Irã aprova projeto para cobrar pedágio no Estreito de Ormuz; Trump ameaça países a irem buscar o petróleo por Ormuz se desejarem pois ele não vai trabalhar para liberá-lo
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Com agências.
(Brasília-DF, 31/03/2026) Em dia que Irã encaminha a decisão de cobrar pedágio para quem deseja transportar petróleo pelo Estreito de Ormuz, o presidente dos Estados Unidos diz que não vai defender Ormuz e que caberia a quem quiser esse petróleo que vá busca-lo.
A Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã aprovou um projeto de lei que estabelece o pagamento de pedágios no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial, e proíbe o trânsito de embarcações dos Estados Unidos e de Israel, segundo informou nesta terça-feira a agência de notícias Fars.
O texto não detalha a quanto chegariam os pedágios no estreito, mas a agência “Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, afirmou que poderia se tratar de um pagamento de 2 milhões de dólares por navio ou um sistema baseado na carga de cada embarcação, como ocorre no Canal de Suez.
A Tasnim estima que a república islâmica poderia obter cerca de 100 bilhões de dólares anuais por meio desses pedágios, uma quantia superior às receitas das vendas de seu petróleo, estimadas em cerca de 80 bilhões de dólares.
A nova legislação deverá ser aprovada pelo Parlamento e, posteriormente, pelo Conselho dos Guardiães - órgão que pode vetar as decisões da assembleia - para entrar em vigor.
O projeto consiste em quatro partes: segurança marítima; cobrança de taxas por poluição ambiental; cobrança por serviços de praticagem e a criação de um fundo para o desenvolvimento regional.
O Irã mantém o Estreito de Ormuz bloqueado "para seus inimigos" desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o país em 28 de fevereiro. Desde então, está permitindo apenas a passagem de petroleiros do que considera países amigos, como Tailândia e Índia.
Dados da consultoria S&P Global Market Intelligence indicam que, no último mês, cerca de 150 navios transitaram pelo estreito, enquanto, antes da guerra, esse era o número de embarcações que passava pela via diariamente.
Este fechamento elevou o preço do petróleo, dado que o estreito é fundamental para o comércio energético global, motivo pelo qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu que o Irã reabra a passagem, algo a que a república islâmica se recusou até o momento.
Ameaça de Trump
Em uma postagem na manhã deta terça-feira (horário dos EUA) no Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump, continuou seus ataques a aliados, criticando duramente as nações que se recusam a acompanhá-lo em sua "excursão" no Irã.
"Todos esses países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês: Número 1, comprem dos EUA, temos bastante, e Número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM." ...Comprem petróleo dos EUA, comprem dos EUA, temos bastante, e Número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM." "Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos", acrescentou Trump: "Os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar. A parte difícil já passou. Vão buscar o seu próprio petróleo!"
Trump tem criticado consistentemente os aliados que se recusam a entrar na guerra após os EUA e Israel a iniciarem em 28 de fevereiro sem consultá-los.
Trump não apenas criticou o Reino Unido, como também atacou a França por fechar seu espaço aéreo para aviões militares americanos, escrevendo: "A França não permitiu que aviões carregados com suprimentos militares, com destino a Israel, sobrevoassem o território francês. A França tem sido MUITO INÚTIL."
Mais cedo naquele dia, a Itália anunciou que havia recusado a permissão para que bombardeiros americanos com destino ao Irã pousassem em uma base aérea compartilhada na Sicília antes de concluírem suas missões.
( da redação com agências EP, EFE, DW, redes sociais. Edição: Política Real)