Estreito de Ormuz está fechado, anuncia chefe da Guarda Revolucionária do Irã
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Com agências.
(Brasília-DF, 02/03/2026) O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Ahmad Vahidi, anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, importante via de escoamento do petróleo produzido no Oriente Médio. Segundo a imprensa estatal, o Irã está pronto para atacar qualquer embarcação que tentar passar pelo trecho entre o golfo de Omã e o golfo Pérsico.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), por sua vez, negou à emissora Fox News que o estreito tenha sido bloqueado.
No início desta segunda-feira ,02, primeiro dia de negociação após o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, o preço do Brent abriu em alta de 13%. No decorrer do pregão, a alta foi revertida em partes, atingindo 6% no início da tarde.
No entanto, operadores do mercado petrolífero afirmam que o barril pode ultrapassar os 100 dólares, caso a guerra siga pelas próximas semanas e o Estreito de Ormuz sofra um bloqueio de forças iranianas. Uma elevação no preço do combustível fóssil pode impactar toda a cadeia produtiva mundial, refletindo em taxas mais altas de inflação.
Esta é a primeira vez que o Irã anuncia o fechamento completo do estreito e ameaça com ataques militares ao tráfego marítimo.
Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo ao mar da Arábia. A via possui duas rotas marítimas, e cada uma mede 3 km, permitindo a passagem dos maiores petroleiros do mundo.
Na primeira metade de 2023, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passaram diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo estimativa da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), o que representa um comércio energético anual de quase US$ 600 bilhões.
Isso faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo no mundo, incluindo o petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da maior parte do gás natural liquefeito do Catar.
Qualquer interrupção no estreito restringiria o comércio e impactaria em um aumento dos preços do petróleo a nível mundial.
Naturalmente, também afetaria os países do Golfo, cujas economias dependem fortemente das exportações de energia.
Mas seu fechamento teria um impacto particular sobre a China, que é o maior comprador global de petróleo iraniano e mantém uma estreita relação com Teerã.
( da redação com AFP e DW. Edição: Política Real)