Alexandre Padilha defende fim da tabela SUS e acabar com a demora na fila de procedimentos cirúrgicos no sistema SUS
Veja a íntegra do discurso
( Publicada originalmente às 17 h 52 do dia 10/03/2025)
(Brasília-DF, 11/03/2025) O ministro Alexandre Padilha fez uma fala de posse como novo ministro da Saúde fazendo um longa agradecimento, especialmente pelo trabalho à frente do Ministério das Relações Institucionais (SRI), a chamada “Articulação Política” do Governo.
Quanto a área de Saúde, ministério que já ocupou na Gestão Dilma Rousseff, criou o chamado “Mais Médicos”, ele defendeu que terá uma obsessão para reduzir o tempo de espera para as pessoas que buscam atendimento especializado.
“Volto para o Ministério da Saúde ainda mais cheio de energia do que da primeira vez. Chego ao Ministério da Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado. Todos os dias vou trabalhar para buscar o maior acesso e menor tempo de espera.”, disse.
Mais adiante ele falou que vai acabar com a chamada Tabela SUS.
“Teremos a coragem e ousadia necessárias para superar esse modelo e enterrar, de uma vez por todas, a tabela SUS.” , disse.
Veja a íntegra da fala de Alexandre Padilha:
Quero saudar e agradecer profundamente as ins2tuições
que me formaram como profissional e me prepararam para
este desafio – a Unicamp, onde me graduei e concluí meu
doutorado em Planejamento e Gestão de Saúde e colaboro
até hoje com o departamento de saúde coletiva da
faculdade de Ciências Médicas, e a USP , onde me tornei
infectologista, supervisor coordenador do Núcleo de
Medicina Tropical em Santarém e médico do Centro
Especializado de Imunização e Medicina do Viajante do HC.
Hoje saúdo também as ins2tuições onde tenho podido
contribuir para a formação de novas gerações de
profissionais comprome2dos com a saúde do povo
brasileiro. Em nome dos meus alunos, cumprimento todos
os jovens que dedicam sua formação e dedicarão seu
trabalho ao sistema brasileiro de saúde.
Amanhã, 11 de março, completam-se cinco anos desde
que a OMS declarou a pandemia de Covid-19. Não fosse
pela dedicação e resiliência dos trabalhadores e
pesquisadores da saúde e das ins2tuições de pesquisa
brasileira, a negligência deliberada do governo anterior
teria nos custado ainda mais que as inesquecíveis 700 mil
vidas de brasileiros.
A resposta do Ministério da Saúde da época era conflito; a
do então Presidente da República era escárnio.
Foi esse cenário de negação da ciência e de desrespeito à
vida que a minha amiga Nísia Trindade encontrou ao
assumir o Ministério da Saúde em 2023. Como colega de
governo, pude ver de perto o trabalho incansável de Nísia
e de sua equipe para reconstruir polí2cas que o Brasil
tomava como garan2das, mas que foram alvo do ódio
deliberado dos negacionistas, como o nosso Programa
Nacional de Imunização.
Nísia, o Brasil agradece a você e a sua equipe pela
reconstrução do Ministério da Saúde depois de anos
sombrios.
Quero me dirigir também a outra mulher que, como
presidenta do meu partido, o Partido dos Trabalhadores,
contribuiu para que derrotássemos quem sonhava em não
respeitar a decisão popular do voto. Gleisi, você foi uma
das articuladoras da frente ampla que elegeu o presidente
Lula em 2022.
Sei que você terá ainda mais disposição ao diálogo com o
Congresso, com os governadores e prefeitos e com toda a
sociedade, no ambiente de normalidade ins2tucional que
reconstruímos após a derrota do golpe de 8 de janeiro de
2023.
Estou aqui para agradecer . Gratidão ao presidente Lula por
ter me confiado e sustentado o papel de reabilitar as
relações ins2tucionais depois do relacionamento tóxico e
abusivo que o governo anterior 2nha com o Congresso, o
Judiciário, a imprensa e o conjunto da sociedade.
Encerro o meu percurso como ministro de Relações
Ins2tucionais da Presidência da República como o que mais
tempo ficou neste cargo. Somando a minha primeira
passagem pela SRI, quando 2nha 38 anos, em 2009, nos
primeiros governos do presidente Lula e, agora, a par2r de
2023, são ao todo 3 anos 4 meses e 11 dias.
Minha gratidão, presidente Lula, por me indicar para a mais
nova missão. Nada deixa mais feliz um médico, professor
universitário, pesquisador e defensor do SUS do que ser
pela segunda vez ministro da Saúde. O senhor pode contar,
mais uma vez, com a lealdade e a dedicação integral até o
úl2mo segundo que o senhor me honrar com essa missão.
