31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Alexandre Padilha defende fim da tabela SUS e acabar com a demora na fila de procedimentos cirúrgicos no sistema SUS

Veja a íntegra do discurso

Publicado em
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( Publicada originalmente às 17 h 52 do dia 10/03/2025) 

(Brasília-DF, 11/03/2025) O ministro Alexandre Padilha fez uma fala de posse como novo ministro da Saúde fazendo um longa agradecimento, especialmente pelo trabalho à frente do Ministério das Relações Institucionais (SRI), a chamada “Articulação Política” do Governo. 

Quanto a área de Saúde, ministério que já ocupou na Gestão Dilma Rousseff, criou o chamado “Mais Médicos”, ele defendeu que terá uma obsessão para reduzir o tempo de espera para as pessoas que buscam atendimento especializado.

“Volto para o Ministério da Saúde ainda mais cheio de energia do que da primeira vez. Chego ao Ministério da Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado. Todos os dias vou trabalhar para buscar o maior acesso e menor tempo de espera.”, disse.

Mais adiante ele falou que vai acabar com a chamada Tabela SUS.

“Teremos a coragem e ousadia necessárias para superar esse modelo e enterrar, de uma vez por todas, a tabela SUS.” , disse.

 

 

Veja a íntegra da fala de Alexandre Padilha:

 

Quero saudar e agradecer profundamente as ins2tuições

que me formaram como profissional e me prepararam para

este desafio – a Unicamp, onde me graduei e concluí meu

doutorado em Planejamento e Gestão de Saúde e colaboro

até hoje com o departamento de saúde coletiva da

faculdade de Ciências Médicas, e a USP , onde me tornei

infectologista, supervisor coordenador do Núcleo de

Medicina Tropical em Santarém e médico do Centro

Especializado de Imunização e Medicina do Viajante do HC.

Hoje saúdo também as ins2tuições onde tenho podido

contribuir para a formação de novas gerações de

profissionais comprome2dos com a saúde do povo

brasileiro. Em nome dos meus alunos, cumprimento todos

os jovens que dedicam sua formação e dedicarão seu

trabalho ao sistema brasileiro de saúde.

 

Amanhã, 11 de março, completam-se cinco anos desde

que a OMS declarou a pandemia de Covid-19. Não fosse

pela dedicação e resiliência dos trabalhadores e

pesquisadores da saúde e das ins2tuições de pesquisa

brasileira, a negligência deliberada do governo anterior

teria nos custado ainda mais que as inesquecíveis 700 mil

vidas de brasileiros.

 

A resposta do Ministério da Saúde da época era conflito; a

do então Presidente da República era escárnio.

Foi esse cenário de negação da ciência e de desrespeito à

vida que a minha amiga Nísia Trindade encontrou ao

assumir o Ministério da Saúde em 2023. Como colega de

governo, pude ver de perto o trabalho incansável de Nísia

e de sua equipe para reconstruir polí2cas que o Brasil

tomava como garan2das, mas que foram alvo do ódio

deliberado dos negacionistas, como o nosso Programa

Nacional de Imunização.

 

Nísia, o Brasil agradece a você e a sua equipe pela

reconstrução do Ministério da Saúde depois de anos

sombrios.

 

Quero me dirigir também a outra mulher que, como

presidenta do meu partido, o Partido dos Trabalhadores,

contribuiu para que derrotássemos quem sonhava em não

respeitar a decisão popular do voto. Gleisi, você foi uma

das articuladoras da frente ampla que elegeu o presidente

Lula em 2022.

 

Sei que você terá ainda mais disposição ao diálogo com o

Congresso, com os governadores e prefeitos e com toda a

sociedade, no ambiente de normalidade ins2tucional que

reconstruímos após a derrota do golpe de 8 de janeiro de

2023.

 

Estou aqui para agradecer . Gratidão ao presidente Lula por

ter me confiado e sustentado o papel de reabilitar as

relações ins2tucionais depois do relacionamento tóxico e

abusivo que o governo anterior 2nha com o Congresso, o

Judiciário, a imprensa e o conjunto da sociedade.

Encerro o meu percurso como ministro de Relações

Ins2tucionais da Presidência da República como o que mais

tempo ficou neste cargo. Somando a minha primeira

passagem pela SRI, quando 2nha 38 anos, em 2009, nos

primeiros governos do presidente Lula e, agora, a par2r de

2023, são ao todo 3 anos 4 meses e 11 dias.

 

Minha gratidão, presidente Lula, por me indicar para a mais

nova missão. Nada deixa mais feliz um médico, professor

universitário, pesquisador e defensor do SUS do que ser

pela segunda vez ministro da Saúde. O senhor pode contar,

mais uma vez, com a lealdade e a dedicação integral até o

úl2mo segundo que o senhor me honrar com essa missão.

