31 de julho de 2025
Mundo e Poder

Lula, na abertura do IV Fórum CELAC, diz que a China tem papel decisivo para construir rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão na América Latina

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( Publicada originalmente às 08h 53 do dia 13/05/2025) 

Com agências e assessoria.

(Brasília-DF, 14/05/2025) Na manhã desta terça-feira,13, lá em Pequim, na China, que fica 11 adiante de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discursou na sessão de abertura do IV Fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

Lula destacou a importância da integração da China com os países sul-americanos e caribenhos para o desenvolvimento da região.

“Isso fica evidente sobretudo na área de infraestrutura. O apoio chinês é decisivo para tirar do papel rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão. Mas a viabilidade econômica desses projetos depende da capacidade de coordenação de nossos países para conferir a essas iniciativas escala regional”, destacou o presidente brasileiro.

“O Fórum CELAC-China comemora seu décimo aniversário este ano. Ao longo dessa década, os laços entre a América Latina e o Caribe e a China se fortaleceram. A China já é o segundo maior parceiro comercial da CELAC e um dos mais importantes investidores diretos na região. Recursos oriundos de instituições financeiras chinesas superam créditos oferecidos pelo Banco Mundial ou pelo BID. A parceria com a China é um elemento dinâmico para a economia regional”, frisou Lula.

Momento

Lula lembrou ainda o papel que a China teve no crescimento da América do Sul e do Caribe, além da importante participação do país no desenvolvimento de vacinas e insumos durante a pandemia do Covid-19. Para ele, reforçar a articulação entre todos esses atores permitirá a todos aproveitar na plenitude o potencial dessa relação. “A demanda chinesa foi um dos propulsores do crescimento que experimentamos no início do século. Obtivemos avanços expressivos na redução da pobreza e da desigualdade. Foi nesse momento que finalmente olhamos para nosso entorno e nos unimos para criar a UNASUL e a CELAC. Só com maior articulação entre nós conseguiremos aproveitar ao máximo o potencial de cooperação sino-latino-americana e caribenha”, afirmou Lula.

Indústria

O presidente do Brasil também ressaltou que a relação entre a CELAC e a China deve resultar em um fortalecimento das indústrias nos países sul-americanos e caribenhos, inclusive no campo da Inteligência Artificial. “Para construir um futuro compartilhado, é necessário reduzir as assimetrias entre os países. É imprescindível que a colaboração entre a CELAC e a China contribua para fortalecer a indústria e a inovação na região. A revolução digital não pode criar um novo abismo tecnológico entre as nações. O desenvolvimento da Inteligência Artificial não deve ser um privilégio de poucos”, disse.

COP 30

Lula, ao trata de mudanças climáticas, reforçou que a união entre os atores envolvidos no IV Fórum CELAC-China pode mandar uma mensagem muito clara para o planeta no que diz respeito a um modelo que alie crescimento e preservação do meio ambiente. “A América Latina e o Caribe e a China podem mostrar ao mundo que é possível conter a mudança do clima sem abdicar do crescimento econômico e da justiça social. A COP30, na Amazônia, no estado do Pará, na cidade de Belém, no coração da Amazônia, almeja ser um ponto de virada na implementação dos compromissos climáticos, estabelecendo a confiança em soluções coletivas”, previu.

Multilateralismo

Lula voltou a defender o papel do multilateralismo e disse que a América Latina e o Caribe podem ajudar a estabelecer um novo marco na história da Organização das Nações Unidas, momento em que foi aplaudido durante seu discurso. “A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas sim aperfeiçoá-lo. A América Latina e o Caribe podem contribuir elegendo a primeira mulher Secretária-Geral da ONU e honrando, assim, o legado da Conferência de Pequim sobre os direitos das mulheres”, defendeu Lula. “A governança global já não espelha a diversidade que habita a Terra. Esse anacronismo tem impedido que se cumpra o propósito de evitar o flagelo da guerra, inscrito na Carta das Nações Unidas.”

O FÓRUM – O IV Fórum CELAC-China (FCC) é uma plataforma de cooperação intergovernamental entre países em desenvolvimento, que serve de vetor de promoção dos interesses do Sul Global. O encontro insere-se na agenda externa da CELAC, que inclui, também, diálogos regulares com União Europeia, União Africana, Conselho de Cooperação do Golfo, Índia e Turquia.

O IV Fórum CELAC-China abriu o segundo dia de compromissos oficiais de Lula e da comitiva brasileira em Pequim. Na segunda-feira ,12, o líder brasileiro teve uma agenda cheia de compromissos, que resultaram em diversos anúncios de investimentos e na assinatura de acordos.

Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e chegou, em 2023, ao recorde de US$ 157,5 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 104,3 bilhões, importações de US$ 53,1 bilhões e superávit para o Brasil de US$ 51,14 bilhões. As exportações brasileiras para a China foram superiores à soma das vendas do país para os Estados Unidos (US$ 36,9 bilhões) e para a União Europeia (US$ 46,3 bilhões). Além do Brasil, a China destaca-se por ser o principal parceiro comercial de grande parte dos países da América Latina e do Caribe e, cada vez mais, um importante investidor, especialmente em infraestrutura. A robusta agenda de cooperação do Fórum CELAC-China não se limita a temas econômico-comerciais e inclui cooperação em assuntos como educação, inovação, transição energética, clima, inteligência artificial, combate aos crimes internacionais, desastres naturais e segurança alimentar.

O relacionamento entre Brasil e China é marcado por um alinhamento que vai além da esfera bilateral. As duas nações têm mantido diálogo em mecanismos como BRICS, G20, OMC e BASIC (articulação entre Brasil, África do Sul, Índia e China na área do meio ambiente). Neste sentido, a visita de Lula permitirá que o presidente brasileiro e o presidente chinês, Xi Jinping, com quem Lula se reúne ainda nesta terça-feira (13/5) na Residência Oficial de Zhongnanhai, explorem sinergias entre suas políticas de desenvolvimento e programas de investimento e estreitem a coordenação sobre tópicos regionais e multilaterais – inclusive em relação ao G20, ao BRICS e às conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), que neste ano será realizada em Belém (PA), em novembro.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real).