Vladimir Putin, em primeira entrevista a jornalista dos EUA, diz, entre outras declarações, que não vai invadir a Polônia e que vai lutar “até o fim”
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Da redação com Sputnik News e Reuters
(Brasília-DF, 09/02/2024) O presidente russo, Vladimir Putin, disse numa entrevista transmitida nessa quinta-feira,08, que a Rússia lutará pelos seus interesses “até ao fim”, mas não tem interesse em expandir a sua guerra na Ucrânia a outros países como a Polónia e a Letónia.
Questionado se poderia imaginar um cenário em que enviaria tropas russas para a Polónia, membro da Otan, Putin respondeu:
"Apenas num caso, se a Polónia atacar a Rússia. Porquê? Porque não temos interesse na Polónia, na Letónia ou em qualquer outro lugar. Por que faríamos isso? Simplesmente não temos qualquer interesse."
Putin falou em russo e seus comentários foram dublados em inglês. Ele começou com longos comentários sobre as relações da Rússia com a Ucrânia, a Polónia e outros países.
Na sua primeira entrevista com um jornalista americano desde antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, há quase dois anos, Putin disse que os líderes ocidentais perceberam que era impossível infligir uma derrota estratégica à Rússia e estavam a perguntar-se o que fazer a seguir.
A entrevista de Putin ao jornalista Tucker Carlson, em Moscou, foi ao ar nesta noite de quinta-feira (8). Confira abaixo as principais declarações do líder russo.
O presidente da Rússia falou sobre o conflito na Ucrânia, a relação com o país e o presidente vizinho, Vladimir Zelensky, além do tratamento que recebe de países do Ocidente e como estão as relações entre ambos os polos.
Gravada nos últimos dias a entrevista foi lançada na rede social X (ex-Twitter) com antecedência.
Essa antecipação da conversa entre os dois fez com que o aplicativo se tornasse o mais popular nos Estados Unidos. Na noite desta quinta-feira ,8, a entrevista foi assistida por mais de 20 milhões de pessoas.
Segundo Carlson, o mundo ocidental tem sido enganado pela grande mídia ao receber apenas uma versão dos fatos.
O material e sua transcrição ficarão disponíveis no site da presidência russa, procedimento padrão, segundo Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.
No passado, Carlson afirmou que tentou entrevistar Putin, porém teve seus pedidos bloqueados pela Casa Branca. O ato, segundo o jornalista, o teria colocado na lista de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês)
Por conta desta entrevista, Carlson tem sofrido críticas por parte de seus conterrâneos estadunidenses. A ex-senadora Hillary Clinton, ferrenha opositora de Putin, chamou o jornalista de "tolo".
Veja os principais pontos da entrevista:
O presidente russo garantiu que deseja chegar a uma solução negociada para o conflito ucraniano, uma vez que inevitavelmente chegará a um acordo entre a Rússia e a Ucrânia. "Esta mobilização sem fim na Ucrânia, a histeria, os problemas internos, mais cedo ou mais tarde resultarão em um acordo", disse.
Ele também afirmou que foi Kiev que "começou a guerra" em 2014 com o golpe de Estado. "Nosso objetivo é acabar com esta guerra."
"Se a administração Zelensky na Ucrânia se recusou a negociar, suponho que o fez sob instruções de Washington. Se Washington agora vê que foi uma decisão errada, então deveria mudá-la", sugeriu Putin.
"A Rússia teria aderido à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se Moscou tivesse visto um desejo genuíno da Aliança de fazê-lo", revelou.
"Quem explodiu o Nord Stream? Vocês, é claro", acusou Putin.
"Os países da OTAN estão tentando assustar as suas populações com uma ameaça russa imaginária; é falsa", disse o líder russo.
"Não temos interesse na Polônia, na Letônia ou em qualquer outro lugar. Por que faríamos isso? Simplesmente não temos interesse… Está absolutamente fora de questão", respondeu Putin quando Tucker Carlson perguntou se ele imaginava algum cenário em que Moscou envia tropas para a Polônia. No entanto, garantiu que isso só poderia acontecer em um único caso: "Se a Polônia atacar a Rússia."
"Em 1922, os bolcheviques começaram a formar a URSS e criaram a Ucrânia Soviética, que até então não existia", observou.
Ele também disse que "o Ocidente teme mais uma China forte do que uma Rússia forte".
Putin afirmou: "Usar o dólar como ferramenta de guerra na política externa é um dos maiores erros estratégicos cometidos pela liderança política americana."
(da redação com agências internacionais. Edição: Genésio Araújo Jr.)