André Mendonça, em palestra na OAB/RJ, disse que “ministro não tem que ser estrela, tem que simplesmente assumir a responsabilidade e julgar”
Veja mais
Publicado em
(Brasília-DF, 20/03/2026) O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, participou na manhã desta sexta-feira de evento na Ordem dos Advogados do Brasil( OAB), do Estado do Rio de Janeiro. Ele proferiu a palestra “Os desafios da advocacia no Século XXI”.
Ao iniciar sua fala, o ministro fez questão de estabelecer um tom de proximidade e espírito público.
“Fui incumbido de falar sobre os desafios da advocacia no Século XXI, mas quando soube que vários colegas do interior tinham se deslocado para cá, gostaria de trazer uma palavra de cunho mais pessoal. Antes, me permitam ajustar algumas coisas. Não tenho a pretensão de me considerar mais importante, assim como também não sou menos importante. (...) Não tenho a pretensão de ser o salvador de nada. É um múnus público, no qual há muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes. Ao final e ao cabo, somos servidores públicos e, como tal, devemos preservar a relação de confiança que a sociedade e o cidadão depositam em nós”, registrou o magistrado em suas palavras iniciais, sendo aplaudido pelo público.
Após resumir sua trajetória, que começou com um pequeno escritório de advocacia no interior de São Paulo, passando pelos cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça, antes de chegar ao órgão de cúpula do Poder Judiciário, André Mendonça elencou uma série de princípios que considera fundamentais para que tanto magistrados quanto advogados cumpram com suas responsabilidades.
Nesse contexto, ele defendeu que o sucesso profissional deve estar atrelado aos propósitos constitucionais: “Você precisa projetar sua carreira. Esse projeto não pode ser simplesmente financeiro ou de ocupar cargos, precisa ser um projeto de realizar os fundamentos e objetivos que a Constituição nos traz, que posso resumir na construção de uma sociedade livre, justa e solidária”.
Foi então que Mendonça sintetizou sua visão sobre a magistratura:
“Não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial. Tenho apenas a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos. Esse é o papel de um bom juiz. Ministro não tem que ser estrela, tem que simplesmente assumir a responsabilidade e julgar.”
Dirigindo-se diretamente aos advogados e advogadas presentes, ele apresentou um roteiro pautado por valores: “Meu desafio para você, como advogado do Século XXI, é definir adequadamente qual o seu objetivo de vida, (...) com visão de futuro, preparo, coragem, perseverança, resiliência, gratidão, lealdade, sabedoria, humildade e discernimento entre o certo e o errado. Fazendo o certo, pelos motivos certos, encontrando saídas legítimas à luz da lei”.
“O Brasil precisa de advogados que resolvam problemas de forma séria, ética e responsável. E eu finalizo com um desafio a você. Siga esses princípios e você verá que você será bem-sucedido naquilo que vier a fazer”, complementou.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)_