31 de julho de 2025
BANCO MASTER

Confira o que pesa contra o senador Jaques Wagner e o Augusto Ferreira Lima; veja a íntegra da decisão de André Mendonça que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero

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Por Política Real com assessoria
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André Mendonça autorizou nova fase da Compliance Zero Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 18/06/2026). A Operação Compliance apura a possível prática de crimes financeiros, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa, de corrupção e de delitos conexos atribuídos a gestores e operadores ligados ao antigo Banco Master.  Veja AQUI a íntegra da decisão do ministro André Mendonça que autorizou a nova fase da Operação Compliance.

"No campo específico da presente representação, apura-se a possível relação ilícita entre gestores do Banco Master, notadamente Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro, e o Senador Jaques Wagner", diz a decisão de Mendonça.

As autoridades brasileiras investigam três eixos principais nessa fase da operação:

a possível "entrega de vantagens econômicas", com destaque para a compra de um apartamento em Salvador

a identificação de pagamentos e repasses a empresas "vinculadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner"

a verificação de "indícios de atuação parlamentar, por parte do Senador, em temas de interesse do Banco Master", especialmente "em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".

A PF diz que Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados de um apartamento do empreendimento Poème Horto avaliado em R$ 2,45 milhões. A compra final teria sido feita por outra empresa "em dinâmica que a autoridade policial reputa compatível com ocultação do beneficiário final", segundo a decisão.

Essas tratativas teriam acontecido mesmo depois da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.

A PF afirma que a BN Financeira Ltda. — uma "empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner" — teria recebido R$ 3,5 milhões de uma "pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima".

As autoridades também dizem que houve "atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master".

A PF diz que Wagner e Lima trataram diretamente de três temas relacionados ao Master:

à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores, aposentados e pensionistas, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;

à tentativa de aprovação da PEC 65/2023, com mudanças no limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos;

"atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)".

Além disso, as autoridades afirmam que há outras questões "mais laterais" por parte de Wagner, como o "uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima ou ao Banco Master"; e o "recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor". A decisão cita ingressos à família do senador para shows de uma cantora que teriam acontecido em Los Angeles, em valor superior a R$ 63 mil.

( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)