31 de julho de 2025
CPMI DO INSS

CPMI do INSS propõe indiciamento de 216 pessoas como ex-dirigentes do INSS, Dataprev, assim como Daniel Vorcaro e Lulinha

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Por Politica Real com agências
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Alfredo Gaspar. expõe os volumes do relatório final Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

(Brasília-DF, 27/03/2026) Nesta sexta-feira, 27, a CPMI do INSS iniciou a análise de seu relatório final. Com cerca de 4 mil páginas, o texto do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), propõe o indiciamento de 216 pessoas. Foram 7 meses de trabalhos

Dentre os tais, parlamentares, ex-ministros, dirigentes e ex‑dirigentes do INSS e da Dataprev, além do banqueiro Daniel Vorcaro e do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O relator pede ainda o indiciamento do ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, que tem hoje o nome de Ahmed Mohamad Oliveira e comandou a pasta no governo Jair Bolsonaro, e do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, da atual gestão. Também estão citados a deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o ex-deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Weverton (PDT-MA).

O documento foi lido por Gaspar e precisará ser votada pela CPMI, que vai decidir se o aprova ou não. O relatório aponta que os crimes ocorriam “de modo profissional e divididos em núcleos atuantes de forma coordenada”. Entre os principais delitos descritos estão organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude eletrônica e prevaricação.

Após o começo da leitura do texto, a sessão chegou a ser suspensa por alguns minutos pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Ele atendeu a um pedido dos parlamentares que ainda não tinham tido acesso ao documento por meio do sistema do Senado, devido ao peso do arquivo. Com o download concluído pelos membros da comissão, a sessão foi retomada. A previsão é de que o relatório seja inteiramente lido e votado pela CPMI ainda nesta sexta-feira.

Weverton

O relatório de Gaspar propõe os indiciamentos do ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, que tem hoje o nome de Ahmed Mohamad Oliveira e comandou a pasta no governo Jair Bolsonaro, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, da atual gestão. Também estão citados a deputada Gorete Pereira, o ex-deputado Euclydes Pettersen e o senador Weverton.

“O envolvimento de atores de diversos segmentos e o apoio de parlamentares de diferentes espectros políticos é mais uma evidência de que a fraude era tão expressiva e nacionalizada que existiam distintas organizações criminosas que se comunicavam e transacionavam, mas tinham suas próprias hierarquias, estruturas, divisão de trabalho e formas de atuação ilícita”, diz trecho do documento.

Em nota, o senador Weverton disse não haver qualquer elemento que justifique a inclusão do nome dele no relatório. Para ele, os documentos apresentados por Alfredo Gaspar “carecem de mínima validade jurídica”.

“Há fragilidades gritantes na investigação: não há qualquer ato identificado que indique participação, facilitação ou integração em eventual estrutura criminosa, nem o menor indício de recebimento de valores supostamente desviados”, diz a nota de Weverton.

A lista de sugestões de indiciamentos do relatório de Alfredo Gaspar inclui ainda nomes como o do ex‑presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto; o diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, Alan do Nascimento Santos; e o ex‑deputado federal e ex‑ministro do Meio Ambiente nos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, José Sarney Filho (Zequinha Sarney).

Entre os nomes também estão:

Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”;

Maurício Camisotti — empresário, citado também na CPI da Covid, que investigou atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia;

Carlos Roberto Ferreira Lopes — presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer);

Aristides Veras dos Santos — ex‑dirigente da Contag;

Marcos dos Santos Monte — apontado pela CPMI como braço tecnológico e operacional da organização criminosa.

Ao longo do seu funcionamento, a CPMI promoveu a prisão em flagrante de quatro pessoas:  

Rubens Oliveira Costa (22/09/2025): Foi a primeira prisão da CPMI. O economista mentiu sobre sua relação societária com Antônio Carlos Camilo Antunes (o "Careca do INSS") e omitiu informações sobre movimentações bancárias atípicas.

Carlos Roberto Ferreira Lopes (30/09/2025): Presidente da Conafer. Recebeu voz de prisão após os parlamentares comprovarem que ele mentiu e omitiu dados sobre o uso de CPFs de pessoas falecidas para autorizar descontos indevidos em aposentadorias.

Abraão Lincoln Ferreira da Cruz (04/11/2025): Presidente da CBPA. Foi preso por afirmar falsamente que havia renunciado ao cargo, quando na verdade havia sido afastado por decisão judicial, e por mentir sobre vínculos com outros investigados.

Jucimar Fonseca da Silva (02/12/2025): Ex-coordenador-geral do INSS. Recebeu voz de prisão ao final de um depoimento de 9 horas por mentir sistematicamente sobre as datas e a natureza dos pareceres técnicos que liberaram as fraudes.

Deputado Lindberg Farias

Tumulto

A reunião da CPMI foi marcada por momentos de tensão e tumulto. Num desses episódios, o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ) teceu duras críticas e endereçou xingamentos a Alfredo Gaspar, que respondeu no mesmo tom. Carlos Viana chegou a ameaçar Lindbergh de expulsão da sala da reunião e disse que a CPMI deverá assinar uma representação contra o deputado junto ao Conselho de Ética do Congresso.

Integrantes da base do governo, as senadoras Eliziane Gama (PSD-MA) e Augusta Brito (PT-CE) defenderam uma investigação imparcial do Parlamento e a votação de um “relatório justo” sobre as fraudes no INSS. Augusta Brito destacou a importância da CPMI na função de apontar e ajudar a punir os verdadeiramente culpados. De acordo com Eliziane, a bancada da base do governo poderá apresentar um relatório paralelo, caso desaprove o texto de Gaspar, que segue sendo apresentado. 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)