31 de julho de 2025
Brasil e Poder

DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em alta e no Brasil atenção para início da reunião do Copom e mais clareza sobre o novo marco fiscal

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Mercados globais em positivo

(Brasília-DF, 21/03/20230 A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em alta e no Brasil atenção para o início da reunião do Copom e mais informações sobre o novo Arcabouço Fiscal que Fernando Haddad, da Fazenda, já começa a deixar circular.

 

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Mercados globais amanhecem em alta (EUA 0,8% e Europa 0,1%) com investidores repercutindo a aquisição do Credit Suisse pelo UBS e aguardando a decisão do Federal Reserve sobre os próximos passos da política monetária americana amanhã (22). Após os problemas enfrentados no setor financeiro – com o SVB e o Signature Bank sendo tomados pelos reguladores e o First Republic Bank amargando queda de mais de 80% em suas ações, com a desconfiança de que a injeção de US$ 30 bilhões de um grupo de bancos não será o suficiente para garantir sua liquidez – o mercado precifica um aumento de 0,25 p.p. na próxima reunião. O Tesouro dos EUA estuda uma forma de ampliar temporariamente a cobertura federal de todos os depósitos além do limite atual de US$ 250 mil, sem depender da votação de um Congresso dividido. A iniciativa seria preventiva para dar mais suporte ao sistema caso o cenário piore. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a entidade deve seguir observando os fatores de mercado para a sua próxima decisão sobre os juros, diante da turbulência do sistema financeiro global, apesar de seguir reforçando que o BC seguirá com sua meta da inflação de 2% ao ano. Na China, o índice de Hang Seng encerrou em alta ( + 1,4%), à medida que os temores de uma crise bancária global diminuíram, com investidores digerindo o acordo de resgate do banco suíço Credit Suisse no fim de semana.

Decisão sobre juros nos EUA

Os mercados aguardam a próxima decisão do Fed (banco central dos EUA) na quarta-feira. A precificação do mercado permanece dividida entre uma pausa ou um aumento de 25 bps, embora acreditemos que a segunda opção seja a mais provável. Embora a dinâmica mais recente da inflação e do mercado de trabalho justifiquem um ritmo de aperto ainda maior, o Fed deve adotar uma abordagem mais cautelosa para evitar o risco de provocar um aumento do estresse no sistema financeiro. Ao mesmo tempo, pausar o ciclo de aperto pode sinalizar aos mercados que os problemas no sistema bancário são mais graves do que as pessoas pensam, o que também pode agravar o problema. Portanto, acreditamos que o FOMC avaliará que uma alta de 25 bps é a decisão mais prudente, enquanto a comunicação não deve dar muitas pistas para as decisões futuras, deixando as portas abertas para as próximas reuniões. No entanto, a atualização do Resumo das Projeções Econômicas (SEP, sigla em inglês) pode ser um indicador mais importante da trajetória futura da taxa dos Fed Funds. Nesse sentido, as decisões políticas desta semana, bem como a comunicação pós-reunião, estão provavelmente entre as mais importantes em muitos anos.

IBOVESPA -1,0% | 100.992 Pontos.  CÂMBIO -0,5% | 5,24/USD

Ibovespa fecha em queda, na contramão do exterior, após dia turbulento na política. Destaque para a decisão do Copom e o comunicado que acompanha a decisão em meio aos choques recentes (SVB, Americanas, etc.), enquanto mercados aguardam a próxima decisão do Fed (banco central dos EUA) na quarta-feira, que deve adotar uma abordagem mais cautelosa para evitar o risco de provocar um aumento do estresse no sistema financeiro. O acordo para a compra do Credit Suisse pelo UBS trouxe algum alívio no mercado financeiro, mas foi incapaz de eliminar por completo as preocupações com a saúde do sistema bancário global. Na Europa e nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em alta, mas, na Ásia, houve queda.

Brasil

O Ibovespa fechou em queda de 1,04%, aos 100.922 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira não conseguiu acompanhar a alta do exterior, tendo sido impactado, principalmente, pelo noticiário político local. O dólar porém perdeu força frente ao real, com queda de 0,52%, a R$ 5,242. As taxas futuras de juros fecharam em leve alta. Enquanto os vértices mais curtos subiram com a deterioração das expectativas de inflação nas vésperas da reunião do Copom, houve um processo de leve retirada de prêmio de risco nos trechos de longo prazo da curva, se alinhando aos mercados globais. DI jan/24 subiu de 12,965% para 13,01%; DI jan/25 avançou de 12,06% para 12,115%; DI jan/26 passou de 12,195% para 12,22%; e DI jan/27 caiu de 12,47% para 12,46%.

Do lado corporativo, depois do fechamento do mercado, destaque para Santos Brasil (STBP3), JBS (JBSS3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3), que divulgam seus resultados do 4º trimestre de 2022. Veja mais aqui.

Reunião do Copom inicia hoje

Com a agenda econômica relativamente vazia no Brasil, os mercados aguardam a decisão do Copom e o comunicado que acompanha a decisão. Dados divulgados desde a última reunião foram ruins para a dinâmica inflacionária, porem choques recentes (SVB, Americanas, etc.) podem tornar dados passados menos relevantes neste momento. Esperamos que a taxa Selic permaneça em 13,75% nesta reunião e que o comunicado pós-decisão deixe as portas abertas para frente. Por ora, mantemos nossa projeção de estabilidade da taxa Selic em 13,75% até o final do ano, porem reconhecemos que existe a possibilidade de cortes mais cedo, a depender da evolução dos choques financeiros e da forma que o Copom optará por administrar o balanço entre desaceleração da atividade e convergência da inflação.

Plano de recuperação judicial Americanas (AMER3)

A Americanas (AMER3) informou no final da noite de ontem que seu Conselho de Administração aprovou os termos e condições do plano de recuperação judicial, bem como sua apresentação nos autos do processo de recuperação judicial do Grupo Americanas, em curso perante a 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. O plano arquivado prevê um aumento de capital no valor de R$ 10 bilhões e venda de ativos.

Mercado em Gráfico

Desde as eleições presidenciais, em outubro de 2022, os riscos fiscais e políticos ficaram nos holofotes dos investidores. Tensões crescentes entre o governo brasileiro e o Banco Central, alterações na meta de inflação em pauta, e dúvidas em relação à uma âncora fiscal crível e o caminho para a sustentabilidade fiscal, intensificaram o sentimento de aversão à risco do investidor local e deixaram o Brasil para trás no rali dos ativos de risco globais. Com isso, o Ibovespa teve uma perda de -11,3% em sua capitalização de mercado desde outubro/22 até hoje, e setores mais sensíveis ao cenário macro desafiador e expectativas de juros, como Educação, Saúde e Varejo, foram os que mais sofreram perdas percentuais em capitalização de mercado. Setores como Mineração e Siderurgia e Bens de Capital, mais resilientes ao momento macro desafiador e beneficiários da reabertura econômica de China, foram os que tiveram melhor performance na atual conjuntura. Como mencionamos no nosso último Raio XP, dado que a perspectiva fiscal tem se deteriorado, mantemos uma visão cautelosa para as ações brasileiras. Por fim, ainda seguimos com foco nos principais temas: 1) commodities; 2) histórias de crescimento secular e 3) Qualidade a um preço razoável (“QARP”).

(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)