31 de julho de 2025
Mundo e Poder

Lula, na abertura da COP 28, disse que chegou a hora de acabar com discursos eloquentes e de não se cumprir promessas, se precisa de atitudes concretas

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( reeditado) 

(Brasília-DF, 01/11/2023)   Como o Brasil vai sediar a COP 30 em Belém no Pará, em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos que foram convidados a falar na sessão de abertura da COP 23, em Dubai, nos Emirados Árabes. O evento se deu logo após a solenidade de boas vindas aos chefes de Estado e Governo e a foto oficial do evento.  Lula disse que se precisa de atitudes concretas e acabou o momento de discursos eloquentes.

“A conta da mudança climática não é a mesma para todos. E chegou primeiro para as populações mais pobres.”, disse.

“O planeta já não espera para cobrar da próxima geração.  O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos.  De metas de redução de emissão de carbono negligenciadas.  Do auxílio financeiro aos países pobres que não chega.

De discursos eloquentes e vazios. Precisamos de atitudes concretas.”, disse

 

Veja a íntegra da fala:

 

 

Uma mulher africana, a queniana Wangari Maathai, vencedora do prêmio Nobel da Paz, sintetizou bem o dilema da humanidade em sua relação com a natureza.

 

Disse ela: “A geração que destrói o meio ambiente não é a geração que paga o preço”.

 

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alertou que temos somente até o final desta década para evitar que a temperatura global ultrapasse um grau e meio acima dos níveis pré-industriais.

 

2023 já é o ano mais quente dos últimos 125 mil anos.

 

A humanidade sofre com secas, enchentes e ondas de calor cada vez mais extremas e frequentes.

 

No Norte do Brasil, a Amazônia amarga uma das mais trágicas secas de sua história. No Sul, tempestades e ciclones deixam um rastro inédito de destruição e morte.

 

A ciência e a realidade nos mostram que desta vez a conta chegou antes.

 

O planeta já não espera para cobrar da próxima geração.

 

O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos.

 

De metas de redução de emissão de carbono negligenciadas.

 

Do auxílio financeiro aos países pobres que não chega.

 

De discursos eloquentes e vazios.

 

Precisamos de atitudes concretas.

 

Quantos líderes mundiais estão de fato comprometidos em salvar o planeta?

 

Somente no ano passado, o mundo gastou mais de US$ 2 trilhões e 224 milhões de dólares em armas. Quantia que poderia ser investida no combate à fome e no enfrentamento da mudança climática.

 

Quantas toneladas de carbono são emitidas pelos mísseis que cruzam o céu e desabam sobre civis inocentes, sobretudo crianças e mulheres famintas?

 

A conta da mudança climática não é a mesma para todos. E chegou primeiro para as populações mais pobres.

 

O 1% mais rico do planeta emite o mesmo volume de carbono que 66% da população mundial.

 

Trabalhadores do campo, que têm suas lavouras de subsistência devastadas pela seca, e já não podem alimentar suas famílias.

 

Moradores das periferias das grandes cidades, que perdem o pouco que têm quando a enchente arrasta tudo: casas, móveis, animais de estimação e seus próprios filhos.

 

A injustiça que penaliza as gerações mais jovens é apenas uma das faces das desigualdades que nos afligem.

 

O mundo naturalizou disparidades inaceitáveis de renda, gênero e raça. 

 

Não é possível enfrentar a mudança do clima sem combater as desigualdades.

 

Quem passa fome tem sua existência aprisionada na dor do presente. E torna-se incapaz de pensar no amanhã.

 

Reduzir vulnerabilidades socioeconômicas significa construir resiliência frente a eventos extremos.

 

Significa também ter condições de redirecionar esforços para a luta contra o aquecimento global.

 

Em 2009, quando participei da COP15, em Copenhague, a arquitetura da Convenção do Clima estava à beira do colapso.

 

As negociações fracassaram e foi preciso um grande esforço para recuperar a confiança e chegar ao Acordo de Paris, em 2015.

 

Ao retornar à presidência do Brasil, constato que estamos, hoje, em situação semelhante.

 

O não cumprimento dos compromissos assumidos corrói a credibilidade do regime.

 

É preciso resgatar a crença no multilateralismo.

 

É inexplicável que a ONU, apesar de seus esforços, se mostre incapaz de manter a paz, simplesmente porque alguns dos seus membros lucram com a guerra.

 

É lamentável que acordos como o Protocolo de Kyoto (1997) ou os Acordos de Paris (2015) não sejam implementados.

 

Governantes não podem se eximir de suas responsabilidades.

 

Nenhum país resolverá seus problemas sozinho. Estamos todos obrigados a atuar juntos além de nossas fronteiras.

 

O Brasil está disposto a liderar pelo exemplo.

 

Ajustamos nossas metas climáticas, que são hoje mais ambiciosas do que as de muitos países desenvolvidos.

 

Reduzimos drasticamente o desmatamento na Amazônia e vamos zerá-lo até 2030.

 

Formulamos um plano de transformação ecológica, para promover a industrialização verde, a agricultura de baixo carbono e a bioeconomia. 

 

Forjamos uma visão comum com os países amazônicos e criamos pontes com outros países detentores de florestas tropicais.

 

O mundo já está convencido do potencial das energias renováveis. 

 

É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis.

 

Temos de fazê-lo de forma urgente e justa.  

 

Vamos trabalhar de forma construtiva, com todos os países, para pavimentar o caminho entre esta COP 28 e a COP30, que sediaremos no coração da Amazônia. 

 

Não existem dois planetas Terra. Somos uma única espécie, chamada Humanidade.

 

Todos almejamos tornar o mundo capaz de acolher com dignidade a totalidade de seus habitantes – e não apenas uma minoria privilegiada.

 

Como nos convida o Papa Francisco na Encíclica “Todos Irmãos”, precisamos conviver na fraternidade.

 

Muito obrigado.

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)