Superávit de R$ 24,6 bi em abril não contém alta da dívida bruta, que encerra o período em 80,4% do PIB, avalia o mercado; Warren estima que DBGG continue crescendo ao longo do ano, de forma a encerrar 2026 em 83,4% do PIB
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(Brasília-DF, 29/05/2026) Após a divulgação das estatísticas fiscais de abril o mercado começou a avaliar os números.
O setor público consolidado apresentou em abril um superávit de R$ 24,6 bilhões, ligeira melhora na comparação interanual, quando verificou-se superávit de R$ 14,1 bilhões. Cabe destacar que o valor veio em linha com a projeção do mercado. A Warren Rena estimou superávit de R$ 23,5 bilhões.
O valor decompõe-se nos superávits do Governo Central (+R$ 26,1 bilhões) e dos Governos Regionais (+R$ 0,3 bilhões)*, e no déficit observado nas empresas estatais (-R$ 1,8 bilhão).
Dessa forma, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 126,6 bilhões nos últimos doze meses, o equivalente a 1% do PIB. Todavia, cabe destacar que o resultado de abril engloba dois meses nos quais foram pagas a maior parcela dos precatórios da União, a saber, julho de 2025 (R$ 63,7 bilhões) e março de 2026 (R$ 68 bilhões). Assim,, podemos observar melhoras no resultado primário acumulado nos últimos dose meses a partir de agosto.
Por outro lado os juros nominais do setor público somaram R$ 84,8 bilhões em abril, o que representa uma significativa piora frente ao observado no mesmo mês de 2025, quando foram pagos R$ 69,7 bilhões. O número é explicado pelo crescimento da dívida líquida e da inflação ao longo do período, que compensaram os ganhos verificados em operações de _swap_ cambial pelo Banco Central no valor de R$ 25,9 bilhões.
Dessa forma, os dispêndios com encargos financeiros acumulados nos últimos doze meses totalizaram R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB, o maior percentual computado desde fevereiro de 2016, quando o indicador chegou a 8,52% do PIB.
Desta forma, a combinação do resultado do Governo Central com o pagamento de juros levou o setor público consolidado a encerrar abril de 2026 com um resultado nominal deficitário de R$ 60,1 bilhões. No acumulado em doze meses, o déficit nominal somou R$ 1,2 trilhão, o que corresponde a 9,41% do PIB, representando estabilidade na comparação com o mês anterior.
Já a Dívida Líquida do Setor Público totalizou R$ 8,8 trilhões, alcançando 67,4% do PIB. O número decorre dos impactos ligados aos juros nominais apropriados (+0,7 p.p.) e da valorização cambial (0,5 p.p.), que contrabalancearam os efeitos da variação do PIB nominal (-0,3 p.p.), do superávit primário (-0,2 p.p.) e da dívida externa líquida (-0,1 p.p.)
Ao final, a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 80,4% do PIB, o que equivale a R$ 10,4 trilhões, um aumento de 0,3 p.p. frente ao verificado no mês anterior. Trata-se do maior percentual observado desde junho de 2021. O número foi afetado pelos encargos financeiros (+0,9 p.p.), valorização cambial (-0,2 p.p.) e variação do PIB nominal (-0,3 p.p.).
A Warren projeta que a DBGG continue crescendo ao longo do ano, de forma a encerrar 2026 em 83,4% do PIB, em dinâmica explicada pelo patamar elevado da Selic, arrefecimento da atividade econômica ao longo do segundo semestre e dificuldade do Governo Central em entregar os superávits primários necessários para a consolidação fiscal.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)