Transações correntes foram deficitárias em US$5,6 bilhões em fevereiro de 2026, ante déficit de US$10,2 bilhões em fevereiro de 2025, informa BC
Banco Central divulgou as Estatísticas do Setor Externo
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(Brasília-DF, 27/03/2026) Na manhã desta sexta-feira, 27, o Banco Central divulgou as Estatísticas do Setor Externo com os dados atualizados até fevereiro de 2026.
As transações correntes do balanço de pagamentos foram deficitárias em US$5,6 bilhões em fevereiro de 2026, ante déficit de US$10,2 bilhões em fevereiro de 2025.
Na comparação interanual, a redução no déficit corrente decorreu sobretudo da elevação de US$4,6 bilhões no saldo comercial de bens. O déficit na conta de serviços manteve-se inalterado. O déficit em renda primária cresceu US$117 milhões, para US$5,6 bilhões. A renda secundária somou US$440 milhões, incremento de US$150 milhões. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em fevereiro de 2026 recuou para US$63,4 bilhões (2,71% do PIB), ante US$68,1 bilhões (2,94% do PIB) no mês anterior e US$79,0 bilhões (3,67% do PIB) em fevereiro de 2025.
O superávit da balança comercial de bens atingiu US$3,5 bilhões em fevereiro de 2026, ante déficit de US$1,1 bilhão em fevereiro de 2025. As exportações de bens totalizaram US$26,4 bilhões, aumento de 14,8% na comparação interanual, e as importações de bens somaram US$22,9 bilhões, redução de 5,1%.
O déficit na conta de serviços totalizou US$3,9 bilhões em fevereiro de 2026, mesmo patamar observado em fevereiro de 2025. Houve altas nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, 4,7%, totalizando US$1,1 bilhão, e de serviços de propriedade intelectual, 46,8%, somando US$950 milhões. Ocorreram reduções nas despesas líquidas de telecomunicação, computação e informações, 4,6%, para US$666 milhões, e de transporte, 18,0%, que somaram US$983 milhões. Outros serviços de negócio registraram receitas líquidas de US$608 milhões, 46,1% maiores que em fevereiro de 2025 (US$416 milhões). As despesas líquidas com viagens internacionais totalizaram US$1,1 bilhão, 49,0% maiores que em fevereiro de 2025, com redução de 15,7% nas receitas (de US$823 milhões para US$694 milhões) e crescimento de 15,3% nas despesas (de US$1,6 bilhão para US$1,8 bilhão).
O déficit em renda primária somou US$5,6 bilhões em fevereiro de 2026, aumento de 2,1% comparativamente ao déficit de US$5,5 bilhões em fevereiro de 2025. As despesas líquidas com juros alcançaram US$1,6 bilhão, redução de 19,8%, e as despesas líquidas com lucros e dividendos totalizaram US$4,1 bilhões, aumento de 13,6%.
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$6,8 bilhões em fevereiro de 2026, ante US$10,0 bilhões em fevereiro de 2025. Os ingressos líquidos em participação no capital - total somaram US$7,5 bilhões, compreendendo ingressos de US$3,0 bilhões em participação no capital, exceto reinvestimento de lucros, e US$4,4 bilhões em participação no capital - reinvestimento de lucros no Brasil. As operações intercompanhia registraram saídas líquidas de US$698 milhões. O IDP acumulado em 12 meses recuou para US$75,9 bilhões (3,24% do PIB) em fevereiro de 2026, ante US$79,1 bilhões (3,42% do PIB) em janeiro de 2026 e US$78,3 bilhões (3,64% do PIB) em relação a fevereiro de 2025.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram, em fevereiro de 2026, ingressos líquidos de US$5,4 bilhões, dos quais US$2,8 bilhões em ações e fundos de investimento e US$2,6 bilhões em títulos de dívida. Nos doze meses encerrados em fevereiro de 2026, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram ingressos líquidos de US$29,3 bilhões, ante ingressos líquidos de US$24,9 bilhões nos doze meses encerrados em janeiro de 2026 e saídas líquidas de U$5,3 bilhões no acumulado em 12 meses até fevereiro de 2025.
Reservas
As reservas internacionais somaram US$371,1 bilhões em fevereiro de 2026, aumento de US$6,7 bilhões em relação ao mês anterior. Contribuíram para elevar o estoque de reservas: o retorno líquido de linhas com recompra, US$3,0 bilhões; a variação por preços, US$1,7 bilhão; a variação por paridades, US$928 milhões; e a receita de juros, US$706 milhões.
Revisão extraordinária – dívida externa do setor público e do setor privado
Conforme a Política de Revisão das Estatísticas Econômicas Oficiais Compiladas pelo Departamento de Estatísticas (DSTAT) do Banco Central do Brasil (BCB), revisões extraordinárias “decorrem de erro ou de disponibilização extraordinária de dados, seja nas fontes de informações, seja no processo de compilação. Nesses casos, a revisão deve ser efetuada tão logo identificado o erro ou o novo dado, corrigidas as informações, recompostas as séries e validado todo esse processo". Devido a erro operacional, nesta nota está sendo divulgada revisão na desagregação da dívida externa entre os setores público e privado para o período de dezembro de 2020 a setembro de 2025.
Segundo Nota Explicativa publicada em fevereiro de 2026, as estatísticas de dívida externa do setor público passaram a ser publicadas como item de memorando da tabela especial “Dívida externa bruta e dívida externa de curto prazo por vencimento residual". Na dívida externa do setor público havia dupla contagem dos passivos de alocações de Direitos Especiais de Saque, e classificação indevida de parcela das operações de dívida intercompanhia. Na série revisada houve recomposição entre setores público e privado, sem alteração no endividamento externo total.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)