Gra2dão aos meus colegas ministros, em nome do
coordenador do 2me, o Ministro Rui Costa.
Gratidão a cada trabalhador do Palácio do Planalto, que
mantêm o coração do governo em pleno funcionamento.
Gra2dão aos meus três mosqueteiros, líderes do terceiro
mandato do presidente Lula: os senadores Jaques Wagner
e Randolfe Rodrigues e o deputado José Guimarães.
Gra2dão aos ex-presidentes da Câmara e Senado,
deputado Arthur Lira e senador Rodrigo Pacheco; e aos
atuais presidentes, Hugo Moja e Davi Alcolumbre.
Juntos conseguimos impedir o golpe de 8 de janeiro – um
plano sórdido que envolvia até mesmo o assassinato do
presidente e do vice-presidente escolhidos pelo povo
brasileiro. Se aqueles criminosos 2vessem sido bem-
sucedidos, hoje o presidente Lula e o vice-presidente
Alckmin não estariam aqui. Este salão estaria vazio e
silencioso, como nos momentos da ditadura. Mas
vencemos. Nós ainda estamos aqui.
Gratidão por juntos nos ajudarem a construir a marca de
concluir estes dois anos do governo Lula a maior taxa de
aprovação de projetos de inicia2va do Governo Federal
desde a redemocra2zação.
Esse desempenho ajudou o Brasil a ter a maior taxa de
crescimento econômico e a menor taxa de desemprego da
úl2ma década. Foi assim que realizamos, querido amigo e
colega ministro Haddad, com seu apoio junto ao Congresso
Nacional, sob a liderança do presidente Lula, a retomada
do crescimento econômico, o terceiro maior ajuste fiscal
do mundo entre os países emergentes não com base na
fome, na miséria do povo e na destruição das polí2cas
públicas, como se observa em países onde governa a
direita radical, mas na estabilidade e na pujança do nosso
mercado.
Gratidão aos governadores e prefeitos, com os quais
cumpri a missão de restabelecer as relações federa2vas no
Brasil, após um período em que conflitos se sobrepuseram
às demandas da população.
Gratidão aos membros do Conselhão, pela sua disposição
para construir agendas de consenso pelo Brasil, que deram
frutos que vão desde a polí2ca para a primeira infância até
o programa Acredita.
Gratidão à minha equipe da SRI, em nome do secretário-
execu2vo Olavo Noleto e do sempre a2vo Zé Gatão, que
trabalham no Palácio do Planalto desde o primeiro dia do
primeiro governo do presidente Lula.
Volto para o Ministério da Saúde ainda mais cheio de
energia do que da primeira vez. Chego ao Ministério da
Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para
quem precisa de atendimento especializado. Todos os dias
vou trabalhar para buscar o maior acesso e menor tempo
de espera.
Não há solução mágica para um gargalo que ultrapassa
décadas e se agravou com a pandemia e o descaso do
governo anterior. Não se trata de uma doença aguda para
a qual já exista um único remédio, que, como falamos na
medicina, 2ramos a febre ou a dor com uma mão.
Esse é um problema que outros países do mundo, tanto no
setor público quanto no privado, enfrentam. É um desafio
enorme, mas o presidente Lula me ensinou a lição que
aprendeu com a Dona Lindú: diante de uma dificuldade, a
gente teima. Teima, vai lá e faz.
Nós vamos teimar porque não podemos ficar parados
diante da dor de uma avó ou de um avô que deixa de ver o
crescimento dos seus netos enquanto espera uma cirurgia
de catarata.
Nós vamos teimar porque não podemos aceitar que um
entregador fique sem poder fazer seu corre, sustentar sua
família, porque só pode fazer um exame perto da sua casa.
Nós vamos teimar porque é desumana a angús2a e insônia
de uma família inteira que aguarda para conseguir fazer
uma biópsia, já que a precocidade do diagnós2co é decisiva
para a chance de cura do câncer .
Por isso, assumo aqui o compromisso de trazer esse
desafio histórico para o centro das nossas ações. De toda a
equipe e órgãos do Ministério. Vamos entendê-lo,
enfrentá-lo e vencê-lo. Essa será mais do que prioridade,
será a nossa agenda diária de trabalho.
Essa será a nossa tônica com os estados, os municípios e os
parlamentares que buscam ampliar os recursos e melhorar
a assistência em seus territórios. Vamos recorrer ao
conhecimento das universidades, seus hospitais
universitários, centros de formação de especialistas, a
EBSERH, dirigida pelo ex-ministro Chioro.
