31 de julho de 2025
Brasil e Poder

COP30: Lideranças ambientais comentam a primeira Carta da Presidência da COPP30 divulgada nesta segunda-feira

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Marina Silva foi uma das lideranças que comentou a primeira Carta da COP#)

( Publicada originalmente às 12 h 16 do dia 10/03/2025) 

(Brasília-DF, 11/03/2025). Chegou à redação da Politica Real uma série de comentários sobre a carta do Embaixador André Correia do Lago, presidente da COP30, enviada à sociedade sobre o que se imagina para o evento que se dará em Belém, no Pará.

Veja alguns:

Marina Silva, ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, disse:

“A carta lançada pelo presidente designado da COP30, André Corrêa do Lago, é um chamado a governos, sociedade civil, cientistas, empresários, povos indígenas e comunidades locais pela superação de diferenças e união em torno da inauguração de um novo tempo da ação climática, focado na implementação dos compromissos firmados ao longo da última década, desde a assinatura do Acordo de Paris. O presidente designado da COP30 insta as partes ao esforço de realizarem juntas uma verdadeira tessitura global contra a mudança do clima, em prol do equilíbrio climático e melhores condições de existência para todas as formas de vida.”

“Um dos pilares dessa agenda de mobilização é a decisão de fazer um Balanço Ético Global (BEG) rumo à COP30: uma articulação mundial pela meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. Assim, a presidência brasileira da COP30 busca alavancar um movimento global de cooperação entre os povos para o enfrentamento da mudança do clima, com base no fortalecimento do multilateralismo, único caminho possível para efetivação dessa tarefa.”

Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB):

"O presidente da COP acerta ao ver as florestas como uma resposta importante para a urgência climática. No entanto, embora a proteção das florestas seja fundamental, a verdadeira solução para a crise climática está em mudar as causas que a geram. A preservação das florestas só será eficaz se ampliarmos a demarcação das terras indígenas, tivermos um bom financiamento direto e fizermos a transição para uma sociedade de baixo carbono — e isso precisa ser rápido. Não podemos mais adiar a eliminação dos combustíveis fósseis. A cautela na carta sobre esse assunto exige mais coragem e ambição. Caso contrário, como diz a própria carta, ‘a falta de ambição será julgada como falta de liderança’. A Amazônia não vai aguentar, por mais que façamos a nossa parte, se o planeta continuar pegando fogo"

Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

“Para que os combustíveis fósseis entrem na pauta da conferência será necessário um amplo processo de pressão e união sobre o tema. Apesar do cenário internacional adverso, a liderança do Brasil na COP 30 abre essa oportunidade. A carta da presidência diz que a COP30 pode iniciar uma inflexão na luta contra a crise climática e que podemos ganhar de virada. Para virar esse jogo, o Brasil terá que jogar no ataque.”

Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, disse:

“Apenas reafirmar o que foi acordado na COP28 sobre combustíveis fósseis e torcer para que os países incluam a transição em suas metas não basta; é preciso estabelecer um calendário e uma ordem de saída para a transição energética, bem como explicitar e eliminar as barreiras políticas e econômicas a ela. Não há oportunidade melhor para iniciar esse processo que a COP do Brasil, liderada por negociadores competentes num país que conta com ampla simpatia do mundo todo, mesmo no contexto geopolítico sombrio em que estamos.”

Sinéia do Vale, copresidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças do Clima para a América Latina e Caribe (Caucus Indígena), disse:

“O círculo de liderança indígena proposto na carta é um avanço, mas precisamos garantir que ele tenha uma conexão direta e significativa com as decisões da COP. A ênfase nos saberes e conhecimentos das lideranças e organizações indígenas do Brasil precisa ser real e efetiva, pois são elas que estão na linha de frente e têm um papel crucial a desempenhar nesse mutirão pela justiça climática."

Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF-Brasil, disse:

“A carta do presidente da COP30 é uma mensagem contundente de defesa do multilateralismo, de que apenas saídas individuais não bastam para enfrentar o desafio global das mudanças climáticas. Só a partir do diálogo e da cooperação (e a COP é um espaço privilegiado para que isso aconteça) é que podemos adotar saídas e soluções coletivas para um problema que afeta diretamente a vida das pessoas em todos os lugares do mundo. Trata-se também de um chamado à ação: essa será a COP da implementação, destacando a essencial participação de lideranças indígenas, mostrando que ciência, tecnologia e conhecimentos tradicionais devem caminhar juntos para o enfrentamento das crises climática e de biodiversidade”.

Fred Njehu, estrategista político pan-africano do Greenpeace África, disse:

"Para o continente africano, 2025 será um momento decisivo rumo à COP30. Não apenas dará continuidade ao impulso das negociações climáticas anteriores, mas também poderá ser um ponto de virada no enfrentamento da crise climática e, mais importante, na entrega das promessas não cumpridas. Reconhecemos que o multilateralismo climático tem enfrentado desafios sem precedentes ao longo dos anos, enquanto a crise climática continua causando estragos, devastando comunidades e destruindo meios de subsistência. A COP30 em Belém, no Brasil, precisa ir além da retórica habitual e garantir compromissos climáticos substanciais que ficaram para trás nos últimos anos. Esta também é uma oportunidade única para que a presidência da COP crie sinergias com a proteção das florestas amazônicas, colocando-as no centro das negociações. O mundo não tem o luxo do tempo, e a COP30 deve cumprir as promessas de enfrentar a crise climática com responsabilidade coletiva."

Dr. Kjell Kühne, Diretor da Iniciativa Leave it in the Ground (LINGO), disse: 

"A urgência da crise climática não se limita às fronteiras nacionais, mas está nos estilos de vida viciados em combustíveis fósseis das elites, que transcendem países e continuam a impedir avanços significativos. O sistema financeiro precisa ser reformado para levar em conta os custos ambientais e sociais há muito ignorados. Com vontade política, instituições como o FMI e os bancos centrais poderiam direcionar trilhões para uma transição energética acelerada, se os países permitirem. É hora de mudar o debate da culpa para a ação coletiva."

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( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)