31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Jair Bolsonaro, em ato na Paulista, diz que só um psicopata viu tentativa de golpe no 8 de janeiro e diz que eleições em 2025 “sem Jair Bolsonaro é negar a democracia”

Segundo Monitor do Debate Político da USP, 45 pessoas estiveram na manifestação da Av. Paulista

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( Publicada originalmente às 16h 00 do dia 06/04/2025) 

(Brasília-DF, 07/04/2025)   Neste domingo, 6, à tarde, como tinha sido amplamento divulgado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de ato na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-mandatário voltou a repetir acusações de perseguição política e pediu apoio internacional

Além de Bolsonaro, participaram do ato sete governadores de direita alinhados com o bolsonarismo: Tarcísio de Freitas (São Paulo); Romeu Zema (Minas Gerais); Ratinho Junior (Paraná); Wilson Lima (Amazonas); Ronaldo Caiado (Góias); Mauro Mendes (Mato Grosso); e Jorginho Mello (Santa Catarina). O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também participou.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu uma "anistia humanitária" aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Jair Bolsonaro, em seu discurso, chamou ao trio elétrico a mãe e a irmã de Débora Rodrigues, cabeleireira que ficou presa por dois anos por participação na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar. Ela se tornou especialmente conhecida por ter pichado a estátua da Justiça em frente ao STF nos ataques do 8 de janeiro.

"Não tenho adjetivo para qualificar quem condena uma mãe de dois filhos a uma pena não tão absurda por um crime que ela não cometeu. Só um psicopata para falar que aquilo que aconteceu no dia 8 de janeiro foi uma tentativa armada de golpe", disse Bolsonaro, durante seu discurso.

Bolsonaro ainda ensaiou uma fala em inglês em um trecho do discurso, dizendo ter esperanças de obter ajuda do exterior - no que pareceu um pedido dirigido ao presidente americano Donald Trump.      

Esta foi a primeira grande manifestação bolsonarista depois que o STF aceitou denúncia contra o ex-presidente e outras sete pessoas pelos crimes de tentativa de abolição do Estado democrático de direito e golpe de Estado. A decisão do STF marcou a primeira vez que um ex-presidente eleito foi colocado no banco dos réus por crimes contra a ordem democrática estabelecida com a Constituição de 1988

O ato deste domingo reuniu cerca de 45 mil pessoas, segundo uma contagem feita pelo Monitor do Debate Político, vinculado à Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP). O número é inferior aos cerca de 185 mil

manifestantes que compareceram à Avenida Paulista em fevereiro do ano passado também para pedir pela anistia aos presos pelo 8 de Janeiro, mas superior aos cerca de 18,5 mil que compareceram ao ato convocado por Bolsonaro em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de março.

Durante o discurso, Bolsonaro relembrou sua viagem aos Estados Unidos no fim de 2022 e insinuou que sua saída teria impedido sua prisão.

"O golpe deles só não foi perfeito porque no dia 30 de dezembro saí do país. Algo me avisou. Se eu estivesse aqui em 8 de janeiro, estaria apodrecendo até hoje ou até assassinado", afirmou.

Ele também citou o filho Eduardo Bolsonaro, atualmente licenciado do cargo de deputado federal e morando nos EUA. Segundo o ex-presidente, Eduardo mantém contatos internacionais em busca de apoio político. "Tenho esperança que de fora venha alguma coisa para cá", disse, sem apresentar detalhes. Um dos nomes mencionados foi o do presidente americano, Donald Trump.

Inelegível até 2030, Bolsonaro criticou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A condenação se deu após uma reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em julho de 2022, onde o então presidente fez ataques sem provas ao sistema eleitoral. O evento foi transmitido pela TV oficial do governo.

"Eleições em 2026 sem Jair Bolsonaro é negar a democracia, é escancarar a ditadura no Brasil."

No mês passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou por unanimidade denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bolsonaro réu por tentativa de golpe. Outros sete aliados também passaram a responder criminalmente no caso.

A tentativa de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de janeiro de 2023 tem enfrentado resistência da maioria da população. Pesquisa divulgada neste domingo pela Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, mostra que 56% dos brasileiros se dizem contra a anistia. Outros 34% são favoráveis, enquanto 10% não souberam ou não responderam. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 27 e 31 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

( da redação com Sputnik News e Dw. Edição: Política Real)