Lula, em coletiva antes de deixar Hanói, acaba por dizer que Donald Trump está no caminho certo em colocar Rússia e Ucrânia e critica Europa; veja mais pontos da entrevista antes de voltar para o Brasil
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( Publicada originalmente às 11h 09 do dia 29/03/2025)
(Brasília-DF, 31/03/2025) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração à imprensa, nacional e internacional, ao final da visita de Estado que fez no Vietnã disse que que sucesso da viagem à Ásia reforça importância de parcerias, do livre-comércio e do multilateralismo e enfatiza que o Brasil deve seguir mostrando ao mundo suas qualidades.
Ele falou sobre diversos assuntos e temas mas chamou atenção ao ser questionado sobre o momento no conflito entre Rússia e Ucrânia, ele lembrou que sempre defendeu que os dois países sentassem para discutir e encontrar uma solução para a guerra e acbou elogiando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fazendo críticas a Europa.
“Eu poderia ser radical contra o Trump, mas à medida que o Trump toma a decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o Biden deveria ter tomado, eu sou obrigado a dizer que, neste aspecto, o Trump está no caminho certo”, reconheceu o brasileiro.
Ele fez críticas a Europa que sempre ficou do lado da Ucrânia e não dava oportunidade para o diálogo.
“Qual o problema da Europa? Durante quase três anos, quando a gente falava que era preciso juntar o Putin e o Zelensky, a Europa dizia ‘não! Temos que negociar só com o Zelensky!’ Agora que o Trump começou a conversar com o Putin, a Europa não quer ficar de fora e quer que o Zelensky entre”, comentou. “E eu acho que tem que entrar! A conversa para ter paz é colocar Putin e Zelenksy, em torno de uma mesa, com quem eles convidarem para participar, parar de atirar, começar a comida e discutir paz”, concluiu
Sobre a estada na Ásia
“Nós vamos continuar andando o mundo porque temos o que oferecer. Quem tem que vender as coisas do Brasil é o Brasil. É o Brasil que tem que mostrar suas qualidades e as coisas que acha que o mundo tem que comprar”, disse Lula durante entrevista coletiva de imprensa antes de decolar de Hanói com destino ao Brasil,
Veja alguns pontos da entrevista coletiva:
Multilateralismo e livre-comércio
"Eu faço questão de dizer em todo lugar que vou que o país não é melhor do que ninguém, mas não é pior do que ninguém. E faço questão de mostrar esse Brasil novo, que não tem ódio, não é negacionista, tem respeito aos parceiros de todos os países e de que estamos mostrando que não há nada melhor para um país como o Brasil do que apostar no multilateralismo. Somos favoráveis ao livre-comércio, não queremos protecionismo. A gente quer vender as coisas boas que o país produz em qualquer país do mundo. O Brasil não está isolado no planeta Terra, a gente está ligado por terra e por mar e pelo ar, todo mundo respira o mesmo ar, todo mundo utiliza o mesmo mar, e todo mundo tem menos terra do que água, então achamos que uma boa parceria entre os países é muito importante".
COP30
"Eu digo sempre para as pessoas: não fiquem olhando a nossa COP como se a gente estivesse em Paris, Nova Iorque ou Londres. Olhem como se a gente estivesse na cidade de Belém, no Pará, com todos os problemas que temos. Fazer uma COP no coração da Amazônia é chamar o mundo à razão sobre o significado da Amazônia. Todo mundo fala da Amazônia, mas pouca gente conhece, e a gente quer mostrar ela do jeito que é, para as pessoas compreenderem que para manter a floresta em pé é preciso que haja financiamento dos países ricos que já depredaram e degradaram o mundo".
Compromisso
"Já mandei carta a muitos países convidando para a COP30. Quero que participem as pessoas mais importantes, porque muitas vezes os países ricos não estão levando a sério a questão climática. O protocolo de Kyoto nunca foi cumprido. O Acordo de Paris muitos estão negando. No caso do Brasil, vamos levar a sério. É por isso que não dependemos de ninguém para assumir o compromisso de que até 2030 a gente vai ter desmatamento zero. É por isso que a gente está assumindo o compromisso de que, embora a gente tenha uma empresa como a Petrobras, estamos apostando na transição energética, porque achamos que, quanto mais a gente tiver produção de energia limpa, mais chance a gente tem de ir diminuindo o uso de combustível fóssil".
Vietnã - Mercosul
"É importante a gente entender que podemos ser uma porta de entrada para o Vietnã na América Latina e na América do Sul. Para nós, é importante tentar levar o Vietnã para o acordo com o Mercosul. É importante que o Vietnã seja uma porta de entrada para o Brasil na ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Só isso já valia a pena eu ter feito a visita. E também porque temos concordância com o Vietnã no multilateralismo e na necessidade de melhorar a governança das Nações Unidas. Nós concordamos que a Nações Unidas, hoje, não representa mais aquilo que ela representou em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial".
Carne, aviões e comércio
"O Japão e o Vietnã são mercados importantes para a carne brasileira. A carne brasileira melhorou na quantidade e melhorou na qualidade. Portanto, hoje, a gente não deve para ninguém qualidade. Mas não é apenas isso, nós queremos vender tudo aquilo que for inteligência que o Brasil possa oferecer. Estamos discutindo a necessidade de fazer com que a Embraer possa vender aviões aqui. Alguns não, uma perspectiva de 50 aviões. O Vietnã pode ser um ponto de partida para que aviões da Embraer de 150 passageiros possam ter acesso ao mercado extremamente importante do ponto de vista político e do ponto de vista econômico (da ASEAN). Nós queremos que as empresas brasileiras voltem a construir o mundo. O Brasil tem que competir. E, se depender de mim, as empresas brasileiras voltam a construir pontes, estradas, rodovias, ferrovias, hidrelétricas mundo afora".
Japão
"O Brasil tem uma relação desde 1908 com o Japão, são 130 anos de relação diplomática. Já tivemos 17 bilhões de fluxo de comércio exterior. Por que caiu para 11? Nós temos que descobrir o porquê. Então esse é o papel do Presidente da República: além de cuidar dos interesses internos do Brasil, cuidar dos interesses internos cuidando dos interesses externos, porque os interesses externos podem facilitar a entrada de dólares para o Brasil, para indústria brasileira, a agricultura brasileira".
Tarifas norte-americanas
"O Brasil vai tentar negociar ao máximo. Todas as palavras que estão no nosso dicionário de negociação nós iremos utilizar. Mas nós não teremos nenhuma preocupação de recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio), que é o lugar onde todos os problemas comerciais deveriam ser resolvidos. Se não for resolvido, temos o direito de impor reciprocidade aos Estados Unidos. É simples assim. Não tem nenhuma dificuldade".
( da redação com informações de Youtube e Ag. Gov. Edição: Política Real)