Gra2dão aos meus colegas ministros, em nome do

coordenador do 2me, o Ministro Rui Costa.

Gratidão a cada trabalhador do Palácio do Planalto, que

mantêm o coração do governo em pleno funcionamento.

Gra2dão aos meus três mosqueteiros, líderes do terceiro

mandato do presidente Lula: os senadores Jaques Wagner

e Randolfe Rodrigues e o deputado José Guimarães.

Gra2dão aos ex-presidentes da Câmara e Senado,

deputado Arthur Lira e senador Rodrigo Pacheco; e aos

atuais presidentes, Hugo Moja e Davi Alcolumbre.

Juntos conseguimos impedir o golpe de 8 de janeiro – um

plano sórdido que envolvia até mesmo o assassinato do

presidente e do vice-presidente escolhidos pelo povo

brasileiro. Se aqueles criminosos 2vessem sido bem-

sucedidos, hoje o presidente Lula e o vice-presidente

Alckmin não estariam aqui. Este salão estaria vazio e

silencioso, como nos momentos da ditadura. Mas

vencemos. Nós ainda estamos aqui.

 

Gratidão por juntos nos ajudarem a construir a marca de

concluir estes dois anos do governo Lula a maior taxa de

aprovação de projetos de inicia2va do Governo Federal

desde a redemocra2zação.

Esse desempenho ajudou o Brasil a ter a maior taxa de

crescimento econômico e a menor taxa de desemprego da

úl2ma década. Foi assim que realizamos, querido amigo e

colega ministro Haddad, com seu apoio junto ao Congresso

Nacional, sob a liderança do presidente Lula, a retomada

do crescimento econômico, o terceiro maior ajuste fiscal

do mundo entre os países emergentes não com base na

fome, na miséria do povo e na destruição das polí2cas

públicas, como se observa em países onde governa a

direita radical, mas na estabilidade e na pujança do nosso

mercado.

 

Gratidão aos governadores e prefeitos, com os quais

cumpri a missão de restabelecer as relações federa2vas no

Brasil, após um período em que conflitos se sobrepuseram

às demandas da população.

 

Gratidão aos membros do Conselhão, pela sua disposição

para construir agendas de consenso pelo Brasil, que deram

frutos que vão desde a polí2ca para a primeira infância até

o programa Acredita.

 

Gratidão à minha equipe da SRI, em nome do secretário-

execu2vo Olavo Noleto e do sempre a2vo Zé Gatão, que

trabalham no Palácio do Planalto desde o primeiro dia do

primeiro governo do presidente Lula.

 

Volto para o Ministério da Saúde ainda mais cheio de

energia do que da primeira vez. Chego ao Ministério da

Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para

quem precisa de atendimento especializado. Todos os dias

vou trabalhar para buscar o maior acesso e menor tempo

de espera.

 

Não há solução mágica para um gargalo que ultrapassa

décadas e se agravou com a pandemia e o descaso do

governo anterior. Não se trata de uma doença aguda para

a qual já exista um único remédio, que, como falamos na

medicina, 2ramos a febre ou a dor com uma mão.

 

Esse é um problema que outros países do mundo, tanto no

setor público quanto no privado, enfrentam. É um desafio

enorme, mas o presidente Lula me ensinou a lição que

aprendeu com a Dona Lindú: diante de uma dificuldade, a

gente teima. Teima, vai lá e faz.

 

Nós vamos teimar porque não podemos ficar parados

diante da dor de uma avó ou de um avô que deixa de ver o

crescimento dos seus netos enquanto espera uma cirurgia

de catarata.

 

Nós vamos teimar porque não podemos aceitar que um

entregador fique sem poder fazer seu corre, sustentar sua

família, porque só pode fazer um exame perto da sua casa.

Nós vamos teimar porque é desumana a angús2a e insônia

de uma família inteira que aguarda para conseguir fazer

uma biópsia, já que a precocidade do diagnós2co é decisiva

para a chance de cura do câncer .

 

Por isso, assumo aqui o compromisso de trazer esse

desafio histórico para o centro das nossas ações. De toda a

equipe e órgãos do Ministério. Vamos entendê-lo,

enfrentá-lo e vencê-lo. Essa será mais do que prioridade,

será a nossa agenda diária de trabalho.

 

Essa será a nossa tônica com os estados, os municípios e os

parlamentares que buscam ampliar os recursos e melhorar

a assistência em seus territórios. Vamos recorrer ao

conhecimento das universidades, seus hospitais

universitários, centros de formação de especialistas, a

EBSERH, dirigida pelo ex-ministro Chioro.

