A pedido dos Estados Unidos, Conselho de Seguranças da ONU discute situação “explosiva” no Irã
Veja mais
Publicado em
(Brasília-DF, 15/01/2025) Nesta quinta-feira, 15, o Conselho de Segurança das Naçõees Unidas debateu a situação no Irã e as potenciais implicações para a paz e a segurança internacionais. O encontro ocorre após semanas de protestos no país.
Convocada, a pedido dos Estados Unidos, a reunião de emergência foi motivada por relatos de que centenas de pessoas foram mortas, feridas ou detidas ao participar de manifestações contra o governo iraniano.
Preocupação com eventuais ataques militares
Ao falar ao Conselho de Segurança, a secretária-geral assistente da ONU para África afirmou que “a situação no Irã é instável e profundamente preocupante”.
Martha Pobee disse que a ONU está alarmada com “diversas declarações públicas que sugerem possíveis ataques militares contra o Irã”. Para ela, essa dimensão externa adiciona instabilidade a uma situação já “explosiva.”
Bloqueio das comunicações e uso excessivo da força
Segundo agências de notícias, os protestos no Irã foram motivados pelo aumento dos preços dos alimentos e pela desvalorização da moeda, e desencadearam uma repressão violenta e generalizada.
A secretária-geral assistente explicou que, em 28 de dezembro, um grupo de comerciantes no Grande Bazar de Teerã se reuniu para protestar contra a forte desvalorização do Rial iraniano e a inflação crescente, em meio a uma crise econômica generalizada e à piora das condições de vida.
Embora inicialmente pacíficos, os protestos se espalharam por Teerã e outras grandes cidades na noite de 8 de janeiro. Em resposta, as autoridades iranianas impuseram um bloqueio quase total das comunicações, que permanece em vigor em grande parte do país.
Pobee adicionou que as autoridades também ordenaram a evacuação dos dormitórios universitários, ergueram barreiras de concreto ao redor dos centros das cidades e, segundo relatos, usaram força excessiva contra os manifestantes.
Prisões em massa
O governo do Irã declarou que agiu para conter "terroristas organizados" que se infiltraram nos protestos e dispararam contra a polícia e outros manifestantes com o objetivo de “provocar uma intervenção militar estrangeira”.
Organizações de direitos humanos relatam prisões em massa em conexão com a atual onda de protestos, com estimativas que superam 18 mil detidos em meados de janeiro, embora a ONU não consiga verificar esses números.
A ONU pediu investigações independentes sobre todas as mortes e se manifestou contra a possível aplicação da pena de morte para os manifestantes.
( da redação com informações da Agência ONU News. Edição: Política Real)