Emmanuel Macron em fala nacional, diz que a Rússia é uma ameaça para Europa e que não se deve mais confiar na parceira com os Estados Unidos para proteger o continente; França já fala em usar a capacidade nuclear para lidar com situação
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( Publicada originalmente às 20h 03 do dia 05/03/2025)
Com agências.
(Brasília-DF, 06/03/2025). Nesta quarta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, numa fala história à nação afirmou que vai conversar com os aliados europeus sobre a possibilidade de utilizar a capacidade de dissuasão nuclear de França para proteger o continente face às ameaças da Rússia.
Macron, abordou a guerra na Ucrânia e a defesa europeia durante a fala em rede nacional aos franceses, sublinhando a necessidade de continuar a apoiar Kiev e de reforçar as capacidades militares europeias, e afirmando que "a Rússia tornou-se hoje, e durante muito tempo, uma ameaça para a França e para a Europa".
Depois de estabelecer o contexto da atual situação política entre os Estados Unidos e a Europa, Macron afirmou: "Os Estados Unidos da América, nosso aliado, mudaram a sua posição nesta guerra, apoiando menos a Ucrânia e deixando dúvidas sobre o que se segue".
É preciso dizer que estamos entrando numa nova era", acrescentou.
Macron, durante o seu discurso, advertiu que a Europa deve se preparar para a possibilidade de os EUA não serem sempre um parceiro de segurança confiável: "Quero acreditar que os EUA estarão ao nosso lado, mas temos de estar preparados para que isso não aconteça", afirmou, instando a Europa a se tornar mais independente do seu aliado de longa data.
“A paz já não pode ser garantida no nosso próprio continente", afirmou o presidente francês, acrescentando que "a Ucrânia tornou-se um conflito global".
Macron disse que vai conversar com os aliados europeus sobre a ideia de utilizar a capacidade de dissuasão nuclear de França para proteger o continente face às ameaças da Rússia.
Nesta quinta-feira, os líderes europeus vão se reunir-se em Bruxelas para uma cúpula extraordinária dedicada à defesa e à Ucrânia.
Nesta quarta-feira, um porta-voz do governo francês disse que se congratulava com a "mão estendida" do presidente ucraniano Volodomyr Zelenskyy, que escreveu uma carta ao seu homólogo norte-americano.
Sophie Primas, porta-voz do governo francês, disse que "é bom que o diálogo possa ser retomado numa base adequada".
"Estamos ao lado do presidente Zelenskyy nesta opção", acrescentou.
O presidente Trump disse que Zelenskyy lhe escreveu para dizer que a Ucrânia está pronta para negociar um acordo de paz com a Rússia o mais rapidamente possível e que aceitaria um acordo de minerais críticos com os EUA para facilitar essa negociação.
Macron, por sua vez, falou por telefone sucessivamente com Trump e Zelenskyy e reiterou "a determinação de França em trabalhar com todas as partes para alcançar uma paz sólida e duradoura na Ucrânia", disse o seu gabinete, sem dar pormenores sobre a discussão com Trump.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente francês, Emmanuel Macron, estão liderando o apelo a uma força de manutenção da paz pós-conflito na Ucrânia para impedir que a Rússia volte a invadir o país, caso Moscou e Kiev cheguem a uma trégua para pôr fim à invasão russa, lançada em fevereiro de 2022.
( da redação com informações de assessoria e Euro News. Edição: Política Real)