 

Vamos fortalecer e envolver a atenção primaria em saúde,

sem a sua potência na coordenação do cuidado, não se

reduz tempo de espera ao atendimento especializado.

Vamos ouvir e buscar apoio do setor privado, dos planos

de saúde, das clínicas populares, dos serviços

especializados e dos centros de diagnós2co com

capacidade ociosa.

 

Produziremos uma resposta que envolverá toda a

estrutura de saúde do nosso país.

 

Sei que muito já foi feito pela equipe atual do Ministério da

Saúde. Como um médico chamado para dar uma segunda

opinião ou interconsulta, vamos examinar o diagnós2co

com precisão e juntos avaliarmos o que mais precisa ser

feito.

 

Entre a primeira e essa segunda passagem pelo Ministério

da Saúde, fui secretário de Saúde de São Paulo, de uma

rede maior e mais complexa do que todo o sistema de

saúde de Portugal. Assim como todos os gestores na ponta,

sei que a tabela SUS, da forma como remunera os serviços

hoje, não acabará com a peregrinação do nosso povo por

atendimento com médico especialista.

 

Teremos a coragem e ousadia necessárias para superar

esse modelo e enterrar, de uma vez por todas, a tabela

SUS.

 

Começaremos pelos procedimentos e tratamentos que

mais geram tempo de espera, como as Ofertas de Cuidado

Integrado proposta pela equipe da ministra Nísia e tantos

outros técnicos que deram início a esse processo.

Queremos um novo modelo de remuneração que sinalize

aos estados e municípios, às Santas Casas e aos serviços

privados que pagaremos mais e melhor para o

atendimento especializado que aconteça no tempo

correto.

Precisamos priorizar a redução do tempo de espera para o

diagnóstico tratamento do câncer. Temos tudo para

consolidar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico

e tratamento do câncer do mundo, com hospitais e

serviços especializados, tanto públicos quanto privados, a

exemplo do que fizemos com o sistema de transplantes,

quando fomos reconhecidos em 2012.

 

Quero cumprimentar os representantes da Organização

Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Panamericana

da Saúde (OPAs) aqui presentes.

 

Quero dizer com muita clareza, em alto e bom som: aqui

vocês têm um ministro e um Presidente da República que

dizem sim à OMS. Dizer sim à OMS é dizer sim à vacinação

contra a poliomielite em um esforço mundial para a sua

erradicação, sei que muitos dos que estão aqui teriam sido

afetados pela paralisia infantil.

 

Dizer sim à OMS é dizer sim ao programa mundial de

enfrentamento às infecções sexualmente transmissíveis.

Dizer sim à OMS é dizer sim ao fundo de enfrentamento às

doenças tropicais que ainda nos afligem, como a malária.

Eu 2ve a honra, junto ao Dr. Marcus Lacerda, de

desenvolver a pesquisa do protocolo de tratamento para

casos graves no final dos anos 90 e início dos anos 2000 –

um avanço que mudou a realidade da doença no Brasil e

no mundo, graças ao financiamento concedido pela OMS.

Dizer sim à OMS é dizer sim ao seu fundo rotatório de

aquisição de medicamentos, vacinas, insumos e

tecnologias. Ele torna possível várias das nossas ações de

saúde até hoje e para quem exportamos produtos

fabricados no Brasil, gerando emprego e renda para os

brasileiros.

 

Em 2013, quando nossa gestão incorporou ao SUS a vacina

contra HPV, que protege contra o câncer de colo de útero,

2vemos de enfrentar o que talvez tenha sido o primeiro

movimento em redes sociais de fake news contra uma

vacina.

Diziam de tudo: que a primeira vacina gerava sexualização

precoce, provocava infer2lidade e causava convulsões e

desmaios. Só ainda não diziam que transformava as

pessoas em jacarés ou que implantava um microchip

chinês.

Nós teimamos e enfrentamos. E depois de dez anos,

nenhum jacaré. Mas o Brasil possui hoje o maior programa

público de vacinação do mundo contra um vírus que causa

câncer, capaz de reduzir em 62% os óbitos por câncer de

colo de útero.

 

Nem todos sabem e quem sabe às vezes se esquece de

dizer que na época a oferta da vacina contra HPV foi

concre2zada graças a uma transferência de tecnologia de

uma indústria dos Estados Unidos, que significou emprego,

renda e conhecimento para o Brasil. É essa base

tecnológica que permi2u, há algumas semanas, o anúncio

da vacina da dengue pelo Ministério da Saúde e Ins2tuto

Butantan.

