31 de julho de 2025
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Mesmo com a queda da Selic, Brasil tem a segunda maior taxa de juro real do Mundo

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Por Politica Real com agências
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Homem caminha na frente do Banco Central da Turquia, em Ancara Foto: Xinhua

Com agências.

(Brasília-DF, 18/03/2026) Apesar da queda, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juro real entre as principais economias do mundo, atrás apenas da Turquia. Com a decisão do Copom, o juro real brasileiro calculado pelas consultorias econômicas MoneYou e Lev Intelligence será de 9,51% — acima de Rússia e Argentina (ambos com 9,41%).

O juro real revela o custo verdadeiro de um empréstimo ou o retorno verdadeiro de um investimento, pois leva em conta as mudanças de preços ao longo do tempo. Na prática, trata-se do juro nominal descontado da inflação.

No Brasil, a taxa nominal básica da economia é a Selic. Em termos nominais, o Brasil possui a quarta maior taxa do mundo, de 14,75%, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%).

Um dos principais usos das taxas de juros — que é decidida pelas autoridades monetárias — é para conter a alta da inflação.

Argentina e Turquia enfrentam índices de inflação superiores a 30%. Já o Brasil está atualmente com inflação de 3,81% nos últimos 12 meses até fevereiro.

Antes da guerra contra o Irã deflagrada pelos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro, o mercado financeiro brasileiro e até mesmo as autoridades monetárias esperavam que o Brasil fosse entrar em um ciclo contínuo de corte de juros.

Em janeiro, o Copom havia dito que "em se confirmando o cenário esperado" iria dar um início à "flexibilização da política monetária [queda dos juros] em sua próxima reunião" marcada para esta semana.

No entanto, todas as expectativas de queda mais prolongada nos juros mudaram com o conflito — que provocou uma disparada no preço internacional do petróleo. Antes da guerra, o preço referência do barril de petróleo estava abaixo de US$ 80 — agora ele tem sido cotado acima de US$ 100 em vários dias.

Os preços dos combustíveis no Brasil já começaram a subir, sobretudo do diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis subiu mais de 11% no país. Parte desse aumento se deu por conta de um reajuste autorizado pela Petrobras.

Mas autoridades estão investigando se distribuidores e donos de postos estão usando a guerra no Oriente Médio como pretexto para reajustar os valores dos combustíveis. Na terça-feira, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar possíveis condutas abusivas.

O temor do governo é que, se a guerra durar por muito tempo e o preço internacional do petróleo seguir em patamar elevado, a alta de combustíveis no Brasil provoque inflação. Combustíveis são um componente importante no preço de diversos produtos, como alimentos.

"Estamos dizendo em alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada, ao anunciar as medidas do governo.

O governo federal reagiu à subida internacional dos preços com cortes de impostos sobre combustíveis — e também com um apelo para que Estados façam o mesmo com alíquotas regionais. No entanto, até agora, os Estados não anunciaram cortes em tributos.

Já a autoridade monetária, que age de forma autônoma do governo, reage aos cenários de maior expectativa de inflação administrando a taxa básica de juros da economia.

Juros parados no mundo

O Brasil não é o único país do mundo em que a guerra do Irã afetou os juros.

Segundo o ranking elaborado pela MoneYou e Lev Intelligence, entre 40 países analisados, 82,5% mantiveram seus juros, enquanto 7,5% elevaram as taxas e 10% cortaram.

"As perspectivas inflacionárias foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série maior de juros reais negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio, com forte caráter inflacionário", diz o relatório.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (a autoridade monetária americana) cortou as taxas de juros três vezes consecutivas no ano passado — mas na reunião desta quarta-feira decidiu pela manutenção da alíquota inalterada, com intervalo de 3,5% a 3,75%.

O Federal Reserve precisa cumprir duas metas nos EUA: manter a inflação próxima da meta de longo prazo de 2% e garantir o máximo emprego na economia.

Segundo analistas, com a guerra no Oriente Médio causando um aumento nos preços do petróleo, a autoridade americana está com dificuldades de cumprir as duas tarefas.

"O Fed está numa situação muito difícil neste momento", disse a economista do Wells Fargo, Nicole Cervi, à agência de notícias AFP. "Eles precisam escolher qual lado do mandato priorizar, porque não estão atingindo nenhuma das metas."

Nesta quarta-feira, o banco central do Canadá anunciou que manterá sua taxa básica de juros inalterada, em 2,25%, e afirmou que o conflito no Oriente Médio fará subir os preços da gasolina e aumentará a inflação no curto prazo no país.

( da redação com informações da BBC e agências. Edição: Política Real)