31 de julho de 2025
Brasil e Economia

ECONOMIA: Ministério da Fazenda revisa crescimento de 2,1% para 1,6% em 2023; os números são do Boletim MacroFiscal da Secretária de Política Econômica

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(Brasília-DF, 17/03/2023) Na tarde desta sexta-feira, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, divulgou seu boletim MacroFiscal  referente a março de 2023, fechando o primeiro trimestre do ano.  A SPE destaca que neste documento foi revisado as projeções de crescimento e inflação comparativamente às de novembro de 2022.

Dados econômicos divulgados desde a última edição evidenciaram que a desaceleração da economia como consequência do atual quadro monetário e fiscal tende a ser mais forte do que a inicialmente prevista.

A projeção de crescimento para o PIB de 2023 foi revisada de 2,1% para 1,6%. A previsão anterior, feita em novembro de 2022, minimizava os efeitos contracionistas da política monetária sobre o ciclo econômico e sobre o mercado de crédito. Esses efeitos já foram parcialmente verificados durante o último trimestre de 2022, quando a economia teve retração de 0,2% na margem e as concessões de crédito passaram a desacelerar de maneira mais acentuada.

A desaceleração da economia deve ocorrer tanto no setor de serviços como no industrial. O elevado endividamento e comprometimento de renda da população deve afetar o ritmo das atividades no setor de serviços, apesar das medidas de proteção social previstas (elevação real do salário-mínimo, maior faixa de isenção de imposto de renda e os novos programas Bolsa Família, e Desenrola). Vale notar, além disso, que esse setor cresceu com maior vigor em 2022 porque algumas atividades ainda estavam se recuperando da pandemia, sendo natural observar um arrefecimento no ritmo de crescimento neste ano. Na Indústria, o alto custo do crédito tende a dificultar a rolagem de dívidas e os novos investimentos produtivos, condicionando o arrefecimento desse setor apesar dos novos estímulos com o PEAC-FGI e Pronampe.

Políticas monetárias contracionistas no âmbito externo também contribuem negativamente para a atividade doméstica. O aumento dos juros nas principais economias tem afetado a liquidez nos mercados financeiros globais, elevando riscos de default e incertezas nos mercados acionários. Nos Estados Unidos, o deslocamento das curvas futuras de juros já levou à falência de bancos, majorando perspectivas de contágio do setor financeiro global. O aumento da aversão ao risco decorrente desse cenário tem potencial de reduzir a captação bancária e não bancária, prejudicando ainda mais o cenário de crédito e de crescimento.

Fatores positivos

Também existem, no entanto, vetores positivos para a atividade. Destacam-se as perspectivas de safra recorde de grãos para 2023, que deve impulsionar o setor agropecuário, e de aumento da demanda por minério de ferro com aceleração do crescimento da China, contribuindo para a indústria extrativa. Além disso, em função das já citadas medidas de proteção social, deve ser observado um aumento no rendimento real nas classes de renda menos favorecidas, levando à redução da pobreza e da desigualdade social, etapa fundamental para garantir um crescimento sustentável no longo prazo. A extensão dos prazos de carência e de contratação do PEAC-FGI e Pronampe devem mitigar o impacto do encarecimento do crédito para micro, pequenas e médias empresas, enquanto a retomada do programa Minha Casa, Minha Vida pode dar novo impulso a indústria de construção.

A projeção de inflação, medida pelo IPCA, foi revisada de 4,60% para 5,31% em 2023. A revisão incorpora um cenário mais realista para os preços de bens e serviços monitorados, com reajustes influenciados pela inflação passada (i.e.: tarifas de energia elétrica, produtos farmacêuticos e plano de saúde). Nessa revisão, a reoneração da gasolina também já está considerada. Apesar da medida provocar uma pequena elevação dos preços do combustível na bomba no curto prazo, auxilia o equilíbrio fiscal, contribuindo para redução estrutural da inflação, além de trazer benefícios para o meio ambiente.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)