Papa Leão XIV, mantendo a tradição, envia mensagem por conta do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026
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(Brasília-DF, 18/02/2026) Mantendo a tradição que vem desde 1970 o chefe da Igreja, o Papa Leão XIV, numa referência a um dos sermões de Santo Agostinho, o Papa reforça na mensagem que a Quaresma é um tempo litúrgico durante o qual “recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Deus, ao seguirmos, por meio do jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por quarenta dias.
O Santo Padre destacou, no documento, o papel das Campanhas da Fraternidade: “Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94).”.
Veja o texto na íntegra da mensagem:
Queridos irmãos e irmãs do Brasil,
<<Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à
prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas
almas e disciplinando nossos corpos» (Sermão 210). Assim escreveu Santo
Agostinho em um de seus sermões sobre o tempo litúrgico que estamos para
iniciar, durante o qual recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica
conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do
jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por
quarenta dias. Neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a
praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e
necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica (cf. Mt 25, 35-40). O
Espírito Santo, autor da nossa santificação, nos conduza ao longo deste caminho.
Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais
de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade,
momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa
aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz
questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe
um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenharnos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94). À
semelhança do que havia sido feito em 1993, no presente ano, inspirados pelo lema
"Ele veio morar entre nós" (cf. Jo 1, 14), a proposta apresentada é aquela de voltar
o olhar para os nossos irmãos que sofrem com a falta de uma moradia digna.
O meu santo predecessor, São João Paulo II, convidava a voltar a atenção
<para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou
até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e
encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências
negativas no plano individual, familiar e social», afirmando que «a falta de
habitações, que é um problema de per si muito grave, deve ser considerada como
o sinal e a síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais, culturais ou
simplesmente humanas» (Sollicitudo Rei Socialis, 17).
Neste sentido, é meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de
moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas
- sem dúvida, necessárias - que venham de modo emergencial em seu auxílio, mas
gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente
nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a
algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete
a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar.
Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a
partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades
governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos
em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias
significativas nas condições de habitação.
Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou
morada em Belém para dar à luz ao Redentor, mas que tem sua casa, como Rainha
e Padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de
abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação
brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham
moradia digna, a Bênção Apostólicа.
Vaticano, 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de
Lourdes.
Assina: Papa Leão XIV
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)