Vamos fortalecer e envolver a atenção primaria em saúde,
sem a sua potência na coordenação do cuidado, não se
reduz tempo de espera ao atendimento especializado.
Vamos ouvir e buscar apoio do setor privado, dos planos
de saúde, das clínicas populares, dos serviços
especializados e dos centros de diagnós2co com
capacidade ociosa.
Produziremos uma resposta que envolverá toda a
estrutura de saúde do nosso país.
Sei que muito já foi feito pela equipe atual do Ministério da
Saúde. Como um médico chamado para dar uma segunda
opinião ou interconsulta, vamos examinar o diagnós2co
com precisão e juntos avaliarmos o que mais precisa ser
feito.
Entre a primeira e essa segunda passagem pelo Ministério
da Saúde, fui secretário de Saúde de São Paulo, de uma
rede maior e mais complexa do que todo o sistema de
saúde de Portugal. Assim como todos os gestores na ponta,
sei que a tabela SUS, da forma como remunera os serviços
hoje, não acabará com a peregrinação do nosso povo por
atendimento com médico especialista.
Teremos a coragem e ousadia necessárias para superar
esse modelo e enterrar, de uma vez por todas, a tabela
SUS.
Começaremos pelos procedimentos e tratamentos que
mais geram tempo de espera, como as Ofertas de Cuidado
Integrado proposta pela equipe da ministra Nísia e tantos
outros técnicos que deram início a esse processo.
Queremos um novo modelo de remuneração que sinalize
aos estados e municípios, às Santas Casas e aos serviços
privados que pagaremos mais e melhor para o
atendimento especializado que aconteça no tempo
correto.
Precisamos priorizar a redução do tempo de espera para o
diagnóstico tratamento do câncer. Temos tudo para
consolidar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico
e tratamento do câncer do mundo, com hospitais e
serviços especializados, tanto públicos quanto privados, a
exemplo do que fizemos com o sistema de transplantes,
quando fomos reconhecidos em 2012.
Quero cumprimentar os representantes da Organização
Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Panamericana
da Saúde (OPAs) aqui presentes.
Quero dizer com muita clareza, em alto e bom som: aqui
vocês têm um ministro e um Presidente da República que
dizem sim à OMS. Dizer sim à OMS é dizer sim à vacinação
contra a poliomielite em um esforço mundial para a sua
erradicação, sei que muitos dos que estão aqui teriam sido
afetados pela paralisia infantil.
Dizer sim à OMS é dizer sim ao programa mundial de
enfrentamento às infecções sexualmente transmissíveis.
Dizer sim à OMS é dizer sim ao fundo de enfrentamento às
doenças tropicais que ainda nos afligem, como a malária.
Eu 2ve a honra, junto ao Dr. Marcus Lacerda, de
desenvolver a pesquisa do protocolo de tratamento para
casos graves no final dos anos 90 e início dos anos 2000 –
um avanço que mudou a realidade da doença no Brasil e
no mundo, graças ao financiamento concedido pela OMS.
Dizer sim à OMS é dizer sim ao seu fundo rotatório de
aquisição de medicamentos, vacinas, insumos e
tecnologias. Ele torna possível várias das nossas ações de
saúde até hoje e para quem exportamos produtos
fabricados no Brasil, gerando emprego e renda para os
brasileiros.
Em 2013, quando nossa gestão incorporou ao SUS a vacina
contra HPV, que protege contra o câncer de colo de útero,
2vemos de enfrentar o que talvez tenha sido o primeiro
movimento em redes sociais de fake news contra uma
vacina.
Diziam de tudo: que a primeira vacina gerava sexualização
precoce, provocava infer2lidade e causava convulsões e
desmaios. Só ainda não diziam que transformava as
pessoas em jacarés ou que implantava um microchip
chinês.
Nós teimamos e enfrentamos. E depois de dez anos,
nenhum jacaré. Mas o Brasil possui hoje o maior programa
público de vacinação do mundo contra um vírus que causa
câncer, capaz de reduzir em 62% os óbitos por câncer de
colo de útero.
Nem todos sabem e quem sabe às vezes se esquece de
dizer que na época a oferta da vacina contra HPV foi
concre2zada graças a uma transferência de tecnologia de
uma indústria dos Estados Unidos, que significou emprego,
renda e conhecimento para o Brasil. É essa base
tecnológica que permi2u, há algumas semanas, o anúncio
da vacina da dengue pelo Ministério da Saúde e Ins2tuto
Butantan.
