Preço do petróleo despencam em todo mundo após anuncio da abertura do Estreito de Ormuz; situação é vista como oportunidade para o Brasil
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Com agências
(Brasília-DF, 17/04/2026). Nesta sexta-feira, 17, os preços do petróleo despencaram em todo o mundo após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo acordado com os Estados Unidos.
O preço do petróleo Brent, referência internacional, caiu cerca de 10%, para US$ 89,43 (R$444,04) o barril nesta manhã.
Os preços ainda permanecem mais altos do que antes do início do conflito, em 28 de fevereiro — na época, o barril era negociado a cerca de US$ 70 (R$ 360,97) —, mas a queda atual é considerada bastante significativa.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
Os EUA chegaram a anunciar que iniciariam um bloqueio naval no local no início desta semana, depois de o Irã ter efetivamente fechado o canal de transporte por semanas, em resposta ao ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã em fevereiro.
Nesta sexta, entretanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que o estreito seria "declarado completamente aberto" pelo "período restante do cessar-fogo".
"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã", disse Araghchi em um comunicado divulgado pela rede social X (antigo Twitter).
Como isso afeta o Brasil?
O Brasil pode se beneficiar desse novo cenário, já que a baixa do petróleo Brent invariavelmente deve atingir o mercado nacional, que contava, até então, com ajuda apenas de um pacote do governo federal para segurar o encarecimento dos combustíveis no país e o impacto da alta do querosene de aviação no preço das passagens aéreas.
Impacto no cenário externo
Análise do banco BTG Pactual assinado pela economista Iana Ferrão, porém, afirma que nos últimos 10 anos o Brasil passa por uma mudança estrutural que fez com que o choque do petróleo reforçasse o cenário externo do Brasil.
"No início dos anos 2000, o país ainda se caracterizava, do ponto de vista do setor externo, como importador líquido de petróleo e derivados. Nesse contexto, altas no Brent deterioravam a balança comercial e ampliavam o déficit em transações correntes", diz Ferrão em sua análise.
"A partir de 2016, contudo, observa-se uma inflexão estrutural. O saldo da balança de petróleo e derivados torna-se consistentemente positivo e crescente, e os choques altistas no Brent passam a exercer efeito favorável sobre as contas externas, refletindo a transição do Brasil para exportador líquido de petróleo."
Ou seja, a alta no preço do petróleo nas ultimas semanas estava reforçando, em vez de prejudicar, o cenário externo brasileiro, com melhora nas projeções de balança comercial e transações correntes.
Segundo o relatório do BTG, no início dos anos 2000, um aumento de 10% no preço do barril de petróleo Brent ampliava o déficit nas transações correntes do Brasil — resultado das trocas comerciais, de serviços e rendas entre residentes e não residentes no país — em 0,05 ponto percentual (p.p.) do PIB. Em 2026, no entanto, esse mesmo choque reduz o déficit em conta corrente em 0,16 p.p. do PIB.
No caso da balança comercial, enquanto um aumento de 10% do petróleo diminuiu o saldo da balança comercial do Brasil em US$ 300 milhões no início dos anos 2000, hoje esse movimento engorda o saldo em US$ 3,7 bilhões.
"O Brasil hoje se beneficia de uma alta do preço do petróleo porque a exposição positiva em petróleo bruto exportado domina a exposição negativa via derivados importados", diz. A alta recente do Brent reforçava essa tendência, segundo ela.
O relatório do BTG, publicado em 13 de abril, ainda apontava que se o preço do petróleo Brent se mantivesse em torno de US$100 até o fim do próximo ano, sem grandes mudanças no cenário, o saldo da balança comercial total do Brasil subiria para algo próximo de US$93 bilhões.
No oposto, uma volta rápida do Brent para US$70 reduziria o saldo para perto de US$80 bilhões em 2026 e US$85 bilhões em 2027.
( da redação com informações e textos da BBC. Edição: Política Real)