Aliados da Ucrânia acordam medidas, França e Reino Unidos anunciam enviar tropas para Ucrânia após cessar fogo
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Com agências.
(Brasília-DF, 06/01/2026). Nesta terça-feira, 06, aliados ocidentais da Ucrânia concordaram com um arcabouço de garantias internacionais de segurança destinado a dissuadir qualquer futura agressão russa a Kiev. Elas incluem um mecanismo de monitoramento liderado pelos EUA e uma força multinacional europeia que seria destacada após um cessar-fogo na guerra com a Rússia.
Reunidos em Paris, líderes da Europa e do Canadá juntaram-se a representantes dos Estados Unidos e a altos funcionários da União Europeia e da Otan para delinear como a Ucrânia poderia ser protegida após um eventual cessar-fogo. Representantes de mais de 30 países estiveram reunidos na cúpula.
Os participantes definiram como a dissuasão poderia funcionar na prática. As opções incluem a continuidade do apoio militar e a possível implantação de forças em terra, mar e ar..
Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, essa força deve "aportar uma forma de garantia no dia seguinte ao cessar-fogo. Sua implementação real, contudo, depende não apenas de um cessar-fogo mas também da aprovação doméstica da proposta nos países envolvidos.
Acordo prevê cinco prioridades
Cinco prioridades pós-combates foram definidas na cúpula: monitorar um cessar-fogo; apoiar as forças armadas da Ucrânia; implantar uma força multinacional em terra, no mar e no ar; definir como responder caso a Rússia ataque novamente; e estabelecer cooperação de defesa de longo prazo com a Ucrânia.
Os países concordaram que forças armadas ucranianas permaneceriam como a "primeira linha de defesa e dissuasão", com parceiros comprometendo-se com assistência militar e fornecimento de armamentos de longo prazo, mesmo após o fim dos combates.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que o Reino Unido e a França "estabelecerão centros militares em toda a Ucrânia e construirão instalações protegidas para armas e equipamentos militares, a fim de apoiar as necessidades defensivas da Ucrânia".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, indicou que a Alemanha também poderia fazer parte de uma força multinacional com tropas alocadas na Ucrânia.
"A Alemanha continuará contribuindo política, financeira e militarmente. Isso poderia incluir, por exemplo, o envio de forças para a Ucrânia em território vizinho da Otan após um cessar-fogo", disse Merz após uma reunião dos aliados da Ucrânia em Paris.
Ele disse que os parceiros trabalharão para assumir compromissos vinculantes de apoio a Kiev no caso de qualquer futuro ataque russo.
No entanto, o tamanho, a estrutura e o financiamento de quaisquer forças de apoio não foram divulgados, e muitos elementos ainda precisam ser negociados.
Qualquer envio de tropas europeias enfrentaria obstáculos políticos e exigiria aprovação de parlamentares em muitos países. Por isso, nenhuma implantação imediata de tropas foi anunciada.
O grupo também se comprometeu a monitorar um eventual cessar-fogo sob a liderança dos EUA.
Zelenski vê avanço nas negociações
O enviado dos EUA Steve Witkoff disse que os Estados Unidos "apoiam firmemente" as garantias de segurança discutidas, sem detalhar o que Washington forneceria em termos militares.
O presidente ucraniano Volodimir Zelenski viu avanço nas negociações, mas ressaltou que os compromissos ainda precisam ser ratificados por cada país antes de serem implementados.
"Determinamos quais países estão prontos para assumir a liderança nos elementos das garantias de segurança em terra, no ar e no mar, e na reconstrução", disse Zelenski. "Determinamos quais forças são necessárias. Determinamos como essas forças serão operadas, e em que níveis de comando."
Segundo Zelenski, os detalhes de como o monitoramento funcionará ainda precisam ser definidos, assim como o tamanho e o financiamento do Exército ucraniano. Ele argumentou que "nem todos estão prontos" para enviar forças e observou que o apoio também pode vir por meio de armas, tecnologia e inteligência.
A Rússia tem insistido que não assinará um cessar-fogo que inclua envio de tropas da Otan para o território ucraniano. Até o momento, o Kremlin não comentou o resultado da cúpula de Paris.
( da redação com informações de agências internacionais, DW, AFP, AP. Edição: Política Real)