31 de julho de 2025
IRÃ EM CRISE

União Europeia designa a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como um grupo "terrorista"

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Por Politica Real com agências
Publicado em
Kaja Kallas chefe da diplomacia da Comissão Executiva da UE Foto: Imagem de streaming/ montagem Política Real

Com agências.

(Brasília-DF, 29/01/2026) Nesta quinta-feira, 29, as ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em designar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como um grupo "terrorista", afirmou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.

"Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a própria destruição", disse ela.

Reunidos em Bruxelas antes da decisão sobre a designação de organizações terroristas, os ministros também votaram pela inclusão de 15 indivíduos e seis "entidades" em uma lista negra com congelamento de bens e proibição de vistos.

"Isso já deveria ter acontecido há muito tempo", disse a presidente da UE, Ursula von der Leyen, elogiando a decisão. "'Terrorista' é de fato como se chama um regime que esmaga os protestos do seu próprio povo com sangue", acrescentou von der Leyen.

Teerã criticou a medida, classificando-a como um "grande erro estratégico".

"Vários países estão atualmente tentando evitar a eclosão de uma guerra total em nossa região. A Europa, em vez disso, está ocupada atiçando as chamas", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em uma publicação no X.

Araghchi afirmou que a UE está "cometendo outro grande erro estratégico ao designar nossas Forças Armadas Nacionais como uma suposta 'organização terrorista'".

O que a inclusão das Forças Armadas na lista de organizações terroristas da UE significa para a Guarda Revolucionária Islâmica? A designação de terrorismo, que é em grande parte simbólica, surge em resposta à brutal repressão aos protestos antigovernamentais no Irã em janeiro, nos quais milhares de pessoas foram mortas.

Embora o Irã admita que mais de 3.000 pessoas morreram durante os distúrbios, as autoridades afirmam que a maioria eram membros das forças de segurança ou civis mortos por "manifestantes violentos" e "terroristas".

Grupos de direitos humanos contestam a versão dos fatos apresentada pelo regime clerical. A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, afirmou que pelo menos 6.373 pessoas — das quais 5.993 eram manifestantes — foram mortas, alertando que muitas outras podem ter morrido nos distúrbios.

Algumas estimativas de grupos de direitos humanos apontam para dezenas de milhares de mortos.

"Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista", disse Kallas a jornalistas antes da reunião.

Kallas, ex-primeiro-ministro da Estônia e atual Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, afirmou que a medida colocaria a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) "no mesmo patamar" que grupos terroristas como a Al-Qaeda, o Hamas e o chamado Estado Islâmico.

Com essa classificação, a UE se junta a países como os EUA, o Canadá e a Austrália, que já haviam aplicado o mesmo rótulo à IRGC.

O que é a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC)?

A IRGC é o braço ideológico das forças de segurança de Teerã. Foi criada após a revolução de 1979 para proteger a liderança clerical e defender a ideologia islâmica xiita do regime e os princípios da revolução.

A força voluntária Basij da IRGC é amplamente considerada crucial para a repressão dos protestos.

A esperada decisão da UE de incluir a Guarda Revolucionária em sua lista negra ocorre depois que a França e a Itália declararam apoio à medida, após terem resistido a ela anteriormente.

 

( da redação com informações da AFP, AP, DPA, DW. Edição: Política Real)