Federal Reserve mantém taxa de juros; veja análise feita por economista brasileira
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(Brasília-DF, 28/01/2026) Nesta quarta-feira, 28, o Federal Reserve dos EUA anunciou na quarta-feira que manterá as taxas de juros inalteradas.
O banco central manterá a meta para a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%. O Fed reduziu as taxas três vezes no ano passado.
"Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido", afirmou o banco em comunicado. "A criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego mostrou sinais de estabilização. A inflação permanece um pouco elevada."
Dez dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto votaram a favor da política monetária, com dois votos contrários. Os membros do Conselho de Governadores do Fed, Stephen Miran e Christopher Waller, ambos indicados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foram favoráveis a uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, foi um dos dez membros que votaram a favor da manutenção das taxas inalteradas.
Para impulsionar a economia, o Federal Reserve reduzirá as taxas de juros para estimular o crédito. Em períodos de alta inflação, como observado nos últimos anos, o Fed frequentemente aumentará as taxas para evitar o superaquecimento da economia.
A decisão mais recente surge em meio a uma investigação criminal.
Nos últimos anos, Trump frequentemente criticou Powell por não reduzir as taxas de juros, chamando-o de "tarde demais".
A procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia e aliada de Trump, Jeanine Pirro, iniciou uma investigação criminal contra Powell a respeito das reformas de prédios históricos. Powell afirmou que a investigação foi uma pressão política para influenciar o Fed em relação à política monetária.
O mandato de Powell como presidente termina em 2026. Espera-se que Trump indique seu sucessor para o cargo.
Trump também tentou demitir Lisa Cook, uma governadora do Fed que havia sido indicada por seu antecessor, o presidente democrata Joe Biden. Cook contestou sua demissão e seu caso está sendo analisado pela Suprema Corte dos EUA.
O Fed é independente do governo em exercício e não precisa acatar as exigências do presidente. Powell disse acreditar que o banco manterá sua independência, pois "tem servido bem ao povo".
Análise de FED por Bruna Centeno - economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos
O Banco Central americano faz a manutenção de juros após três cortes realizados no ano passado. Lembrando que essa decisão vem em linha com o que o mercado esperava. Isso reflete além das condições macroeconômicas dos Estados Unidos a própria questão recente do embate de Trump com o Jerome Powell
Então o que é importante lembrar que o mercado ele já começou a trabalhar com essa possibilidade em dezembro de 2025 após a última decisão de juros quando Jerome Powell e o colegiado sinaliza ali no livro Beige que eles não tinham dados atualizados por conta do Shutdown para fazer qualquer modificação em relação aos próximos direcionamentos da taxa de juros. Então eles fizeram um ajuste de 0,25 mas colocava ali esse stand by para as próximas decisões. Então eles até sinalizavam que o que eles tinham de dados mais atualizados mostrava uma inflação para cima com o mercado de trabalho para baixo.
Então que a manutenção seria um horizonte mais esperado. E na reunião agora do dia 28 ali na decisão ele segue esse direcionamento e faz a manutenção no nível de taxa atual estabelecido em dezembro e todo esse movimento de cortes que foi iniciado em setembro ele é pausado. E isso acontece em meia pressões políticas.
Então o Trump tentou fazer esse aceleramento para afrouxar o ambiente monetário porque ele vinha sinalizando que seria extremamente importante para a economia norte-americana. A taxa de juros hoje lá fora mostra e vai ser importante para definir o rumo do capital dos investidores. Então a gente viu uma fuga muito grande em relação aos Estados Unidos também por conta de taxa de juros.
E agora fazendo essa manutenção isso pode fazer com que mais recursos que antes estavam saindo principalmente para as economias emergentes voltem a apostar no ambiente de renda fixa. Então títulos do Tesouro Americano por exemplo como as trágicas podem ser mais atraentes nesse cenário de maior risco. Parte de Bolsa já vem ali com um bom patamar.
A Bolsa lá fora também está com um bom movimento mas países emergentes acaba ficando mais atrativo. Mas o fato é que esse nível de juros volta ali para o investidor ele começar a repensar nesse ambiente de renda fixa. Então o comunicado mostra que a decisão foi uma avaliação da atividade econômica que segue na expansão em um ritmo bastante consolidado enquanto o mercado de trabalho sinalizou com uma estabilização.
Então tanto ali a parte de ganho de emprego ficou mais baixo e taxa de desemprego relativamente estável. E ele destacou também a questão da inflação. No comunicado ele coloca que ela está um pouco elevada e que isso traria um grau de incerteza sobre o cenário econômico ainda bastante elevado.
Então eles optaram por essa cautela para fazer uma manutenção da política monetária. Importante reforçar que em relação a essa decisão ela não foi unânime. E aí é importante também observar que Christopher Waller que foi um dos diretores que está mais alinhado com a política de Trump foi um dos que seguiu na votação para fazer corte.
Então ele votou na reunião de hoje por um corte de 0 25. Só que o fato de não ter sido unânime não foi exclusiva dessa reunião. Então desde setembro do ano passado também não vem tendo essa unanimidade entre os membros.
Então ali na primeira reunião desse ano além de Christopher Waller nós vimos também o Stef Miro também votar por um corte de 0 25. E o mais importante também em relação a isso é que o comunicado não trouxe nenhuma sinalização explícita ou seja clara sobre o novo direcionamento para a próxima reunião. Se a gente vai seguir ali com mais algum cortes na próxima reunião mas ele sinalizou que vai acompanhar ali todo esse movimento e o efeito dessa decisão em relação a uma necessidade de ajustes adicionais.
Então acaba de sinalizando que pode ser que venha mais uma manutenção a depender dos dados econômicos do balanço de risco
( da redação com informações da DW e assessoria. Edição: Política Real )