de combustível e lubrificantes em Mariupol e Piatypillia, em Donetsk, bem como um centro de logística e armazenamento russo nessa mesma região.

Durante a noite, também foram emitidos alertas de ameaça de mísseis em várias regiões da Rússia e, pela primeira vez, em Novgorod, que fica entre Moscou e São Petersburgo. Ontem, a Defesa russa já havia comunicado o abate de 172 drones ucranianos.

 ( da redação com informações da EFE, AP, DW. Edição: Política Real )