Bolsonaro, após confirmação da denúncia pelo STF, faz longa fala e acaba confirmando que discutir um hipotético decreto(de golpe) não é crime, mas depois desconversou.
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( Publicada originalmente às 16h 50 do dia 26/03/2025)
(Brasília-DF, 27/03/2025) O ex-presidente Jair Bolsonaro, após a confirmação pela Primeira Turma do STF da denúncia por tentativa de golpe ao ex-presidente Jair Bolsonaro, falou à imprensa por 41 minutos. Foi um pronunciamento, ele acabou não aceitando perguntas. Ele, dessa vez, não foi ao plenário da Primeira Turma do STYF, assistiu a transmissão da parte final do julgamento no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, no Anexo I do Senado Federal.
O ex-presidente Jair Bolsonaro tentou se defender negando que tenha articulado a minuta para um golpe com os comandantes das Forças Armadas para suspender as eleições de 2022, conforme sustenta a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Antes de uma hipotética assinatura de um decreto de um Estado de Defesa, como está no artigo 136 da Constituição, o presidente da República tem que convocar os conselhos da República e da Defesa. Aí seria o primeiro passo. Não adianta botar um decreto na frente do presidente e assinar. Não convoquei os conselhos, nem atos preparatórios houve para isso”, destacou o ex-presidente, inicialmente mas ele acabou falando mais.
O ex-presidente voltou a sugerir, sem provas, que as urnas eletrônicas não são seguras, afirmou que é um perseguido e criticou o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A denúncia da PGR contra Bolsonaro sustenta que o ex-presidente realizou uma reunião no dia 7 de dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada, com os comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha, onde teria sido apresentada a minuta do golpe para suspender as eleições, o que consolidaria uma ruptura democrática na visão do Ministério Público.
A denúncia afirma que o comandante da Marinha, Almir Garnier, teria topado o golpe, sendo a proposta rejeitada pelos demais comandantes. Ainda segundo a PGR, Bolsonaro tinha um discurso pronto para após o golpe encontrado na sala dele na sede do Partido Liberal (PL).
Ao comentar o julgamento que o tornou réu, o ex-presidente Bolsonaro argumentou que os comandantes militares jamais embarcariam em uma “aventura” de golpe de Estado. Disse ainda que “discutir hipóteses de dispositivos constitucionais não é crime”, em referência à minuta de Estado de Sítio ou de Defesa que tem sido interpretada pela PGR com o ato decisivo para o golpe de Estado.
Nesse momento, um jornalista questionou: “Então o senhor discutiu [sobre o decreto]?”. Após encarar o repórter, Bolsonaro disse que não iria “sair do sério”.
“Acho que a maioria já aprendeu aqui como é que eu ajo. Se quiser tumultuar com você, vamos embora”, retrucou. Durante seu governo, era comum o ataque do então presidente a jornalistas nas coletivas de imprensa.
( da redação com informações de redes sociais e Ag. Brasil. Edição: Política Real)