DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em sinais mistos e no Brasil todo mundo falando de juro
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(Brasília-DF, 23/03/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP investimentos apontando que os mercados globais estão em sinais mistos mas no Brasil atenção para o memorando do Copom que parece que viu menos que deveria.
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Nesta quinta-feira, os mercados internacionais tiveram desempenhos mistos, com o índice futuro S&P 500 registrando alta de 0,5%, enquanto as bolsas europeias tiveram queda de 0,9%. Na Europa, os investidores estão atentos à decisão e aos comentários do Banco da Inglaterra, após uma nova demonstração de força da inflação britânica em fevereiro. Além disso, os Bancos Centrais da Suíça e Noruega anunciaram a elevação de suas taxas, apesar da turbulência bancária, para combater a inflação. Já na China, o índice Hang Seng encerrou o dia com forte alta de 2,3%, com a maioria das empresas reagindo positivamente à possibilidade de um fim do ciclo de aperto monetário mais rápido do que o esperado anteriormente nos Estados Unidos.
Taxa de juros EUA
O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou ontem sua taxa de juros de referência em 0,25 pp, para o intervalo entre 4,75% e 5,00%, apesar das turbulências no sistema financeiro global nas últimas semanas. Esta decisão veio em linha com a maioria das expectativas do mercado (incluindo a nossa), embora alguns agentes tenham projetado que o Fed pausaria o ciclo de aperto devido às preocupações com estabilidade financeira. O comunicado pós-reunião foi equilibrado e não trouxe comprometimento prévio com as próximas decisões de juros, em nossa opinião. Por um lado, o comitê afirmou que “os desenvolvimentos recentes provavelmente resultarão em condições de crédito mais restritivas para famílias e empresas e pesarão na atividade econômica, nas contratações e na inflação” (tradução própria). Esta parte da declaração sugere que as condições financeiras podem se tornar “suficientemente apertadas” sem aumentos adicionais na taxa básica de juros. No entanto, o comunicado também destacou que a inflação continua elevada e que “um aperto adicional da política monetária pode ser apropriado para atingir um patamar suficientemente restritivo para garantir o retorno da inflação à meta de 2% ao longo do tempo”. Com esses comentários, acreditamos que o Fed tentou deixar as “portas abertas” para as decisões de juros futuras em meio ao cenário altamente incerto. Segundo o comunicado, o banco central está preparado para “ajustar a postura da política monetária conforme apropriado”. Na coletiva de imprensa que sucedeu o anúncio de juros, o Presidente Powell tentou aliviar as preocupações em relação ao sistema bancário dos EUA, mostrando-se confiante de que as ações do Fed estabilizaram a crise bancária. A autoridade destacou que o evento do SVB (Silicon Valley Bank) foi específico e que o sistema bancário continua resiliente e bem capitalizado. O cenário de política monetária ficou mais incerto nas últimas semanas. Nosso cenário indica redução gradual das preocupações com o sistema financeiro. Nesse caso, a política monetária deve continuar a reagir aos dados de inflação e do mercado de trabalho, como vinha acontecendo. Acreditamos que esse quadro é consistente com uma taxa de juros terminal de 5,25% ou 5,50%. Além disso, esperamos que o ciclo de flexibilização monetária – ou seja, corte de juros – comece no 1º trimestre de 2024, à medida que o processo de desinflação avance consistentemente;
IBOVESPA -0,77% | 100.221 Pontos. CÂMBIO -0,21% | 5,23/USD
Na agenda econômica desta quinta-feira, destaque para as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Nacional da Suíça (SNB). Além disso, os agentes de mercado irão monitorar alguns dados de atividade nos Estados Unidos e na Europa. No primeiro caso, os pedidos de seguro-desemprego na semana passada, as vendas de novas moradias em fevereiro, além do índice de atividade nacional do Fed de Chicago e a sondagem industrial do Fed de Kansas referentes a março. Na Europa, atenções voltadas à leitura preliminar da confiança do consumidor no mês corrente.
Brasil
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão da quarta-feira (22) com uma queda de 0,77%, aos 100.221 pontos, nova mínima do ano. Enquanto o dólar recuou 0,21% frente ao real, encerrando o pregão aos R$ 5,23. As taxas futuras de juros fecharam em queda ao longo de toda a estrutura a termo da curva após a decisão do Fed e à espera do Copom. A sinalização de um possível término do ciclo de aperto monetário nos EUA contribuiu para uma queda adicional nos rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e contribuiu para a dinâmica de retirada de prêmios na curva local. DI jan/24 oscilou de 13,01% para 13,005%; DI jan/25 caiu de 12,105% para 12,03%; DI jan/26 passou de 12,19% para 12,07%; e DI jan/27 cedeu de 12,425% para 12,285%.
COPOM
No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75%, conforme amplamente esperado. No comunicado pós-reunião, o comitê ajustou seu balanço de riscos adicionando elementos em ambas as direções. Pelo lado baixista, os recentes acontecimentos financeiros/creditícios no Brasil e no mundo. Pelo lado altista, a autoridade ressaltou as expectativas inflacionárias em elevação. O comunicado trouxe ainda que “a recente reoneração dos combustíveis reduziu a incerteza dos resultados fiscais de curto prazo”, reconhecendo a pertinência da medida tomada pelo Poder Executivo. Ao mesmo tempo, o colegiado apontou a incerteza sobre o arcabouço fiscal, que deve ser divulgado em abril segundo veículos da imprensa. Na parte mais importante do comunicado, em nossa opinião, o Copom reafirmou que segue vigilante e que sua estratégia atual consiste em manter a taxa Selic no patamar atual por um longo período. Além disso, o banco central continuou afirmando que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.
Muitos participantes do mercado acreditavam que o comitê removeria essa sinalização para manter a sinalização futura de juros mais simétrica. Em resumo, julgamos a comunicação como apropriada considerando as perspectivas de inflação ainda desafiadoras. Isso condiz com o nosso cenário de que a taxa Selic permanecerá em 13,75% até o final do ano. No entanto, reconhecemos que, se a atividade econômica desacelerar mais do que o esperado – especialmente pelos eventos de instabilidade no sistema financeiro –, podemos observar um ciclo de cortes graduais na taxa básica a partir do segundo semestre;
(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)