31 de julho de 2025
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Líderes do G7, em comunicado, voltam a defender a Ucrânia com sua integridade territorial e mais sanções a Rússia; Trump, agora, chancela europeus

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Por Politica Real com agências
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Líderes do G7 com direito a Zelensky e Trump Foto: X da G7

(Brasília-DF, 16/06/2026) Nesta quarta-feira, 17, em Evian, na França, os líderes do G7 afirmaram que permanecem unidos para apoiar a Ucrânia, incluindo em sua integridade territorial, e concordaram em aumentar as sanções contra a Rússia, segundo um comunicado divulgado em conjunto.

O comunicado afirma que os líderes da Alemanha, EUA, Japão, Itália, França, Canadá e Reino Unido, além da Comissão Europeia, concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia por meio de novas sanções, principalmente no setor de petróleo e gás, para desestabilizar a "economia de guerra russa".

"Para apoiar e acelerar essa nova dinâmica, concordamos em aumentar o fornecimento de capacidades de defesa aérea, sistemas e interceptadores adicionais, bem como de longo alcance" a Kiev, consta na declaração.

A unidade do comunicado conjunto da cúpula do G7 foi considerada relevante em um momento em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, por vezes tem sido difícil de alinhar, especialmente sobre a complexa questão de como encerrar a guerra na Ucrânia. A declaração conjunta da cúpula de Évian, assinada pelo governo Trump, que em outras ocasiões se recusou a adotar posições pró-Ucrânia, destaca também "o progresso no campo de batalha" alcançado por Kiev nos meses recentes.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião deste ano, deixou claro que a Ucrânia era prioridade na agenda do G7 ao chamar o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, como convidado especial para a cúpula.

Conflito no Oriente Médio e China

Os líderes do G7 também saudaram o acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã – anunciado por Trump na véspera da cúpula – e disseram estar prontos para contribuir para sua implementação.

Eles acrescentaram que farão esforços para diversificar rotas de fornecimento de energia, a fim de reduzir a dependência do Estreito de Ormuz e aumentar as reservas energéticas. "Consideramos que este é o momento certo para avançar com medidas extras, já que o presidente Trump apresentou um acordo que apoiamos para a reabertura do Estreito de Ormuz".

Nesta quarta-feira, os líderes do G7 voltam sua atenção para minerais críticos e desequilíbrios econômicos globais. A França pressiona os parceiros a concordarem com uma declaração sobre minerais críticos que pode incluir medidas para ajudar o Ocidente a reduzir sua dependência da China e proteger investidores de contramedidas e práticas de dumping, disseram diplomatas.

Os Estados Unidos propuseram no início de 2026 a criação de um bloco comercial para minerais críticos. No entanto, há divergências entre os países sobre como esse bloco deve funcionar, especialmente no contexto da política "America First" da Casa Branca.

Os líderes do G7 também discutirão como reequilibrar o comércio global e enfrentar a "concorrência predatória", principalmente da China. A França resume os desequilíbrios da seguinte forma: a China produz demais, os Estados Unidos consomem demais e a Europa investe de menos.

Comentários de Trump agradam líderes da EU

Ao contrário do que ocorreu na reunião de junho de 2025 em Alberta, no Canadá, quando as sete democracias mais industrializadas do mundo não adotaram uma posição comum sobre a guerra na Ucrânia devido à recusa dos Estados Unidos em assumir a linguagem nitidamente pró-Kiev dos outros países do grupo, a declaração da cúpula que o G7 realiza agora na cidade francesa de Évian começa com uma mensagem de apoio inequívoco à Ucrânia.

Na terça-feira, Trump afirmou que as sanções contra a Rússia, flexibilizadas durante a guerra com o Irã para reduzir os preços do petróleo, podem ser restabelecidas à medida que mais petróleo passar pelo Estreito de Ormuz. O presidente americano também disse que Moscou "deveria chegar a um acordo" para pôr fim ao conflito com Kiev, acrescentando que faria "tudo o que pudesse" para que isso acontecesse.

As declarações de Trump foram bem recebidas pelos líderes europeus. No entanto, as dúvidas sobre o apoio dos EUA para aumentar a pressão sobre a Rússia para o início de negociações e se o presidente americano reconheceria que não pode haver um acordo de paz sem os europeus permanecem.

A jornalistas, o presidente dos EUA declarou que "não temos nada a ver com" a guerra da Rússia contra a Ucrânia: "Isso não tem impacto sobre nós. Estamos a milhares de quilômetros de distância". Ele também acrescentou que o conflito logo ficaria "para trás", mas, por enquanto, segue "focado no Irã".

Von der Leyen e Merz demonstram otimismo

Líderes europeus exibiram otimismo em relação à Ucrânia e ao conflito, que já dura mais de quatro anos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "a maré está mudando para a Ucrânia. A situação em 2026 é muito diferente da de 2025. A Ucrânia está defendendo corajosamente a linha de frente. O cansaço da Rússia está ficando evidente", escreveu na rede social X.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou ter percebido Trump em um clima de cooperação durante a cúpula, dizendo a jornalistas: "Tenho um certo otimismo de que europeus e americanos farão de tudo para pôr fim a essa guerra".

Merz também destacou que o presidente dos EUA não via problema algum no envolvimento dos países europeus em futuras negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia.

Declaração foi bem recebida na Ucrânia

A declaração em conjunto do G7 foi bem recebida na Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha‎, celebrou uma "mudança positiva de tom e avaliações" em relação ao seu país.

O chefe da diplomacia ucraniana qualificou a declaração conjunta do G7 como "poderosa" e celebrou "a unidade e a força" demonstradas por todos os integrantes do grupo. "O G7 demonstra mais uma vez que as democracias mais fortes do mundo estão unidas com a Ucrânia e comprometidas com o restabelecimento de uma paz completa, justa e duradoura para a Ucrânia", acrescentou.

O ministro ucraniano destacou especificamente a disponibilidade demonstrada por todos os países do G7 para reforçar as capacidades militares – e em particular de defesa aérea – da Ucrânia, além de apoiar o país com assistência em matéria energética e sanções mais rígidas contra a Rússia.

(da redação com informações da AP, AFP, DW. Edição: Política Real)