Mercado avalia os números do IPCA de 2025 e o que esperar de 2026
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Com agências
(Brasília-DF, 09/01/2025) Os agentes de mercados começam a enviar “paper” sobre uma avalição do IPCA de dezembro de 2025, divulgado pelo IBGE e fazem projeções sobre 2026.
O IPCA de 2025 não trouxe revisão para a inflação deste ano, entendem alguns agentes. Espera-se inflação em 4,5%, com balanço de riscos ligeiramente baixista ( em - 20bps)
Hoje ,9, foi divulgada o IPCA de dezembro, em 0,33% na leitura mensal e 4,26% no acumulado de 2025. O número veio ligeiramente acima da expectativa da Warren Rena em 0,30% e em linha com a mediana da Bloomberg em 0,33%.
Entre os grupos de maior atenção, destaca-se a aceleração de alimentação. O grupo confirmou as expectativas e avançou fortemente de -0,01% para +0,27% (pouco abaixo de nossa projeção de +0,32%), impulsionado principalmente por alimentação no domicílio (+0,14%). As principais contribuições partiram da forte alta dos alimentos in natura, com destaque para batata-inglesa (+7,65%), cebola (+12,01%) e mamão (+7,85%), bem como das carnes (+1,48%), refletindo o aumento da demanda pelas festas de final de ano. No acumulado do ano, alimentação no domicílio apresentou alta de +1,43%, mais fraca em relação a 2024, quando subiu +8,23%.
No grupo habitação, houve queda para -0,33% (frente a +0,52% em novembro), influenciada por energia elétrica (-2,41%), efeito da mudança da bandeira vermelha 1 para amarela em dezembro.
Destacamos também os grupos afetados pela devolução dos descontos concedidos durante a Black Friday. Os artigos de residência inverteram seu sinal, de -1,00% em novembro para +0,64% em dezembro. Destaque também para os aparelhos eletroeletrônicos, que subiram de -2,37% para +0,81%. Itens de cuidados pessoais (de -1,07% para -0,52%) também incorporaram esses efeitos, com altas de perfume (+0,80%), produto para pele (+0,37%) e artigos de maquiagem (+2,27%). Entretanto, parte dessas altas foi provavelmente mitigada por novos descontos de Natal no final de dezembro. Ressaltamos que o remanescente das devoluções dos descontos deverão impulsionar os preços para cima em janeiro.
Para os transportes, houve aceleração para +0,74% em dezembro (ante +0,22% em novembro). Pressões altistas partem de passagem aérea (+12,61%, efeito da sazonalidade das férias de final de ano), transporte por aplicativo (+13,79%), metrô (+4,11%), com o reajuste das tarifas em SP, e gasolina (+0,18%, que inverte sua queda decorrente da redução de preços promovida pela Petrobras a partir de 21 de outubro). Em contrapartida, vimos alívio nas tarifas de ônibus urbano (-2,63%), graças às gratuidades concedidas aos domigos e festas de fim de ano em algumas capitais.
Assim, os preços Administrados retraíram-se de 0,21% para -0,22%, fechando 2025 com alta de 5,28%. Já os Bens Industriais avançaram de -0,29% para +0,48%, com +2,39% no acumulado do ano.
Em serviços subjacentes, houve aceleração para +0,56% (ante +0,30%); sua média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada indica trajetória de reaceleração. A alimentação fora do domicílio registrou +0,60%, enquanto despesas pessoais cederam para +0,36% (de +0,77%). Destacamos também os serviços intensivos em trabalho, que subiram de 0,61% para 0,76%. Sua medida dessazonalizada na média móvel de 3 meses subiu para +8,1%, ante +6,7% na leitura anterior, revertendo a trajetória mais benigna observada nos últimos meses.
Os núcleos não dessazonalizados avançaram na leitura mensal para +0,46% e permaneceram em níveis elevados, acumulando alta de 4,61% em 2025. Sua medida dessazonalizada apresentou movimento lateralizado em relação à leitura anterior.
Em síntese, o IPCA de dezembro veio em linha com a mediana tanto no qualitativo como no headline, com núcleos em 0,43% MoM e 4,61% YoY. Serviços subjacentes e intensivos em mão de obra indicam trajetória de reaceleração, o que já era esperado por nós.
Agentes de mercado estimam IPCA em 4,5% para 2026, com balanço de riscos altista.
Números da projeção de curto prazo:
• IPCA de janeiro 0,48% risco: em gasolina e carnes e ICMS SP
• IPCA de fevereiro 0,52% risco: mensalidade escolar mais perto de 5% e desconto forte da semana do cinema
• IPCA de março 0,35% risco: semana do cinema
( da redação com informações da warren investimentos. Edição: Política Real)