31 de julho de 2025
Mundo e Poder

REAÇÃO: Vladimir Putin, em resposta a Emmanuel Macron, disse que ele deveria lembrar dos insucessos de Napoleão;

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( Publicada originalmemte às 16h 10 do dia 06/03/2025) 

Com agências

(Brasília-DF, 07/03/2025) O presidente da Rússia, Vladimir Putin, após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter afirmado que "a Rússia é uma ameaça para França e para a Europa", ele o comparou a Napoleão Bonaparte, fazendo um paralelismo com o fim trágico das ambições expansionistas do ex-imperador francês.

"Ainda há pessoas que querem voltar aos tempos de Napoleão, se esquecendo de como tudo acabou", afirmou Vladimir Putin, em declarações transmitidas na televisão nacional, citadas pela imprensa nacional - embora sem mencionar diretamente Macron.

É necessário recordar que o antigo imperador francês invadiu a Rússia em 1812, mas sem conseguir os objetivos pretendidos, a investida terminou numa retirada trágica das tropas do território russo. Dos quase 700 mil homens que tinham sido mobilizados para levar a cabo a incursão, somente cerca de 50 mil regressaram a casa na sequência dos esforços de defesa de Moscou.

As declarações de Putin surgem depois de, na quarta-feira, Macron ter ainda defendido, durante uma transmissão televisiva em direto, a necessidade de continuar a apoiar Kiev e de reforçar as capacidades militares europeia, devido à ameaça que Moscu representa para toda a comunidade europeia.

Avisando que "estamos entrando numa nova era", o chefe de Estado francês anunciou ainda as suas intenções de conversar com os aliados europeus sobre o eventual recurso à capacidade de dissuasão nuclear de França para garantir a defesa do continente face às ameaças vindas de Moscovo.

Declarações que foram proferidas em antecipação à cúpula extraordinária dedicada aos temas da defesa e da Ucrânia, que se dá nesta quinta-feira, em Bruxelas.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, considerou que tais afirmações se trataram de uma "ameaça contra a Rússia”, tendo igualmente feito referência a Napoleão Bonaparte, mas não só.

"Ao contrário dos seus antecessores, que também queriam lutar contra a Rússia, de Napoleão, de Hitler, Macron não age de forma muito graciosa, porque pelo menos eles disseram, sem rodeios: 'Temos de conquistar a Rússia, temos de derrotar a Rússia'", acrescentou Lavrov.

O discurso "confrontacional" de "Micron"

Não foram só estas as reações russas às declarações de Macron. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou como um "discurso extremamente confrontacional" e de “reivindicação da liderança nuclear na Europa”. Pelo que "dificilmente pode ser entendido como um discurso de um chefe de Estado que pensa na paz”, reporta a imprensa internacional.

Peskov acrescentou: "Pelo contrário, pelo que foi dito, pode se concluir que França está pensando mais na guerra, em continuar a guerra".

Peskov acusou ainda Macron de não ter feito menção às “preocupações e receios legítimos” de Moscou, no que diz respeito à expansão da OTAN para a zona leste do continente europeu.

Já o ex-presidente russo, Dmitry Medvedev - atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia - parece ter feito uma brincadeira com o nome de Macron para criticar a postura do chefe de Estado francês.

"A Rússia se tornou, neste momento em que vos falo e nos próximos anos, uma ameaça para França e para a Europa, diz Macron. Mas o próprio Micron não representa uma grande ameaça. Desaparecerá para sempre, o mais tardar, em 14 de maio de 2027. E não fará falta", escreveu Medvedev.

A Rússia continua levando a cabo a sua incursão sobre território ucraniano, numa altura em que a capacidade de resposta de Kiev aparenta ter ficado mais comprometida, depois de os Estados Unidos terem anunciado a suspensão da ajuda militar à Ucrânia, depois do encontro polémico entre Trump e Zelensky na Casa Branca.

Mas a União Europeia, entretanto, já reafirmou que pretende manter (e reforçar) a assistência a Kiev, tendo-se ainda comprometido a aumentar o seu investimento no setor da defesa.

( da redação com agências. Edição: Política Real)