Estados Unidos e Arábia Saudita fecham acordo histórico de energia nuclear
Segundo relatos, o pacto permitirá que a Arábia Saudita desenvolva seu próprio programa nuclear para fins civis.
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Com agências
(Brasília-DF, 22/07/2026) Nesta quarta-feira, 22, os Estados Unidos anunciaram a assinatura de um acordo de cooperação nuclear para fins civis com a Arábia Saudita, juntamente com um pacto bilateral separado sobre salvaguardas.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, assinou os acordos com o ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman.
O Departamento de Energia dos EUA afirmou que os acordos aprofundariam a cooperação entre Washington e Riad no setor de energia nuclear civil.
"Juntos, esses dois acordos estabelecem a base jurídica para uma parceria multibilionária e de longo prazo — abrangendo várias décadas — que promove diversos objetivos econômicos e estratégicos prioritários, incluindo a não proliferação nuclear", declarou o Departamento de Energia dos EUA em um comunicado.
Acordo permite reatores nucleares e enriquecimento de urânio
O acordo, conhecido como "Acordo 123", permitiria à Arábia Saudita construir reatores nucleares utilizando tecnologia dos EUA. Também permitiria ao reino enriquecer urânio e reprocessar resíduos nucleares.
O acordo não inclui um Protocolo Adicional que permitiria à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — o órgão de fiscalização nuclear da ONU — realizar inspeções mais intrusivas com pouco aviso prévio.
O governo dos EUA afirmou que o acordo está em conformidade com as exigências de não proliferação previstas na Lei de Energia Atômica (*Atomic Energy Act*).
O que acontece agora?
O acordo será agora submetido ao Congresso e entrará em vigor, a menos que os legisladores votem para bloqueá-lo no prazo de 90 dias legislativos.
Seria necessária uma maioria de dois terços para derrubar um veto presidencial.
Vários legisladores democratas manifestaram preocupação de que o acordo possa aumentar os riscos de proliferação e desencadear uma corrida armamentista regional.
"Eles estão permitindo que a Arábia Saudita, uma nação beligerante e autoritária, desenvolva tecnologias de armas nucleares enquanto inicia uma guerra com o Irã sob o pretexto de impedir uma bomba nuclear iraniana", disse à Reuters o senador democrata Edward Markey.
"Este acordo tornaria todos nós menos seguros", acrescentou ele.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já havia declarado anteriormente que o reino não deseja desenvolver uma arma nuclear, mas que o faria caso o Irã adquirisse uma.
(da redação com informações de assessoria, DW, AP, AFP. Edição: Política Real)