DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em verde e no Brasil atenção para os movimentos do governo buscar o déficit zero em 2024
Veja os números
(Brasília-DF, 20/11/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em leve alta, enquanto no Brasil destaque para sinalização de que o governo vai manter a meta de déficit zero para 2024, afastando o risco fiscal.
Veja mais:
Nos Estados Unidos, os futuros estão no verde nesta segunda-feira (S&P +0,05%, Dow 0,03%, Nasdaq +0,12%), continuando a forte trajetória positiva das últimas três semanas. A temporada americana de resultados do terceiro trimestre está acabando (94% do S&P já reportou), mas ainda temos resultados importantes com Nvidia (terça-feira, dia 21, no fechamento), Lowe’s (terça-feira, dia 21, na abertura), HP (terça-feira, dia 21, no fechamento), e varejo (Best Buy, Abercrombie & Fitch, Urban Outfitters, e mais).
Na Europa, os mercados operam praticamente de lado (-0,01%). O setor de Óleo e Gás volta a subir (+1,48%) após a OPEC+ cogitar mais cortes de produção. Na China, os principais índices fecharam positivos (CSI 300 +0,23%, HSI +1,66%) com a notícia de que as taxas de referência de empréstimo foram mantidas sem alterações.
Economia
O índice de preços ao produtor da Alemanha recuou 0,1% em outubro, em linha com as expectativas. Em 12 meses, a inflação ao produtor atingiu -11%. É uma evidência adicional de que a deflação global de custos continua ajudando a reduzir a pressão sobre os bancos centrais para manterem a política monetária restritiva por muito tempo.
Javier Milei foi eleito presidente da Argentina ontem à noite. Milei entrou na cena política em 2020, depois de anos como comentarista político, e ganhou atenção com propostas sociais e econômicas controversas, como a dolarização da economia e a eliminação do Banco Central, juntamente com duras críticas aos partidos políticos estabelecidos. Durante a reta final da disputa, Milei moderou o discurso. O desafio agora é fazer uma coalizão de centro-direita no Congresso, para garantir a governabilidade em meio a recessão econômica e elevada inflação.
IBOVESPA +0,11% | 124.773 Pontos. CÂMBIO +0,74% | 4,91/USD
Ibovespa
O Ibovespa fechou em alta na semana mais uma vez, acumulando ganhos de 3,5% em reais e 3,9% em dólares, aos 124.773 pontos. Apenas 8 papeis do índice fecharam no vermelho. O movimento positivo veio na esteira de queda de juros futuros, impulsionando papeis sensíveis a juros como Magazine Luiza (MGLU3), que teve a maior alta em 23,3%. Na outra ponta, Raízen (RAIZ4) registrou a maior queda (-6,3%), após resultados do 3º trimestre.
Parte da alta do Ibovespa foi acompanhando os índices americanos, que subiram em mais uma semana com dados melhores do que esperado de inflação nos EUA. Os preços ao consumidor e produtor sinalizaram uma melhora, resultando em um otimismo com a proximidade do fim do aperto monetário e de corte de juros em 2024. Com isso, as curvas de juros americanas e globais se fecharam, com a taxa da Treasury de 10 anos caindo de 4,66% para 4,44%.
No cenário doméstico, destaque para sinalização de que o governo vai manter a meta de déficit zero para 2024, afastando o risco fiscal. O ministério da Fazenda planeja agora focar na aprovação medidas para a aumento de receitas no Congresso.
Ao final da semana, a curva de juros encerrou novamente em queda ao longo de toda a sua estrutura a termo. O movimento teve maior intensidade nos vértices de médio e de longo prazos. Por outro lado, houve ganho de inclinação no “miolo da curva”, com o diferencial entre os contratos com vencimento em janeiro 2025 e 2033 saindo de 51,3 pontos-base na sexta-feira passada para 53,5 pontos nesta semana. Índices de preços abaixo do esperado e indicadores de atividade demonstrando desaceleração econômica, tanto no mercado local quanto global, foram os principais catalisadores do otimismo do mercado na semana. DI jan/24 fechou em 10,46% (-28,3bps no comparativo semanal); DI jan/25 em 10,31% (-31,4bps); DI jan/27 em 10,71% (-27,3bps); DI jan/33 em 10,99% (-26,1bps); DI jan/37 em 11,04% (-28bps).
No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o novo arcabouço fiscal exige que as despesas cresçam pelo menos 0,6% acima da inflação, mesmo que isso leve a um resultado pior do que a meta estabelecida para o resultado primário. O ministro disse que o governo pode congelar no máximo R$ 22-23 bilhões no próximo ano. Na nossa opinião, esta interpretação do novo arcabouço enfraquece a eficácia da meta de déficit zero proposta para 2024.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)