Fernando Haddad, após evento do 1º de Maio, diz que não foi derrota do governo nesta semana, foi derrota do combate à corrupção
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(Brasília-DF, 01/05/2026) O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pré-candidato ao Governo do Estado de São Paulo, conversou com os jornalistas após um dos evento pelo 1º de Maio na Capital Paulista.
Ele falou sobre diversos assuntos e quando tratou das chamadas derrotas do Governo Federal no Congresso Nacional nesta semana.
“ Eu acredito, eu sou da opinião que essa derrota, essa dita derrota no Congresso, ela foi uma derrota do combate à corrupção.”, disse.
Veja a íntegra da conversa com os jornalistas:
Jornalistas: Escala 6x1. Expectativa da votação do projeto?
Fernando Haddad: Olha, eu penso que está havendo uma boa vontade da mesa, da Câmara, em já se debruçar sobre a proposta do governo, e depois do amplo debate que foi feito na sociedade, enfrentar o desafio que está guardado há muitos anos pelos trabalhadores, e depois da Constituição de 88, voltar ao tema da jornada de trabalho e socializar os ganhos desses 40 anos de Constituição, reduzindo a jornada de 44 a 40 horas semanais. O fim da jornada 6x1 e a adoção da jornada 5x2, sem redução do salário.
É importante frisar isso. Eu estou confiante que nós vamos conseguir entregar até o final do ano a nossa pauta, como fizemos com o salário mínimo no ano passado, a isenção do imposto de renda no ano passado, que foi um compromisso do presidente Lula do ano passado, e este ano a jornada 6x1 ser enfrentada definitivamente.
Jornalistas: Mesmo com as últimas derrotas no Congresso, essa boa vontade permanece?
Fernando Haddad: Eu acredito, eu sou da opinião que essa derrota, essa dita derrota no Congresso, ela foi uma derrota do combate à corrupção.
Eu compartilho com os analistas que eu tenho lido nos jornais de que outros temas, outros assuntos, hoje eu mesmo estava vendo analistas políticos dizendo que por trás dessa derrota tinha uma pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil. Isso não sou eu que estou dizendo, é o próprio noticiário de imprensa séria que está dizendo. Eu lamento se isso tiver acontecido, porque nós estamos sempre precisando passar limpo determinados escândalos, sobretudo os que ganharam aí a esfera pública pela escala, pela desfarçatez dos criminosos envolvidos.
Tudo que as pessoas desse país desejam, os cidadãos comuns, é que as responsabilidades sejam todas elas apuradas até o fim. Então eu penso que essa suposta derrota da indicação do presidente do Supremo é, na verdade, uma derrota de todos nós.
Jornalistas: Ministro, hoje vocês falaram muito aqui sobre a união dos sindicatos nessa campanha desse ano. O governo tem tido uma certa dificuldade em traduzir os bons índices da economia em pesquisas de intenção de voto. Aparece aí com a margem apertada, com o segundo colocado, às vezes o primeiro colocado, Flávio Bolsonaro. Qual que é a expectativa de vocês e qual que é o tamanho da importância dessa relação com esses sindicatos, com esse trabalho para conseguir reverter isso?
Fernando Haddad: Eu queria falar um pouco sobre isso.
Olha, o cidadão mais prejudicado pela pauta da extrema direita é o trabalhador. O trabalhador é o alvo central. É quem eles visam retirar direitos imediatamente.
Você viu a fala do senador Rogério Marinho outro dia, negada pelo candidato Flávio Bolsonaro, mas depois apurada pelo jornal “Folha de São Paulo”, e que o alvo é saúde e educação, salário mínimo, imposto de renda. Continua sendo a pauta tradicional deles. Sempre que vem uma campanha, eles procuram omitir, eles procuram confundir a opinião pública.
Eu não acredito nos alvos. O que está em jogo é sempre venda de patrimônio público de um lado e corte de direitos sociais de outro. É sempre isso.
Sem nenhuma preocupação com a propriedade estratégica, com a ação estratégica do Estado, com a pauta de desenvolvimento econômico, com a necessidade do trabalhador ter renda para fazer a roda da economia girar, como disse aqui a nossa ex-ministra Simone Tebet, sem preocupação com o meio ambiente, aqui representado também pela presença da Marina Silva. Então é isso, é isso que acontece. Toda eleição.
Então até quando nós vamos tomar a querer ir para trás? Se a gente pode ir para frente, como nesses três anos aconteceu.
Jornalistas: O que é que o senhor fala sobre a montagem da chapa? A ministra Simone vai ser pré-candidata ao Senado, a ministra Marina foi anunciada como pré-candidata. Mas tem o Márcio França também, né? Como pré-candidata ao Senado.
Fernando Haddad: Somos todos pré-candidatos nesse momento, né? Mas o Senado tem três, né? Então, nós vamos ter que conversar e vamos chegar a um denominador comum, na minha opinião. Vai exigir alguma conversa para frente, mas nós estamos com um bom problema, porque são quatro ex-ministros do presidente Lula aqui representados em São Paulo, cada um com uma visão de mundo convergente, mas com as suas especificidades que têm que ser consideradas pelo eleitor. Nós temos pessoas aqui, todo mundo aqui é ficha limpa, serviços prestados ao país, compromisso com ética na política, pessoas que têm anos e anos de vivência política.
Uma já foi senadora, outro já foi senador, outro já foi governador, já foi prefeito, ou seja, prefeita. Nós temos aqui um time de excelência.
Jornalistas: Quem vai decidir, o senhor ou o Lula?
Fernando Haddad: Não existe imposição, né? E as pessoas estão se colocando e também têm o direito de ter suas pretensões, que têm que ser respeitadas, né? Então, nós vamos levar em consideração isso tudo e vamos chegar a um denominador comum nas próximas semanas, mas sem atropelos.
O que eu sei é que todo mundo aqui quer o mesmo objetivo. Nós queremos ver esse país voltar a sorrir, nós queremos deixar o ódio da política longe da política, não queremos nada disso, nós queremos voltar a discutir política pública, queremos fazer política de cara limpa, cara lavada, sem ficar a todo momento descobrindo escândalo aqui, escândalo lá. Queremos que a polícia faça o seu trabalho e que deixe para os políticos pensar a política, pensar o país em uma convivência com o cidadão comum que tem o direito de manifestar as suas preferências na condição do país.
É isso que a gente quer.
(da redação com informações de assessoria e IA. Edição: Política Real)