Na polí2ca, como deputado ou como ministro das Relações
Ins2tucionais, nunca 2ve inimigos, mas adversários. Com
eles, travei a boa disputa polí2ca, que é upica de uma
democracia saudável.
Na condição de Ministro da Saúde, terei, sim, um inimigo,
diante do qual nunca recuarei: o negacionismo e as
ideologias que desprezam a vida.
Negacionistas, vocês têm as mãos sujas com o sangue de
todos aqueles que par2ram na pandemia de Covid-19. Esse
governo não permi2rá que a perversidade de vocês gere
indiferença e desprezo à vida das nossas crianças e das
famílias brasileiras.
Não permi2remos que discursos irresponsáveis e men2ras,
por vezes propagados de maneira criminosa, nos impeçam
de proteger a vida e o futuro.
Nós vamos impulsionar um movimento nacional pela
vacinação e defesa da vida que consolidará o Brasil como o
mais amplo e diversos programa público de vacinação do
mundo.
Queremos chamar de volta todos e todas que se
mobilizaram durante a Covid para defender a vida das
nossas crianças, idosos e famílias por meio da vacinação.
Irei a cada canto deste país com este propósito, na
imprensa, nas igrejas, nas empresas e em cada canto do
Brasil.
A pandemia de Covid-19, a um custo muito alto, nos
apontou os caminhos para enfrentar possíveis surtos e
endemias. Não há truque mágico: só se enfrenta um
problema de saúde pública à luz da ciência. Isso significa
ter profissionais mobilizados e bem orientados
tecnicamente; estabelecer a mensagem correta para a
mobilização das famílias e das comunidades; unir esforços
ao invés de alimentar conflitos polí2cos entre a União, os
estados e os municípios.
Essa é nossa diretriz nas ações contra a dengue. Porque o
mosquito não é prefeito, governador nem presidente da
república. Ele está dentro das casas das pessoas e em seus
locais de trabalho. Somente seremos bem-sucedidos em
reduzir os focos do mosquito, a transmissão da doença e
os casos graves e óbitos, se trabalharmos juntos.
Outro aprendizado, querido ministro Temporão, queridas
Mariângela Simão e Cris2ana Toscano, é que precisamos
ter uma polí2ca permanente de Estado, com novas
estruturas e ins2tuições, para enfrentarmos outras
epidemias que poderão vir e as nossas endemias como a
malária, a tuberculose, a hanseníase e as hepa2tes.
Por fim, quero falar de três aspectos. O primeiro é que
sabemos o quanto a realidade demográfica mudou. O
modo de trabalhar e de se divertir mudaram e, com eles,
tudo que impacta a nossa saúde.
Cada vez mais precisamos nos organizar para oferecer
cuidados a quem mais precisa, de uma maneira que atenda
às suas especificidades, da primeira infância aos idosos.
Precisamos criar modelos de cuidado capazes de promover
a saúde integral das mulheres, da população negra, da
população indígena, das pessoas com deficiência, da saúde
mental, das pessoas que vivem com HIV. Da população em
situação de rua. Do povo do campo e dos povos da floresta.
Dos neurodivergentes, das doenças raras.
Em segundo lugar, sabemos que não vamos conseguir levar
a saúde brasileira à qualidade e à agilidade que desejamos
sem trabalhadores qualificados e valorizados. Sem aqueles
que defendem o SUS, seja nos espaços de controle social
seja na sociedade civil organizada.
Quero afirmar a todas as entidades médicas e das demais
carreiras da saúde: no que se refere à formação, esse
Ministério da Saúde estará mais focado na qualidade do
que na quan2dade. Estarei junto ao meu colega Camilo
Santana nesta batalha.
O último ponto é de que esse Ministério será cada vez mais
o Ministério da Saúde e não o da doença. Ter saúde pública
de qualidade é estar ao lado de todas as polí2cas que
es2mulem que a nossa população incorpore em sua ro2na
hábitos que promovam a saúde e a vida, para construir um
Brasil cada vez mais saudável e feliz.
É a esta moldura - ampliar o atendimento e reduzir o
tempo de espera para o atendimento especializado;
defender a ciência e a vida; promover um Brasil mais
saudável; e valorizar quem trabalha e defende a saúde –
que minha equipe e eu devotaremos todos os nossos
esforços.
É por eles, sob a inspiração e a liderança do Presidente
Lula, que reassumo o Ministério da Saúde do Brasil.
Vamos construir um Brasil mais saudável e feliz! Para todas
as brasileiras e brasileiros!
Viva a ciência, viva o SUS e viva o povo brasileiro.
Muito obrigado!
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)