 

Na polí2ca, como deputado ou como ministro das Relações

Ins2tucionais, nunca 2ve inimigos, mas adversários. Com

eles, travei a boa disputa polí2ca, que é upica de uma

democracia saudável.

 

Na condição de Ministro da Saúde, terei, sim, um inimigo,

diante do qual nunca recuarei: o negacionismo e as

ideologias que desprezam a vida.

 

Negacionistas, vocês têm as mãos sujas com o sangue de

todos aqueles que par2ram na pandemia de Covid-19. Esse

governo não permi2rá que a perversidade de vocês gere

indiferença e desprezo à vida das nossas crianças e das

famílias brasileiras.

 

Não permi2remos que discursos irresponsáveis e men2ras,

por vezes propagados de maneira criminosa, nos impeçam

de proteger a vida e o futuro.

 

Nós vamos impulsionar um movimento nacional pela

vacinação e defesa da vida que consolidará o Brasil como o

mais amplo e diversos programa público de vacinação do

mundo.

 

Queremos chamar de volta todos e todas que se

mobilizaram durante a Covid para defender a vida das

nossas crianças, idosos e famílias por meio da vacinação.

Irei a cada canto deste país com este propósito, na

imprensa, nas igrejas, nas empresas e em cada canto do

Brasil.

 

A pandemia de Covid-19, a um custo muito alto, nos

apontou os caminhos para enfrentar possíveis surtos e

endemias. Não há truque mágico: só se enfrenta um

problema de saúde pública à luz da ciência. Isso significa

ter profissionais mobilizados e bem orientados

tecnicamente; estabelecer a mensagem correta para a

mobilização das famílias e das comunidades; unir esforços

ao invés de alimentar conflitos polí2cos entre a União, os

estados e os municípios.

 

Essa é nossa diretriz nas ações contra a dengue. Porque o

mosquito não é prefeito, governador nem presidente da

república. Ele está dentro das casas das pessoas e em seus

locais de trabalho. Somente seremos bem-sucedidos em

reduzir os focos do mosquito, a transmissão da doença e

os casos graves e óbitos, se trabalharmos juntos.

Outro aprendizado, querido ministro Temporão, queridas

Mariângela Simão e Cris2ana Toscano, é que precisamos

ter uma polí2ca permanente de Estado, com novas

estruturas e ins2tuições, para enfrentarmos outras

epidemias que poderão vir e as nossas endemias como a

malária, a tuberculose, a hanseníase e as hepa2tes.

Por fim, quero falar de três aspectos. O primeiro é que

sabemos o quanto a realidade demográfica mudou. O

modo de trabalhar e de se divertir mudaram e, com eles,

tudo que impacta a nossa saúde.

 

Cada vez mais precisamos nos organizar para oferecer

cuidados a quem mais precisa, de uma maneira que atenda

às suas especificidades, da primeira infância aos idosos.

Precisamos criar modelos de cuidado capazes de promover

a saúde integral das mulheres, da população negra, da

população indígena, das pessoas com deficiência, da saúde

mental, das pessoas que vivem com HIV. Da população em

situação de rua. Do povo do campo e dos povos da floresta.

Dos neurodivergentes, das doenças raras.

 

Em segundo lugar, sabemos que não vamos conseguir levar

a saúde brasileira à qualidade e à agilidade que desejamos

sem trabalhadores qualificados e valorizados. Sem aqueles

que defendem o SUS, seja nos espaços de controle social

seja na sociedade civil organizada.

 

Quero afirmar a todas as entidades médicas e das demais

carreiras da saúde: no que se refere à formação, esse

Ministério da Saúde estará mais focado na qualidade do

que na quan2dade. Estarei junto ao meu colega Camilo

Santana nesta batalha.

 

O último ponto é de que esse Ministério será cada vez mais

o Ministério da Saúde e não o da doença. Ter saúde pública

de qualidade é estar ao lado de todas as polí2cas que

es2mulem que a nossa população incorpore em sua ro2na

hábitos que promovam a saúde e a vida, para construir um

Brasil cada vez mais saudável e feliz.

 

É a esta moldura - ampliar o atendimento e reduzir o

tempo de espera para o atendimento especializado;

defender a ciência e a vida; promover um Brasil mais

saudável; e valorizar quem trabalha e defende a saúde –

que minha equipe e eu devotaremos todos os nossos

esforços.

 

É por eles, sob a inspiração e a liderança do Presidente

Lula, que reassumo o Ministério da Saúde do Brasil.

Vamos construir um Brasil mais saudável e feliz! Para todas

as brasileiras e brasileiros!

 

Viva a ciência, viva o SUS e viva o povo brasileiro.

Muito obrigado!

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)