Daniel Noboa é reeleito presidente do Equador; candidata da oposição, Luisa González, fala em fraude
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( Publicada originalmente às 23h 35 do dia 13/04/2025)
Com agências.
(Brasília-DF, 14/04/2025) Neste domingo, 13, no meio da noite no Brasil, foi anunciado que o presidente do Equador, Daniel Noboa, foi reeleito em uma disputa contra a candidata da oposição, Luisa González.
Segundo os resultados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 90% dos votos apurados, Noboa tinha 56% dos votos contra 44% de González.
"Com mais de 90% dos votos apurados, há uma tendência irreversível nos resultados. A autoridade eleitoral acredita que a dupla vencedora é a equipe do ADN (Ação Democrática Nacional), formada por Daniel Noboa e Maria José Pinto", disse Diana Atamaint, presidente da CNE.
González, porém, não aceitou os resultados. A candidata concorre pelo partido Revolução Cidadã.
"A Revolução Cidadã sempre reconheceu a derrota quando as estatísticas o demonstram. Hoje, não reconhecemos os resultados apresentados pelo CNE", disse González aos seus apoiadores.
"Vamos pedir uma recontagem e a reabertura das urnas", acrescentou a líder da oposição, que disse que o país enfrenta "a maior e mais grotesca fraude que nós, equatorianos, já vimos".
Ela acrescentou que não acredita na ampla liderança alcançada por Noboa em uma eleição que, segundo as pesquisas, era esperada como acirrada.
Trajetória
Aos 37 anos, Noboa tem o desafio de combater o crime organizado e reavivar a economia do país - dois temas vistos por muitos como pontos fracos de sua gestão.
"Em 2023, havia uma falta generalizada de conhecimento sobre quem era Daniel Noboa", disse a analista de comunicação política Caroline Ávila à BBC Mundo, o serviço da BBC em espanhol.
Vindo de uma influente família empresarial, Noboa havia feito sua estreia política como deputado apenas dois anos antes, e seu avanço para o segundo turno foi considerado uma surpresa na época.
No entanto, com uma imagem nova e um discurso focado na segurança, ele conseguiu atrair o voto crítico ao ex-presidente Rafael Corea e se projetar como uma figura de renovação.
"Noboa, que estava perdendo por cerca de 10 pontos, conseguiu subir e chegar ao topo porque conseguiu catapultar todo o movimento anticorreísmo para sua proposta. E seus rivais da Revolução Cidadã sabiam que no segundo turno todos seriam contra o correísmo. Isso basicamente aconteceu em 2023", diz Ávila.
A situação foi muito diferente neste segundo turno: Noboa chegou à votação com o desafio de defender seu governo após quase 18 meses no poder.
O desgaste, as promessas não cumpridas e as decisões polêmicas mudaram seu perfil junto ao eleitorado, segundo Caroline Ávila.
Os estágios iniciais de sua administração foram marcados por alta popularidade atribuída à sua resposta à crise de segurança, que declinou gradualmente à medida que os resultados não surgiam.
Nesse contexto, Noboa tentou se reposicionar, com uma campanha focada em reforçar seu perfil como um líder forte diante da possibilidade de um retorno do socialismo à política equatoriana.
"Apesar de ser um presidente com resultados muito ruins e um personagem com pouco carisma, ele mantém um apoio significativo graças à sua equipe de campanha e ao uso do aparato estatal", disse o cientista político Andrés Chiriboga à BBC Mundo.
Chiriboga também destaca o apoio que Noboa conquistou entre setores-chave do poder: "Ele tem o apoio dos mais altos funcionários das forças de segurança e do judiciário e cultivou um relacionamento muito próximo com os Estados Unidos."
O presidente equatoriano viajou aos Estados Unidos no final de março para se encontrar com o presidente Donald Trump em sua residência em Mar-a-Lago.
O encontro foi interpretado como um incentivo para Noboa, que conseguiu transmitir ao público que, graças ao seu relacionamento cordial com Trump, o Equador não seria um dos principais alvos da cruzada tarifária do presidente americano.
( da redação com agências. Edição: Política Real)